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ARTE CONTEMPORÂNEA

Exposição no Mamam promove intercâmbio entre Recife e Bremen, cidade da Alemanha

Publicado em: 23/09/2021 12:17

 (Foto: Roberta Guimarães/Divulgação)
Foto: Roberta Guimarães/Divulgação


O que une Recife, capital brasileira próxima dos trópicos, e Bremen, cidade que se formou às margens do rio Weser, ao norte da Alemanha? As similaridades entre os históricos portuários das cidades foram a fagulha para Francisco Valença Vaz e Rebekka Kronsteiner começarem a desdobrar a exposição de arte contemporânea CKD - Completely Knocked Down - Recife Bremen Connection, que será inaugurada nesta quinta-feira (23), no Mamam - Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Centro do Recife. As visitações podem ser realizadas das terças aos sábados, das 12h às 17h, até 11 de dezembro.

A representação desse histórico portuário está presente em diversas caixas espalhadas pelo museu. Esses objetos, que representam a troca de materiais entre os continentes, foram trazidos da Alemanha em um container e ressignificados pelos artistas com intervenções, cada um ao seu estilo. A montagem foi colaborativa, reunindo ainda obras de artistas que representam artistas de diferentes gerações. Participam os recifenses Paulo Bruscky, Marcio Almeida, Maria do Carmo Nino, Francisco Valença Vaz e Silvio Hansen (in memorian) e os alemães Wolfgang Hainke (veterano de 75 anos que doou uma obra ao Mamam), Rebekka Kronsteiner, Christian Haake e Tobias Heine.

Com organização da Relicário Produções Culturais, da produtora Carla Valença, a mostra iniciaria em março de 2020, quando os artistas estiveram juntos na cidade para a concepção da exposição. Com a chegada da pandemia no Brasil e o início das medidas restritivas, todos os planos foram afetados, e não só o cronograma mudou, mas também a própria forma de realização do projeto.

 (Foto: Roberta Guimarães/Divulgação)
Foto: Roberta Guimarães/Divulgação
 

"Tanto Recife quanto Bremen têm portos. Como podemos trabalhar um porto?", questiona Francisco Valença Vaz". "Pensamos em trabalhar com um container, que simboliza o processo de globalização. Dividimos as obras dentro dele, para serem montadas no Recife, um processo chamado Completely Knocked Down, e o container também faria parte da obra", diz, sobre a primeira proposta. O container, inclusive, ficou durante meses na Avenida Rio Branco, mesmo com o adiamento da mostra.

"Queríamos construir uma obra coletiva, mas tivemos muito pouco tempo juntos no Recife por conta da pandemia. A solução surgiu com o uso das caixas, espalhadas pelo museu de uma forma como se fossem ser usadas, como se estivessem alojadas", diz, explicando o papel das caixas usadas pelos artistas na exposição. As demais obras trazem as particularidades de cada artista envolvido.

Márcio Almeida, por exemplo, explora as suas características de ocupação de espaço urbano e geopolítica na obra Chão de estrelas, um conjunto de pedaços de madeira destruídos por tiros de armas. "Quando eu ouvi a expressão 'mapa da violência', comecei a pesquisar sobre intervenção e ocupação do espaço urbano de maneira geral", diz Márcio. "Eu percebi que as madeiras iam se danificando com o uso, assim vai construindo essa cartografia com a destruição da madeira. Isso é algo que encontramos na Amazônia, no garimpo, esse trabalho fala disso."

Obra do recifense Silvio Hansen, que faleceu em 2020, faz crítica ao regime militar (Foto: Roberta Guimarães/Divulgação)
Obra do recifense Silvio Hansen, que faleceu em 2020, faz crítica ao regime militar (Foto: Roberta Guimarães/Divulgação)


A fotógrafa Roberta Guimarães, também responsável por registrar a exposição, expõe um mosaico de imagens que explicitam as desigualdades urbanísticas do Recife. "Eu trouxe a ideia da nossa sociedade antagônica, como se fossem dois mundos vivendo no mesmo país."

Nesse intervalo de um ano de reformulação da mostra, o projeto sofreu uma grande perda. O artista plástico e poeta visual Silvio Hansen faleceu depois de lutar contra um câncer. Ele foi uma das lideranças ativas da Mail Art (Arte Postal), uma prática artística corrente e intensa nas décadas de 70 e 80, antes da propagação da internet como meio de comunicação.

As obras que Silvio preparou para a CKD estão presentes na mostra, sem títulos e exatamente das formas em que ele deixou. Uma delas traz um conjunto de vítimas da ditadura militar, mas com madeiras sobrepostas que tentam esconder as cenas de sofrimento. "Silvio foi o fio condutor para o projeto no Recife, iniciando nossas primeiras comunicações com o Mamam e com a nossa produção. Ele oferece aqui uma interpretação onde a troca de postais e seu conteúdo artístico se transformou em uma das bases desta exposição", diz Vaz.

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