Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Notícia de Viver

CINEMA

'Deus é Mulher': Filme pernambucano vai a Cannes em busca de parcerias

Publicado em: 12/07/2021 08:52

O documentário sobre a primeira Reverenda trans da América Latina foi apresentado para financiadores no Docs in Progress do Festival (Foto: 99 Produções/Divulgação)
O documentário sobre a primeira Reverenda trans da América Latina foi apresentado para financiadores no Docs in Progress do Festival (Foto: 99 Produções/Divulgação)
Considerado um dos mais importantes eventos do cinema mundial, o Festival de Cannes vai muito além de uma janela para exibição de obras inéditas. O circuito também é um palco para encontro de coprodutores e distribuidores de filmes que ainda estão em processo de finalização. Esse é o caso do documentário Deus é Mulher, da pernambucana Bárbara Cunha, que apresentou seu projeto presencialmente para possíveis financiadores neste domingo (11) na seleção do Docs in Progress.

Esse programa de mostruário faz parte do Cannes Docs, vertente do festival especializada no ramo documental. Ainda que não finalizado, o projeto passou por uma curadoria para ser selecionado - o que já é muito significativo. “Os filmes que estão aqui, mesmo buscando investimento, têm esse selo de Cannes de uma curadoria de qualidade. Eles ficam expostos num palco muito especial, porque a indústria do mundo inteiro está de olho no que está acontecendo em Cannes. É uma honra e um privilégio ter o mundo olhando para o seu trabalho”, conta.

O longa acompanha alguns anos na vida de Alexya Salvador, a primeira Reverenda trans da América Latina, e sua alternância entre os papéis de mulher, mãe, pastora e professora. A produção do documentário começou em 2018, mas a diretora já acompanhava a história de Alexya desde um ano antes quando a conheceu ao filmar a série documental sobre identidade de gênero na infância, Borboletas e Sereias, da qual uma das filhas de Alexya iria participar. A pastora foi, inclusive, a primeira trans a adotar no Brasil.

A luta para democratizar o direito à fé entre comunidades excluídas foi o que mais interessou Bárbara, que teve a oportunidade de acompanhar com sua equipe o momento em que Alexya foi ordenada reverenda pela Igreja da Comunidade Metropolitana em 2020. “Alexya é uma mulher trans, negra e indígena. Ela abre um leque de possibilidades para uma população que é notoriamente excluída, não apenas desse espaço religioso. Ela mostra que esses corpos dissidentes também podem ocupar os lugares, inclusive no clero de uma Igreja”, afirma a diretora.

Enquanto gravava série, a diretora pernambucana Bárbara Cunha se envolveu na luta de Alexya pela democratização da fé (Foto: Divulgação)
Enquanto gravava série, a diretora pernambucana Bárbara Cunha se envolveu na luta de Alexya pela democratização da fé (Foto: Divulgação)

A mensagem do filme se potencializa ainda mais pelos recentes casos de transfeminicídio no estado, os quais Bárbara considera como vergonhosos. “Fiquei muito chocada com o que aconteceu recentemente. Como país que mais mata trans no mundo, estamos no topo desse ranking vergonhoso. Realizar um filme com Alexya faz com que a gente traga essa pauta para espaços como o audiovisual. Através desse espaço, conseguimos levantar debates, conversas e fazer com que olhem para essas pessoas sem preconceito. A visibilidade serve para desmarginalizar esse lugar”, explica.

O desenvolvimento do projeto, e consequente indicação para o Docs in Progress, aconteceu pelo CIRCLE Women Doc Accelerator, laboratório voltado para filmes dirigidos por mulheres. Com a produção já bem avançada e quase todo o material captado, o objetivo agora é a conclusão e montagem do documentário. O filme é uma coprodução da 99 Produções (PE), Chá Cinematográfico (SP), Lira Filmes (SP) e também conta com parceria de produtoras da Colômbia e da Estônia. No Brasil, o único investimento partiu da Sony Pictures Entertainment em um fundo de retorno das filmagens nacionais intitulado De Volta aos Sets.

“É um filme dirigido por uma mulher, sobre uma mulher trans e no momento político em que estamos vivendo. Até pela questão de tangenciar a religião, ele traz inúmeras dificuldades de alguns patrocínios públicos e privados. Poder romper a fronteira do Brasil e tornar esse projeto internacional, com possibilidade de distribuição fora do país é fundamental”, relata Bárbara, que pretende ter o filme pronto e circulando a partir do segundo semestre de 2022.
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Bolsonaro investigado: Não aceitarei intimidação
Manhã na Clube: entrevistas com prefeito João Neto (PL), dra Tamires Sales e advogado Rômulo Saraiva
Manhã na Clube: entrevistas com Chico Kiko, Diego Pascaretta e Rômulo Saraiva
Domitila, artivista e recifense que está entre as selecionadas do Miss Alemanha 2021
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco