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Drama sobre aborto ilegal conquista Leão de Ouro em Veneza

Publicado em: 13/09/2021 10:30 | Atualizado em: 13/09/2021 10:31

A franco-libanesa Audrey Diwan é a sexta mulher a receber o maior prêmio do Festival de Veneza (Foto: Filippo Monteforte/AFP)
A franco-libanesa Audrey Diwan é a sexta mulher a receber o maior prêmio do Festival de Veneza (Foto: Filippo Monteforte/AFP)
O filme L'Événement, da franco-libanesa Audrey Diwan, conquistou o Leão de Ouro do Festival de Veneza, anunciado no último sábado (11). Baseado no romance homônimo da escritora francesa Annie Ernaux, o longa se passa nos anos 1960 e conta a história de Anne (Anamaria Vartolomei), uma estudante promissora que tem o destino atravessado por uma gravidez inesperada.
 
Diante das obrigações estudantis, ela decide recorrer ao aborto clandestino e sofre as consequências da decisão, como o abandono de médicos, amigos e do próprio pai da criança. Durante o festival, o filme gerou controvérsia por trazer a pauta do aborto para o centro do debate e mostrar uma longa sequência em que Anne realiza o aborto. "Foi difícil fazer esse filme. Infelizmente sabemos que o que ele mostra ainda acontece muito no mundo", declarou a diretora ao receber o prêmio. 
 
Diwan é a sexta mulher na história a ganhar o troféu, se juntando a Margarethe Von Trotta (1981), Agnés Varda (1985), Mira Nair (2001), Sofia Coppola (2010) e Chloé Zhao (2020). A conquista de Diwan também é histórica porque marca o segundo ano consecutivo que o prêmio é concedido a uma obra dirigida por uma mulher. Em 2020, o Leão de Ouro foi para Nomadland (2020), de Zhao. 
 
Além disso, é a primeira vez desde 1987 que um cineasta da França vence o prêmio. O último vencedor do país foi Louis Malle, com Adeus, meninos (1987). Isso prova que o cinema francês vive um bom ano em festivais de cinema de prestígio. Em julho, o longa Titane, dirigido por Julia Ducournau, levou a Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes.
 
Outros Premiados
O Grande Prêmio do Júri foi dado ao filme A mão de Deus, drama autobiográfico de Paolo Sorrentino produzido pela Netflix. A produção mostra um jovem em Nápoles na década de 1980, quando Diego Maradona jogou na cidade e se tornou uma figura mitológica para seus habitantes. O jovem ator Filippo Scotti, de 21 anos, que interpreta o alter ego de Sorrentino no filme, recebeu o prêmio Marcello Mastroianni, dado a intérpretes em início de carreira.

Penélope Cruz foi eleita melhor atriz pela atuação em Madres paralelas, de Pedro Almodóvar. Já o filipino John Arcilla recebeu o prêmio de melhor ator por On the job: The missing 8, de Erik Matti.
 
Conhecida por suas parcerias com o diretor Almodóvar, Penélope Cruz conquistou o prêmio de melhor atriz por 'Madres Paralelas' (Foto: Filippo Monteforte/AFP)
Conhecida por suas parcerias com o diretor Almodóvar, Penélope Cruz conquistou o prêmio de melhor atriz por 'Madres Paralelas' (Foto: Filippo Monteforte/AFP)
 
 
A atriz Maggie Gyllenhaal foi laureada com o prêmio de melhor roteiro por The lost daughter, filme que marca sua estreia como diretora. O longa é uma adaptação do romance A filha perdida, de Elena Ferrante, e tem no elenco Olivia Colman, Dakota Johnson, Peter Sarsgaard e Paul Mescal, entre outros.
 
O prêmio de melhor direção foi para a neozelandesa Jane Campion, por The power of the dog, também produzido pela Netflix e estrelado por Benedict Cumberbatch e Kirsten Dunst. O Prêmio Especial do Júri foi concedido a Il buco, do italiano Michelangelo Frammartino.
 
Nesta que foi a 78ª edição do Festival de Veneza, o júri foi presidido pelo sul-coreano Bong Joon-Ho, diretor do filme Parasita (2019), e integrado pela cineasta Chloe Zhao, a atriz britânica Cynthia Erivo, a atriz franco-belga Virginie Efira, a atriz canadense Sarah Gadon, o diretor romeno Alexander Nanau e o cineasta italiano Saverio Costanzo.
 
Brasileiros
O Brasil também marcou presença no festival. O filme 7 prisioneiros, de Alexandre Moratto, produzido pela Netflix, arrancou elogios da crítica estrangeira. Protagonizado por Christian Malheiros e Rodrigo Santoro, o drama conta a história de um jovem preso a um sistema de trabalho análogo à escravidão. Já Deserto particular, do baiano Aly Muritiba, foi exibido na mostra paralela Venice Days.
 
Bárbara Paz, que em 2019 recebeu em Veneza o troféu de melhor documentário por Babenco: Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou (2019), exibiu no festival o curta-metragem Ato, estrelado por Alessandra Maestrini e Eduardo Moreira.
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