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ESTREIA

Após premiada circulação, pernambucano King Kong en Asunción chega aos cinemas

Publicado em: 03/09/2021 18:00 | Atualizado em: 03/09/2021 18:06

Deserto de sal boliviano é uma das diversas paisagens da América do Sul em 'King Kong en Asuncíon' (Aurora Filmes/Divulgação)
Deserto de sal boliviano é uma das diversas paisagens da América do Sul em 'King Kong en Asuncíon' (Aurora Filmes/Divulgação)
Era meados de março de 2020 quando o cineasta pernambucano Camilo Cavalcante se preparava para finalizar o longa King Kong en Asunción, projeto gestado por mais de uma década que estava cada vez mais perto de chegar às telonas. Porém, chegou a pandemia, os cinemas fecharam suas portas e o futuro do projeto seria mais um abalado pelas incertezas do cenário que ainda estamos vivendo. 

Contudo, o filme ficou pronto e, a partir das adaptações que o mundo de cinema viveu no último ano, conseguiu realizar uma notória circulação nacional e fora do país, com exibições remotas, por streaming e pela TV. Foi o caso, por exemplo, do Festival de Gramado, de onde King Kong saiu com o prêmio de melhor filme. Na última quinta-feira (02), pouco mais de um ano dessa estreia e de uma ampla circulação por festivais, o longa conseguiu chegar às salas de cinema do Brasil, estreando por aqui no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco.

“Eu não imaginava que o filme chegaria em um momento de medo, na política do Brasil e nessas circunstâncias de pandemia, onde ainda existe uma situação de risco, os cinemas abrindo parcialmente, um momento ainda de cuidados”, relata Camilo, em entrevista ao Viver.  Ao mesmo tempo, é um desafio, lançar um filme nesse período delicado, mas é misto com um sentimento de satisfação, depois de tanto tempo desenvolvendo esse projeto, ele finalmente chegar ao público”, complementa.

King Kong en Asunción retrata a jornada de um recluso e idoso matador de aluguel - vivido por Andrade Jr, falecido em 2019 e vencedor do prêmio de melhor ator em Gramado - que atravessa o deserto de sal boliviano Salar de Uyuni em direção a capital paraguaia para tentar conhecer uma filha há muito abandonada. Em uma jornada narrada em guarani pela morte (Ana Ivanova), o velho percorre uma América do Sul diversa em paisagens, vozes e rostos, enquanto lida com as angústias internas de uma vida privada de vários afetos, que acaba por lhe animalizar em certo grau. 

Um road movie que percorre seus caminhos pelos festivais e cinemas em um momento em que o movimento e as grandes viagens passam por um momento único de restrição. A experiência do longa então acaba sendo capaz de canalizar algumas angústias e saudades impostas pela condição atual do mundo. “A estrada é um aspecto importante do filme, um longo e difícil trajeto, um filme de deslocamento. Interessava a gente adentrar na América do Sul e mostrar esse registro geográfico, humano e social. É um filme que sempre teve como muito certo uma abertura para que a vida, os lugares e as pessoas por onde a gente passasse, adentrassem no filme”, elabora Camilo sobre essa sensibilidade de perpétuo movimento da obra.

E dentro de um momento de constante luto e apego à memória dos que se foram, King Kong en Asunción também acaba sendo uma bonita homenagem ao ator que deu vida ao filme, o cearense radicado em Brasília Andrade Jr, falecido em 2019 por conta de um infarto fulminante. O longa em si nasce por conta do trabalho de Andrade, tendo sua primeira semente plantada na mente de Camilo quando presenciou uma performance do ator incorporando um animal em uma jaula, inspirando o diretor a pensar no longa. “Ele revive a cada exibição. E vemos um reconhecimento de um grande trabalho e de uma trajetória de dedicação à arte. E o reconhecimento de uma grande figura humana, que contagiava por onde passava, fazia amizade e conversava, algo impressionante”, declara Cavalcante.

Agora, preocupado com os devidos cuidados nas salas e também celebrando a circulação anterior do projeto, Camilo acredita que o filme estará acessível em seu formato ideal nas telas de cinema. “A sala de cinema faz com que a imersão nessa viagem seja plena, tanto visual, como sonora e literária. O espectador se torna cúmplice desse velho nessa peregrinação”, afirma Camilo. Além das exibições nas salas, King Kong en Asunción também chegará nos próximos meses na televisão fechada e no streaming.  “Na impossibilidade das salas, é melhor que o filme seja visto do que não visto”, conclui, sintetizando as diversas experiências espectatoriais que seu filme pôde participar em um cenário atípico e desafiador para arte.  
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