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Bob Dylan chega aos 80 anos como uma influência incalculável sobre a música popular

Publicado em: 25/05/2021 11:12 | Atualizado em: 25/05/2021 11:20

“The song remains the same” (a canção continua a mesma), diz o título do álbum lançado em 1976 pelo Led Zeppelin. Astros de primeira grandeza do rock, os ingleses já haviam, àquela época, colocado em prática muitas ideias absorvidas ouvindo discos de Bob Dylan, que completou 80 anos ontem. Fonte de influência incalculável sobre sua própria geração de artistas e todas as que vieram depois, o norte-americano mudou para sempre a música popular ocidental, introduzindo letras com linguagem moderna e adulta para temas pessoais, sociais e políticos, e mostrando que era possível cantar bem mesmo sem ter - ou simular - um vozeirão.

Robert Plant, vocalista do Zeppelin, não está sozinho entre os irmãos e filhos artísticos de seu xará Robert Zimmerman, nome de batismo do menino que nasceu em uma família de judeus emigrados da Europa para fugir do antissemitismo. Longe disso. Por obra e graça de Bob Dylan, a canção nunca mais foi a mesma.

Em oito décadas de vida, o cantor passou por um sem-número de “encarnações”. Ex-vocalista de bandas  colegiais, foi, logo no início de sua carreira, aclamado como poeta da contracultura do começo dos anos 1960. Emendando sete álbuns de imenso sucesso em apenas quatro anos (incluindo The freewhelin’ Bob Dylan e Highway 61 revisited), apresentou ao mundo faixas definitivas como Blowin’ in the wind, The times they are a-changing e Like a rolling stone. Mas esse Bob Dylan “morreu” num acidente de moto pouco depois do lançamento de Blonde on blonde (1966), interrompendo um ritmo frenético de gravações e shows. O episódio virou alvo de teorias da conspiração, segundo as quais a batida foi inventada ou teve sua gravidade exagerada  pelo cantor, que supostamente queria “sumir” por um tempo.

O renascimento veio na forma de um artista mais interessando nas raízes do country. Dessa fase vieram novos álbuns clássicos, a exemplo de John Wesley Harding e Nashville Skyline, e mais histórias peculiares como a recusa de Dylan de tocar no Festival de Woodstock, apesar de morar bem perto do local do evento na época.

Os anos 1970 começaram com uma produção irregular, incluindo o fraco disco Self portrait, antes de o cantor engatar uma sequência  de trabalhos excelentes, como Blood on the tracks e The basement tapes. No fim daquela década, nascia mais um Bob Dylan, em versão convertida ao cristianismo e simbolizada pelo disco Saved (1980). De volta ao mundo secular, começava a aparecer o cantor que muitos, sobretudo os mais jovens, reconhecem até hoje, marcado pela voz rouca e grave. A falta de cuidados com as cordas vocais, ruína de tantos outros artistas, terminou se transformando em mais uma gênese. Foi ela que deu o tom do Bob Dylan maduro, ainda capaz de produzir espetaculares álbuns como Love and theft (2001) e que continua em plena produção, como se pôde ouvir em Rough and rowdy ways (2020).

Não bastasse tudo o que já conquistara, os anos mais recentes reservaram a Dylan um prêmio Pulitzer, principal do jornalismo dos EUA, em 2008, além do Nobel de literatura em 2016, ambos como reconhecimento por sua contribuição à cultura - o artista já havia ganhado um Oscar de melhor canção em 2001.

Com cinco passagens pelo Brasil, entre 1990 e 2012, é lembrado por fãs daqui pelos shows e por esquisitices como andar de casaco pesado e gorro sob o sol do Rio, hábito adquirido em seu gelado estado natal do Minnesota. Oitenta anos de aventuras depois, é difícil arriscar quantas encarnações a vida ainda reserva ao gênio, que pegou seu sobrenome artístico emprestado do poeta galês Dylan Thomas. A única certeza é de que o mundo seguirá sempre atento ao que Bob Dylan tem a dizer.
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