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ARTES PLÁSTICAS

Artista pernambucano produz aquarelas carnavalescas e beneficia agremiações

Publicado em: 24/05/2021 13:36

Com a não-realização da festividade, Aluizio Camara resolveu transformar a saudade em telas coloridas  (Foto: Divulgação)
Com a não-realização da festividade, Aluizio Camara resolveu transformar a saudade em telas coloridas (Foto: Divulgação)


“Quem disse que não vai ter carnaval?”. O questionamento acompanhou o artista plástico pernambucano Aluizio Camara, que transformou a frustração pelo cancelamento da festividade em combustível para a sua produção artística, visando o auxílio aos profissionais da cadeia produtiva que sofreram os impactos da não-realização do festejo. Ele se debruçou em um processo serigráfico e produziu uma série de aquarelas originais sob a temática carnavalesca, que foram impressas sobre papel canson 200 gr (29,7 cm x 42 cm).

Cada obra custa R$ 300 e está à venda no site www.aluiziocamara.com. O álbum completo custa R$ 2 mil e vem junto com uma caixa em MDF com a impressão de uma das aquarelas na sua tampa, produzidas pela Casa Criatura, espaço cultural em Olinda. Um terço da arrecadação será destinado a sete agremiações carnavalescas de Olinda e Recife.

O projeto nasceu do desejo do artista de brincar o carnaval diante do cenário de restrições. “Queria viver a catarse que o carnaval representa, depois de um ano de pandemia e muito luto. Senti uma saudade imensa do carnaval que não haveria e resolvi escutar frevo e viver um carnaval diferente, isolado no atelier”, conta o artista plástico, adiantando que, diante da procura, já está planejando uma segunda edição de impressão da série.

A preocupação com a sobrevivência de orquestras de frevo em um ano sem desfiles de blocos o guiou a colocar a campanha nas ruas. “Em um primeiro momento, eu pensei mais especificamente nas orquestras de frevo. Faço parte de um movimento denominado A Cultura Precisa Sobreviver e estou vendo de perto toda a cadeia produtiva passando por uma imensa dificuldade. As orquestras tiram boa parte de seu sustento anual no carnaval e imaginei quão difícil estaria a situação. Também temos algumas agremiações que viviam de aluguel do espaço para festas, por exemplo, que não estão conseguindo manter as suas sedes”, destaca Aluizio.

Escuta Levino, Eu acho é Pouco, Pitombeira dos Quatro Cantos, Elefante de Olinda, TCM Tá Maluco, Cariri Olindense, Amantes de Glória e os Guerreiros do Passo são as parceiras do projeto, que serão contempladas com a arrecadação. A última enfrenta uma batalha ainda maior para construir o Quintal do Frevo, que será espaço para formação e transmissão da cultura popular. Os blocos foram escolhidos a partir da relação afetiva desenvolvida pelo artista ao longo de seus carnavais.

A troça Eu Acho é Pouco é uma das homenageadas pelo artista plástico (Foto: Divulgação)
A troça Eu Acho é Pouco é uma das homenageadas pelo artista plástico (Foto: Divulgação)


“Procurei reviver o roteiro de meus carnavais e os blocos que mais me atraíram. A rivalidade da Pitombeira e do Elefante, por exemplo, e o quanto os dois são imprescindíveis para se falar em carnaval. O Cariri Olindense e toda mística de ser o mais antigo e de fazer a abertura do Tríduo Momesco, quando o carnaval durava apenas três dias. O Eu Acho é Pouco e seu engajamento político, de resistência à ditadura e de posicionamentos atuais, sempre foi o mais querido.”

O Tá Maluco foi lembrado pelo encontro de amigos, o Guerreiros do Passo pelo resgate de tradições do frevo e os blocos Os Amantes de Glória e Escuta Levino foram os responsáveis por revelar o prazer de brincar a festividade no Recife. “Foi o afeto e a saudade que me fizeram frevar e pintar essas obras durante o carnaval. Além das orquestras maravilhosas que esses blocos nos apresentam, com Maestro Lessa, Oseas e Risonaldo, por exemplo, seus metais resvalando pelas ruas repletas. Não há maior espetáculo sonoro”, completa.

Carnavalesco de berço, Aluizio revisitou suas memórias nas ladeiras do Sítio Histórico e ruas do velho Recife para embarcar na produção artística da série de gravuras. “Quem é de fato pernambucano sempre espera esse momento para cair no frevo e viver o carnaval. Nasci numa maternidade recifense, mas morei em Olinda toda a minha juventude e sempre curti o carnaval, desde que via menino o desfile das agremiações na praça 12 de Março, desde que seguia as troças com meu pai e minha mãe. Cresci pelas ladeiras, ainda que morasse em Casa Caiada, mas a velha Marim dos Caetés e Tabajaras sempre foi minha paixão. E o carnaval era a apoteose desse amor! O carnaval do Recife veio para mim tardiamente, mas chegou com força total”, relembra.

Com o cancelamento do carnaval de 2021 e sem perspectiva de realização do evento em 2022, Aluizio reflete o impacto na produção cultural do estado nos próximos anos. “Somos a primeira geração que viveu a supressão total do carnaval. Não sabemos o quanto isso significa em termos de impacto na produção, mas é inegável que tem muito músico vendendo seus instrumentos para pagar as contas e botar comida na mesa. Carnaval é uma festa popular e a cultura popular está mais ameaçada do que nunca, correndo risco de extinção em muitos aspectos”, destaca o artista. Ele frisa, entretanto, que fazer cultura ainda é o caminho para atravessar a crise.
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