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Crítica: Halloween Kills tem voz tão própria quanto o original de 1978

Publicado em: 14/10/2021 11:32

'Halloween Kills: O Terror Continua' estreia nesta quinta-feira  (UNIVERSAL/DIVULGAÇÃO)
'Halloween Kills: O Terror Continua' estreia nesta quinta-feira (UNIVERSAL/DIVULGAÇÃO)
Em 2018, chegou aos cinemas Halloween, de David Gordon Green e produzido pela Blumhouse, principal celeiro dos novos filmes do terror americano dos últimos anos. No título, não havia um “2” ou qualquer outro subtítulo, apesar de se tratar de uma sequência direta do clássico slasher que havia chegado ao mundo exatamente 40 anos antes, dirigido pelo enorme John Carpenter.  Era uma indicação de que não se tratava de um um recontar a mesma história, como é o caso do remake dirigido por Rob Zombie em 2009, mas também de não ter a pretensão de ser uma continuidade à encenação que Carpenter construiu em 1978. 

É o velho Michael Myers e o velho Halloween de sempre, mas também não é. Na continuação que chega nesta quinta-feira, batizada de Halloween Kills: O Terror Continua, Gordon Green alarga mais radicalmente essa cisão e entrega de fato uma nova e original continuação para a franquia, a partir de um movimento de entendimento e de desconstrução de seus ícones. 

O filme retoma sua narrativa para o exato momento em que seu predecessor termina - este, por sua vez, desconsidera todas as outras continuações de 1978 pra cá - com a sobrevivente original Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) se recuperando do que deveria ter sido um último embate, realizado ao lado de sua filha e de sua neta, com Michael Myers, que obviamente não está morto. Contudo, ao retornar mais uma vez para continuar sua matança na pacata Haddonfield, o assassino/bicho-papão mobiliza um grupo de sobreviventes do primeiro ataque de 40 anos atrás para caçar Myers, construindo um cenário onde presa e predador estão a todo momento trocando de papéis. (CONTINUA APÓS VÍDEO)
 
[VÍDEO1]

Nessa nova lógica de embate, Gordon Green aprofunda uma tônica que começou a ensaiar de forma tímida no longa antecessor, de construir um terror que dialoga bem com o cinema de ação, narrativamente canalizado pela figura de Laurie Strode, de vítima indefesa à mulher traumatizada e pronta para enfrentar o pior mais uma vez. Agora, o trauma é expandido para uma coletividade e é dele que vem a maior força dramática e do horror em si. A partir dessa ideia e da posição de combate, de encarar Myers não apenas como a encarnação do mal puro, mas também como um homem, surge uma nova encenação que ativamente vai tentando desvelar o que há de místico na coisa toda, ainda dando margem também para a ambiguidade entre assassino/bicho-papão continuar respirando.

Essa nova postura traz consigo uma nova forma de construir cinematograficamente o universo de Halloween. Finalmente a direção desapega da vagarosidade construída por Carpenter, elemento primordial do poderoso tom construído no filme de 1978. A decupagem deste Halloween Kills abraça a rapidez, sua câmera percorre os lugares de forma mais rápida, sua montagem é menos parada. O mistério de quem está atrás da porta, apesar de ainda importante, não é mais soberano. O horror que Michael Myers não é só mais forte por conta de sua faceta misteriosa e de localização incerta no espaço, é proveniente em igual força do contato físico, da violência. (CONTINUA APÓS IMAGEM)
 
MICHAEL MYERS ENTRA EM EMBATE COM O RASTRO DE TRAUMAS QUE DEIXOU (UNIVERSAL/DIVULGAÇÃO)
MICHAEL MYERS ENTRA EM EMBATE COM O RASTRO DE TRAUMAS QUE DEIXOU (UNIVERSAL/DIVULGAÇÃO)
 

Não que outros Halloweens não tivessem lidado com isso, incluindo o original, mas agora Gordon Green encara o gore e a brutalidade de forma muito frontal, menos mística e mais espetacularizada, estilizada ao ponto de vermos um Michael Myers carregando uma vítima em câmera lenta num cenário envolto em chamas e água. É a marcação de uma cisão no nível da encenação com a obra de Carpenter, fazendo surgir um novo Halloween que de fato seja novo, não necessariamente tentando reconfigurar o que foi feito ou imitá-lo.

Halloween Kills abandona pretensões de aprofundar didaticamente nas origens e motivações de Myers e daquele universo, como tentou Zombie em seu remake. Não há uma desmistificação plena do monstro, como pretendia o remake de 2009, mas há um abraço a essa ambiguidade do ser humano/mal puro, sem propôr respostas. Aliás, seus momentos mais bobos é quando o diretor tenta racionalizar essa ideia por meio da boca dos personagens, que vão tecer seus comentários sobre o que acreditam ser o mal profundo que ali habita. 

Mas novas atitudes narrativas, rítmicas e atmosféricas como a coletivização do trauma, a ação ativa e uma nova forma de filmar Haddonfield fazem com que agora exista um Halloween de Carpenter - que também tem seu dedo nessa nova encenação, compondo a trilha sonora - e o Halloween de David Gordon Green.

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