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'Estamos aqui para mexer na ferida', diz Hermila Guedes sobre nova temporada de Segunda Chamada

Publicado em: 10/09/2021 16:53 | Atualizado em: 12/09/2021 14:53

 (Foto: Mauricio Fidalgo/TV Globo)
Foto: Mauricio Fidalgo/TV Globo

Após uma primeira temporada elogiada pelo tom realista com que abordou o ensino público brasileiro, a série Segunda Chamada, original do Globoplay em parceria com a O2 Filmes, ganhou uma nova leva de episódios nesta sexta-feira (10). Com texto de Carla Faour e Júlia Spadaccini%u202Fe direção de Joana Jabace, Henrique Sauer e Pedro Amorim, Henrique Sauer e Pedro Amorim, a obra acompanha estudantes adultos e professores do período noturno da Escola Estadual Carolina Maria de Jesus, em São Paulo, onde os desafios dos alunos se encontram com os dilemas pessoais dos professores e diretores. Dessa vez, o gancho da temporada está na baixa adesão às matrículas, insuficientes para manter o turno funcionando.

O diretor Jaci (Paulo Gorgulho) e os professores Lúcia (Débora Bloch), Marco André (Silvio Guindane), Sônia (Hermila Guedes) e Eliete (Thalita Carauta), interpretados por alguns gigantes da TV brasileira, iniciam um esforço para encontrar novos estudantes. Assim, as autoras trazem novos personagens, alguns sem residência fixa, levando a série para uma discussão em torno de pessoas em situação de rua, alcoolismo e feminicídio. Alunos, professores e funcionários vão aprender a desenvolver modos próprios de exercitar a tolerância a fim de que todos possam conviver em harmonia, respeitando suas grandes diferenças e sempre ressaltando o poder transformador da educação.

Por conta da rotatividade dos alunos, a série não conta mais com nomes como nanda Costa, Felipe Simas e Linn da Quebrada. Em compensação, ganhou nomes como Moacyr Franco, Rejane Faria, Tamirys O’Hanna, Gustavo Luz, Nena Inoue, Nataly Rocha, Sidney Santiago, além do reforço do pernambucano Pedro Wagner, ator do grupo teatral Magiluth. Ele, inclusive, já contracenou com a também pernambucana Hermila Guedes na série Irmandade, da Netflix. Quem conversou com o Viver foi Hermila, que vive a professora de história e geografia Sônia. Ela sofreu anos de agressões físicas e verbais por parte do marido e, após se divorciar, está decidida a mudar de vida, permitindo-se ainda se relacionar com Marco André (Silvio Guindane).

Entrevista - Hermila Guedes, atriz

Como você enxergou a recepção da primeira temporada de Segunda Chamada?
Para mim, a melhor possível. São muitos fatores: a importância que o projeto tem como um todo, os assuntos que são abordados dentro da série tocam e fazem as pessoas se identificarem, vivendo no país como nosso que sucateia a educação pública. Os roteiros superbem escritos pela Carla Faour e a Júlia Spadaccini, que tratam com muita seriedade e sensibilidade os assuntos. A direção da Joana Jabace, com quem já tive oportunidade de trabalhar em outro projeto, Assédio. As escolhas dela com a condução de atores, a linguagem, a equipe que está rodeando-a, a escolha do elenco maravilhoso com todas as suas particularidades. Ela prezava muito pelas nossas bagagens pessoais, nossas experiências vividas como ser humano, como cidadão brasileiro. Enfim, acho que tudo isso imprime, as pessoas veem. Eu estou feliz.

Como você vê a evolução da personagem Sônia dentro da série, sobretudo nesse começo da segunda temporada?
A Sônia é uma personagem que me surpreendeu muito por ver o acolhimento que o público teve com ela na primeira temporada. Eu acredito que seja pelos dramas que ela carregava, principalmente por ser uma personagem que traz uma discussão imprescindível e urgente, que é o combate à violência doméstica no Brasil. As pessoas conseguiram enxergar além do que ela parecia ser, às vezes vinha muita amargura dela, e despertava essa vontade de abraçá-la, de acolhê-la. O final da primeira temporada prepara o espectador para isso: Sônia se reencontrar, buscar o seu brilho no olho, sua força, sua vontade de ser feliz de novo.

A Sônia tem um sotaque pernambucano, certo? Você que optou por a construir como pernambucana?
Foi muito fácil propor o sotaque pernambucano para a Joana (diretora artística) porque o projeto acolhe muito bem isso. Ela é muito sensível na sua direção, na sua condução de atores, na escolha do elenco e ela preza muito as nossas individualidades e nossas bagagens como atores. Eu acho que o sotaque acabou virando um artifício a mais para a personagem, fica muito crível porque São Paulo é um mundo, existem muitos Brasis dentro da cidade, muitos nordestinos, a gente só juntou o útil ao agradável e eu acho que deu certo.

A Sônia ensina história e geografia. Na vida real, você gosta dessas disciplinas? Como acha que elas podem transformar a vida dos jovens?
Sim, gosto muito e penso como a professora Sônia, assim como os professores da educação pública no Brasil. A educação é muito importante e essas disciplinas podem salvar uma vida, porque elas podem fazer com que o jovem conheça o mundo em que vive. Quando ele passa a ter consciência do seu mundo, ele começa a perceber que papel ele tem na sociedade, como ele pode transformar a vida dele e de tudo que está ao seu redor.

Como você espera que a série estimule o debate sobre a educação pública, sobretudo nesse contexto de pandemia, que afetou muitos jovens na educação?
Os problemas da educação pública brasileira não vêm de hoje e a pandemia só veio reforçar isso. A desigualdade entre os níveis de educação no Brasil é discrepante e como esperado os mais prejudicados foram os alunos do ensino público. A série está aí para isso, para manter vivo esse debate, para chamar as pessoas, chamar a sociedade para discutir sobre isso. Tem urgência, a gente precisa discutir sobre a melhoria da educação no Brasil. Estamos aqui para mexer nessa ferida, para dizer que existe, mostrar, denunciar.

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Com texto de Carla%u202FFaour%u202Fe Júlia%u202FSpadaccini%u202Fe Carla Faour e Júlia Spadaccini Carla%u202FFaour%u202Fe Júlia%u202FSpadaccini%u202F
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