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Crítica: Cruella prova que vilania nem sempre é preto no branco

Publicado em: 28/05/2021 10:01

Filme aposta no estilo para criar origem de vilã sem transformá-la em assassina de cachorros (Foto: Disney Pictures/Divulgação)
Filme aposta no estilo para criar origem de vilã sem transformá-la em assassina de cachorros (Foto: Disney Pictures/Divulgação)
Nos últimos anos, o cinema tem visto cada vez mais obras protagonizadas por vilões. Personagens que se consolidaram antagonizando os mocinhos agora estão tendo suas histórias contadas e pondo em xeque o próprio conceito de vilania. Esse é o caso de Cruella, novo lançamento da Disney inspirado na famosa vilã da animação 101 Dálmatas e com estreia prevista para esta sexta-feira (28) na plataforma de streaming Disney+.

O filme acompanha a prodigiosa jovem Estella (Emma Stone) buscando sucesso como designer de moda na Londres de 1970. Seu talento é reconhecido pela poderosa dona de grife Baronesa Von Hellman (Emma Thompson), mas algumas revelações do passado da jovem trazem à tona o seu lado mais perverso: a Cruella De Vil.

Consciente dessa tendência de humanização dos vilões que a própria Disney ajudou a construir, o filme chega a refletir sobre o conceito moral da maldade inata. É algo que vem de berço ou apenas uma personalidade forte incompreendida? No caso de Cruella parece ser uma mistura de ambas, tratadas quase como duas personalidades em um conflito latente. Porém, ainda que insinue os motivos que levariam ao ódio da personagem pela raça dos dálmatas, a verdade é que Cruella nunca se transforma na megera sem escrúpulos encontrada na animação de 1961, capaz de matar filhotes para produção de casacos.

Ao invés disso, a norte-americana Emma Stone tem a liberdade para construir uma personagem nova, imponente, insana e carismática, apesar da reprodução de falas e de um sotaque britânico pelo qual tem recebido algumas críticas. Contudo, para que o público possa simpatizar ainda mais com a protagonista, é preciso a inserção de uma nova vilã aos moldes clássicos, e é aí que entra a Baronesa. A rivalidade das duas pelos holofotes do mundo da moda, em meio a outro jogo de identidades secretas, é o ponto alto que movimenta a trama.

Figurinos, penteados e maquiagens se misturam em um espetáculo da estética punk e da alta costura (Foto: Disney Pictures/Divulgação)
Figurinos, penteados e maquiagens se misturam em um espetáculo da estética punk e da alta costura (Foto: Disney Pictures/Divulgação)

Em se tratando da Cruella, a disputa de extravagância nas roupas é obviamente um dos grandes destaques. Os figurinos, projetados pela ganhadora do Oscar Jenny Beavan, são intencionalmente exagerados e compõem um espetáculo visual junto com os penteados, maquiagens e a estética que mistura alta classe com o movimento punk rock londrino. O tradicional uso copioso de músicas pelo diretor Craig Gillespie (Eu, Tonya) e a montagem ágil colaboram com a dinamicidade do longa, que se torna uma sucessão de videoclipes.

Além disso, a falta de informação sobre o passado dos personagens na animação torna esse universo uma folha em branco a ser pintada. Roger e Anita (os donos dos dálmatas originais) recebem novas origens em histórias que se entrelaçam com a sua futura antagonista. Até mesmo os capangas Gaspar e Horácio passam por uma humanização completa, tornando-se o contrapeso de sanidade da colega de crimes. Com todos esses novos elementos, a trama de Cruella é muito mais rica e autossuficiente do que, por exemplo, o similar em objetivos Malévola, de 2014.

É bem possível dizer que essa é a melhor adaptação live-action recente da Disney, apesar da concorrência não ser muito alta. Cruella não é exatamente sobre aquela vilã cruel que marcou a infância de tantas pessoas, mas conquista com seus personagens carismáticos e beleza visual, além de provar que, se tratando de vilania, nem tudo é preto no branco.
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