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'Tudo é Amor': Almério lança álbum com releituras de Cazuza

Publicado em: 25/11/2021 09:40

Grande fã do roqueiro carioca, Almério encarou o desafio de reinventar os clássicos e canções de lado B de Cazuza (Foto: Ana Stewart/Divulgação)
Grande fã do roqueiro carioca, Almério encarou o desafio de reinventar os clássicos e canções de lado B de Cazuza (Foto: Ana Stewart/Divulgação)
Reinterpretar canções é algo especialmente difícil quando estamos falando de clássicos absolutos. Porém, o cantor pernambucano Almério aceitou o desafio ao gravar o disco Tudo é Amor - Almério canta Cazuza, que chega às plataformas digitais nesta quinta-feira (25) como uma iniciativa da produtora Parças do Bem. O álbum de homenagem ao roqueiro carioca conta com 11 faixas, entre sucessos e lados B, e participações especiais de Ney Matogrosso e da cantora Céu. Além das canções Brasil e Amor, Amor, que já haviam sido lançadas como singles ao longo do ano, o disco traz desde hits como O nosso amor a gente inventa, quanto a composição Companhia, criada por Zizi Posse em 1987 e nunca gravada por Cazuza.
 
O projeto surgiu da mente da produtora Ione Costa, fundadora da Parças do Bem. Desde o começo, a produtora tinha a voz de Almério em mente como principal escolha para a função, algo que tomou mais força ao descobrir a intensa relação dele com a obra de Cazuza. Durante a adolescência em Altinho, no agreste pernambucano, Almério relembra que o primeiro disco comprado por seu irmão mais velho foi uma coletânea de Cazuza, mas que eles ainda não tinham um aparelho que tocasse a mídia. “Ficamos com esse disco por dois anos só lendo os encartes e as letras. Quando conseguimos comprar um aparelho que tocasse o CD, foi catártico para mim, ouvir canções que não as do rádio”, conta Almério. As músicas de Cazuza também eram figurinhas carimbadas entre os pedidos de quando o cantor começou a tocar na noite. “Trazer Cazuza para uma nova geração através da minha voz tem um significado gigante para mim”.
 
A grande paixão pelo homenageado, porém, fez com que Almério se atentasse sempre para evitar que a interpretação caia em uma paródia da voz marcante do roqueiro. “Esse foi o meu maior desafio. Chegar num lugar verdadeiro e meu de interpretar as canções de Cazuza. Acho que de tanto ouví-lo, a voz dele já estava no automático para mim. Foi uma dicotomia, ao mesmo tempo em que nessa pesquisa eu tinha que estar super próximo de Cazuza, ao mesmo tempo eu tinha que estar distante”, lembra.
 
Com a produção musical de Pupillo e direção artística de Marcus Preto, o disco moderniza a sonoridade ao intensificar os elementos eletrônicos e dançantes. As canções ganharam também uma pernambucanidade fruto da união entre as referências do rock brasileiro dos anos 80 com a cena do manguebeat recifense. “Essa pernambucanidade tá no meu sotaque, na minha performance e jeito de existir. Além disso, trago também uma voz agreste. Essa mistura me atrai e me impulsiona muito e eu estava vestido desse manto”, explica Almério.
 
Para dar conta do clássico hino de protesto 'Brasil', Almério contou com o dueto de Ney Matogrosso (Foto: Biscoito Fino/Divulgação)
Para dar conta do clássico hino de protesto 'Brasil', Almério contou com o dueto de Ney Matogrosso (Foto: Biscoito Fino/Divulgação)
 
Tudo é Amor marca uma nova fase na carreira do cantor, após o projeto ao vivo Acaso Casa, com Mariene de Castro, que garantiu uma indicação ao Grammy Latino 2020, e o álbum Desempena (2017), que venceu como revelação no Prêmio da Música Brasileira. O prestígio adquirido o levou a novas parcerias como com a cantora Céu na faixa Eu quero ter uma bomba e ninguém mais que Ney Matogrosso para o clássico Brasil, um dos grandes hinos de protesto da MPB. “Gravar Brasil já seria bem difícil em meio a tantos registros imortais de Gal e do próprio Cazuza. Então eu precisava de uma voz que me ajudasse a cantar essa música que atravessa os tempos”, comenta Almério. “Acho que zerei a vida quando cantei com Ney”.
 
A alegria e energia colocadas nas canções só cedem lugar à igualmente intensa mensagem de protesto marcantes das letras de Cazuza. O Brasil sobre o qual ele cantava há 33 anos, contudo, não parece ter mudado muito. “Eu acho que regredimos totalmente, viemos parar num lugar muito feio. Escolher Brasil, Cobaias de Deus e Blues da Piedade é realmente alertar as pessoas do quanto regredimos. O Brasil é um país cheio de potencialidades, mas neste momento tem um desgoverno levantando questões óbvias que a gente não precisava estar falando sobre”, denuncia o cantor.
 
Apoio
Carioca apaixonada por Pernambuco, Ione viu no álbum a oportunidade de traçar um elo entre Rio e Recife. “Eu teria a oportunidade de unir todo o meu amor pelo lugar onde eu nasci ao amor pela cidade onde criei laços afetivos e de trabalho. Montei a empresa exatamente para desenvolver projetos que enalteçam Pernambuco, mas que também gerem recursos financeiros para a comunidade Entra Apulso, em Boa Viagem, na qual atuo há 15 anos”, explica Ione. Parte dos recursos gerados pelo disco irão para projetos que atuam na comunidade.
 
Confira abaixo a gravação de Brasil:
 

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