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Dia da Toalha: O legado de Douglas Adams 20 anos após sua morte

Publicado em: 25/05/2021 09:58 | Atualizado em: 25/05/2021 09:58

O escritor inglês produziu obras para as mais diversas mídias com seu estilo de humor único (Foto: BBC/Divulgação)
O escritor inglês produziu obras para as mais diversas mídias com seu estilo de humor único (Foto: BBC/Divulgação)
Toalhas, golfinhos astronautas, um robô maníaco-depressivo e o número 42. Não entre em pânico se não entender o que essas coisas têm em comum. Todas elas são referências consagradas que surgiram da mente criativa de Douglas Adams, escritor britânico que faleceu há duas décadas. As obras de Adams, em especial a saga O Guia do Mochileiro das Galáxias, se tornaram grandes ícones da cultura pop e incentivaram a criação do Dia da Toalha, celebrado nesta terça-feira (25 de maio) junto com o Dia do Orgulho Nerd.

Após exercícios rotineiros, o escritor morreu de um ataque cardíaco em 11 de maio de 2001, com apenas 49 anos. Duas semanas depois, os fãs decidiram sair às ruas carregando toalhas, item mais importante para uma viagem espacial segundo o autor, como forma de homenagear e manter o legado de suas obras vivo. A tradição se repetiu em todos os anos das últimas duas décadas. A data também acabou coincidindo com o marco do lançamento do primeiro Star Wars, em 1977, e assim o 25 de maio foi ampliado para comemorar o Dia do Orgulho Nerd. O que começou em 2006 com uma passeata com 300 pessoas no centro de Madri, se tornou um dos dias mais importantes para os produtores e consumidores de cultura pop e geek até hoje.

Formado em literatura inglesa na Universidade de Cambridge, Douglas Adams começou a ter sucesso com a criação do programa humorístico de rádio O Guia do Mochileiro das Galáxias, transmitido pela BBC a partir de 1978. A história de ficção científica foi posteriormente transportada com alterações para a sua versão mais conhecida: uma série de cinco livros, lançados entre 1979 e 1992.

A saga se tornou um fenômeno tão grande que também ganhou adaptações em espetáculos, quadrinhos, séries de TV, jogos e filme; a maioria com participação direta do próprio escritor. Com experiência como produtor de rádio e roteirista, Douglas Adams foi uma pessoa dedicada à pluralidade das mídias. Ele foi autor de alguns episódios da série Doctor Who e também colaborou com o aclamado grupo de comédia britânico Monty Python no seu programa Flying Circus.

As marcas registradas do autor são o uso do humor nonsense e da abordagem sarcástica. Em longos excertos nem sempre relacionados às tramas principais, seus livros trazem críticas políticas e reflexões filosóficas sobre o cotidiano através da comédia absurda e da ironia. Ainda que fosse conhecido como um ambientalista e ateu engajado, o principal objetivo do autor sempre foi o de produzir comédia, mais até do que ficção científica.

A adaptação para o cinema do Guia do Mochileiro só chegou em 2005, quatro anos após a morte de Adams, mas contou com participação dele no roteiro (Foto: Touchstone Pictures/Reprodução)
A adaptação para o cinema do Guia do Mochileiro só chegou em 2005, quatro anos após a morte de Adams, mas contou com participação dele no roteiro (Foto: Touchstone Pictures/Reprodução)

As suas obras continuam a receber adaptações até hoje, como é o caso da série de fantasia Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently, produzida pela Netflix. Em 2005, O Guia do Mochileiro das Galáxias ganhou um filme que acompanha o protagonista Arthur Dent (Martin Freeman) descobrindo as dinâmicas do universo após a Terra ser destruída para a construção de uma via expressa hiperespacial.

A influência de Douglas Adams, porém, vai muito além das suas próprias obras e do mundo da arte. Um dos serviços de tradução automática mais usados do mundo, o Babel Fish, é inspirado na espécie homônima inventada pelo escritor que permite a comunicação entre as diversas línguas do espaço. Já a música Paranoid Android, sucesso da banda Radiohead, tem seu nome tirado do personagem Marvin, o andróide paranóico que acompanha a jornada dos mochileiros. Trechos de O Guia também são mencionados no livro Deus, um delírio, do biólogo Richard Dawkins, que dedica a obra ao seu amigo Adams.

O Dia da Toalha, contudo, não é a única data comemorativa motivada pelo amor a uma obra literária. Instituído oficialmente na Irlanda, o Bloomsday é uma festa que homenageia o personagem Leopold Bloom, protagonista do romance Ulisses. O livro, de 1920, é a obra mais famosa do escritor irlandês James Joyce e até hoje leva inúmeros fãs a se fantasiar e reviver os acontecimentos da trama pelas ruas de Dublin no dia 16 de junho.

Mesmo duas décadas após sua morte, Douglas Adams continua sendo lembrado como um dos autores mais influentes e referenciados da sua geração. Seu pioneirismo em levar comédia para as tramas espaciais na década de 1970 e seu fascínio por tecnologia definiram uma série de conceitos e invenções que só se tornariam realidade 40 anos mais tarde. Isso tudo sem nunca deixar o bom humor de lado. Como não poderia ser diferente, em sua lápide está cravejada mais uma de suas inúmeras frases icônicas: “Até mais, e obrigado pelos peixes!”.
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