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MÚSICA

Isadora Melo lança novo EP com serenidade para lidar com o tempo

Publicado em: 21/01/2022 15:12 | Atualizado em: 21/01/2022 15:46

'Todo Ar' está disponível nas principais plataformas (Luara Olívia/Divulgação)
'Todo Ar' está disponível nas principais plataformas (Luara Olívia/Divulgação)
Uma das principais vozes da música contemporânea pernambucana, Isadora Melo possui uma trajetória artística de muita intensidade nos últimos anos, passeando por diferentes projetos, formas e linguagens com muita fluidez e entrega. Estava pronta para lançar seu aguardado segundo disco pouco antes da pandemia, mas a situação do mundo e a do seu lar, com a chegada do filho Sereno, acabou por rearranjar uma série de percepções suas sobre a arte e a vida. Fruto dessas mudanças são as cinco faixas  do EP Todo Ar, lançado pela cantora e compositora nesta sexta-feira, disponível nas principais plataformas. 

Talvez um dos principais desses rearranjos esteja na sua percepção sobre o tempo, tomando uma noção ainda maior de sua elasticidade e relatividade. Entre 2016, ano de lançamento de Vestuário, seu álbum de estreia, e o lançamento deste EP, Isadora participou de projetos que vão da turnê de retorno do Cordel do Fogo Encantado ao protagonismo do espetáculo Dorinha, Meu Amor, de João Falcão. Já na divulgação desse novo trabalho, vem vendo muitos comentários sobre esse ser seu “primeiro trabalho de inéditas em seis anos” e vê nisso uma reflexão importante sobre essa relação entre o tempo e a arte. 

“Fica parecendo que eu não fiz nada durante esse tempo ou que lançar um álbum ou lançar coisas com muita frequência seja algo importante. Não deixa de ser, eu gostaria de lançar um disco a cada ano, mas também entendo que o tempo é um negócio muito relativo. Decidimos não lançar o disco em 2020 e eu entrei em outro tempo. A pandemia fez todo mundo repensar esses processos e ainda teve uma outra camada disso que veio com a  maternidade. Quando Sereno nasceu, a contemplação e a paciência viraram minhas principais palavras e o tempo de digerir as coisas mudou muito”, elabora Isadora.
 
 

Sonoramente, ela retoma a casar sua voz com a junção do bandolim de Rafael Marques e do baixo de Walter Areias, conjunção de instrumentos que a acompanha desde suas primeiras apresentações. Se em seu vindouro segundo disco, Anagrama, ela constrói um território musical mais de chão batido e terra, Todo Ar é entregue a partir da serenidade e do respiro, sendo construído ao lado desses nomes tão familiares e que são essenciais na sensação de acolhimento que Isadora busca revestir suas faixas. 

“Em Vestuário, também com bandolim e baixo, há uma proposta mais melancólica, de muitos silêncios. Já Todo Ar é mais leveza e contemplação do que um modo triste e de saudade de cantar. Eu voltei para esse som de acolhimento, feito dessa forma muito familiar. Areia, por exemplo, está em Lisboa, mas quando ele me mandou os baixos, parecia que ele estava tomando um café com a gente ali na sala de casa. Já com Rafa, que está comigo desde o primeiro trabalho, eu divido a casa e passamos por um momento muito fechado na pandemia. Então fui compondo no violão, mostrando algumas harmonia básicas a ele e fomos criando os arranjos, até o ponto de registrarmos com o bandolim”, rememora.
 
Todo Ar acaba fazendo ecoar um outro regime de percepção que Isadora parece ter incorporado em sua vida, de muito mais atenção plena aos detalhes e as pequenas mudanças que vão se unindo em grandes revoluções internas e interpessoais. É um registro de um momento tão único de sua vida. O nascimento de Sereno, por exemplo, a colocou num lugar de observação que é natural com a chegada de um filho, de estar mais atenta a detalhes e perceber como as pequenas coisas são importantes. 

“Estou entendendo o que eu não quero mais, o que eu quero, onde quero chegar, de se acolher, se aceitar, toda essa coisa de completar 30 anos e algumas revoluções que vêm com isso. Com a chegada de Sereno, passei a me colocar muito nesse lugar de grão de areia, ver uma folha de jambo cair, respirar e entender isso como uma coisa importante, enxergar as coisas pequenas como grandes. E essas pequenas coisas se tornam um tsunami de felicidade. Busquei fazer um jardim com as flores possíveis”, conclui Melo. 

Os planos são de no futuro, realizar um show para Todo Ar, mas não neste momento, com o avanço da covid-19 não permitindo se criar um terreno seguro como ela gostaria para essa estreia ao vivo. Já nesta sexta-feira, também está disponível o videoclipe da faixa-título, dirigido por Luara Olívia. Ainda neste ano, Isadora Melo também tem planos de lançar o seu já gravado segundo disco. 
 
 
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