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BBB22: Tadeu dá espaço para Linn reforçar qual pronome prefere ser chamada

Publicado em: 24/01/2022 07:39

 (Foto: Reprodução/Globo)
Foto: Reprodução/Globo
Após a cantora Linn da Quebrada ser chamada no masculino diversas vezes, o apresentador do Big Brother Brasil, Tadeu Schmidt, usou o programa ao vivo para dar espaço para que a participante explicasse, mais uma vez, qual o pronome correto para tratá-la. 

Após falar sobre a primeira festa da edição, Tadeu disse que faria perguntas para dois grupos de participantes. “Primeiro, uma pergunta para ELAS (com ênfase na palavra): quem aí tá solteIRA?”, questionou, seguido pelas participantes respondendo. “Agora uma pergunta para ELES: quem aí tá solteIRO?”, completou, sendo respondido pelos homens.

Tadeu emendou: “Lina, você tem o pronome ELA tatuado acima da sobrancelha. Eu queria que você explicasse o porque você fez essa tatuagem e também que você dissesse, mais uma vez, reforçando, como as pessoas devem se dirigir a você, devem tratar você”, falou.

Linn (ou Lina, como também é chamada) respondeu: “Eu fiz essa tatuagem por causa da minha mãe. No começo da minha transição, a minha mãe ainda errava e me tratava no pronome masculino. E eu falei ‘mãe, eu vou tatuar ELA bem aqui, na minha testa, pra você ver e não errar'. E acho que assim também é uma indicação para todas as outras pessoas. Então, ficou na dúvida? Lê, e daí vocês lembram que eu quero ser tratada nos pronomes femininos”, disse.

Tadeu agradeceu a resposta da participante. “Muito importante você ensinar isso para os moradores da casa e para o Brasil inteiro. Para que erros não sejam mais cometidos. Muito obrigado!”

Em menos de cinco minutos após o momento, a frase “TADEU EU TE AMO” foi parar nos assuntos mais comentados do Twitter, junto com outras palavras e frases como “Linn”, “Lina”, “É ELA”, “Solteira” e “Eslovênia”.

Linn é uma mulher trans, ou como prefere dizer, uma travesti. (Leia abaixo o significado dos termos)

Veja o momento


Relembre os ataques
Em menos de três dias na casa, Linn foi chamada no masculino diversas vezes, mesmo após explicar aos colegas de casa que prefere ser tratada no feminino. A participante Eslovênia, por exemplo, a chamou no masculino diversas vezes. Na última, durante a festa de sábado (22/1), Linn se irritou pela primeira vez. "É amiga, caralh*. Não dá para ficar errando mais, amiga", pediu.

Também no sábado, Linn recebeu um torpedo anônimo, questionando se ela estava “solteiro”. O assunto rendeu nas redes sociais, o termo “LINN MERECE RESPEITO” foi parar nos assuntos mais comentados do Twitter. Até mesmo a cantora Anitta pediu que a Rede Globo tomasse alguma medida contra os ataques que Linn estava sofrendo.

“Eu acho que o bbb deveria expor quem foi que mandou esse torpedo escroto pra Linn. Transfobia homofobia é crime, caralho. Vsf mano tem um ELA escrito na testa da mina e ainda ficam de putaria... revoltante”, escreveu Anitta.

Durante o programa de sábado, a Rede Globo exibiu aos telespectadores quem enviou o torpedo anônimo: Laís Caldas. Após a repercussão negativa, a equipe de Laís atualizou as redes sociais com uma carta de desculpas para Linn e todas as pessoas trans que se sentiram ofendidas.

O que é uma pessoa trans?

As pessoas trans são homens ou mulheres que manifestam características comportamentais de um gênero diferente do sexo biológico que nasceram. Ou seja, a pessoa pode ter nascido com um pênis, mas não se identifica com o gênero masculino, e sim com o feminino.

E o que é transfobia?

São atos de preconceito, discriminação e intolerância contra as pessoas que se identificam como transgêneros. No sentido estrito da palavra, o termo trans é utilizado para caracterizar indivíduos transexuais e transgêneros, enquanto “fobia” significa “aversão a algo ou a alguém.” Nesse conceito estão incluídos comportamentos que incitam práticas de violência física, verbal, psicológica ou moral contra essas pessoas. Tais atos são também considerados virtualmente. Ou seja, fazer comentários intolerantes e preconceituosos na internet também é transfobia.

Transfobia é crime

Em 2019, após entendimento do Supremo Tribunal Federal de que havia demora inconstitucional do legislativo em tratar do tema, a maioria os ministros do STF votou a favor da determinação de criminalizar a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. A decisão contempla qualquer tipo de preconceito contra transexuais e homossexuais.
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