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CINEMA

Livro resgata memórias de Geneton Moraes Neto sobre Ciclo Super-8 em Pernambuco

Publicado em: 16/04/2021 10:52

Geneton Moraes Neto foi um dos importantes nomes do Ciclo Super-8 em Pernambuco, que marcou os anos 70 (Foto: Cinemateca Pernambucana/ Divulgação)
Geneton Moraes Neto foi um dos importantes nomes do Ciclo Super-8 em Pernambuco, que marcou os anos 70 (Foto: Cinemateca Pernambucana/ Divulgação)

Apesar de atualmente a produção audiovisual estar concentrada na região sudeste, o que muitas pessoas não sabem é que Pernambuco já foi centro de importantes movimentos cinematográficos do Brasil. Marcada pelo trabalho colaborativo de cineastas autodidatas, a década de 70 presenciou diversos trabalhos independentes que expandiram os limites do experimentalismo técnico e narrativo, no que ficou conhecido como o Ciclo Super-8 Pernambucano.

O Super-8 é um formato de filme (bitola cinematográfica) desenvolvido na década de 60 inicialmente para uso amador. Contudo, o baixo custo do material em relação aos filmes profissionais (de 16mm e 35mm) e sua melhor qualidade em comparação ao 8mm tradicional fizeram com que este se tornasse nos anos 70 e 80 o formato preferido para produção de filmes independentes, por estudantes ou cineastas iniciantes.

Foi nesse momento que, em 1973, se iniciou o Ciclo Super-8 em Pernambuco, no qual foram produzidas mais de 200 obras, destacando o estado como o mais produtivo do país nesse formato. Alguns dos nomes relevantes da época foram Amin Stepple, Fernando Spencer, Jomard Muniz de Britto e Geneton Moraes Neto; este último não apenas como cineasta, mas também como jornalista e grande pesquisador do ciclo.

Geneton, que começou sua carreira no Diario de Pernambuco, faleceu em 2016, mas deixou uma extensa lista de livros, estudos e produções. Com intuito de reunir parte dos escritos sobre o ciclo superoitista, a Cinemateca Pernambucana e a Revista Spia - UFPE lançam em parceria o e-book Expedições à Noite Morena: em defesa de um cinema vadio [Fazer Super-8 no Brasil dos anos 1970], nesta sexta-feira (16). O livro foi organizado pelo pesquisador Paulo Cunha, que resgatou reportagens publicadas e textos de cadernos pessoais do cineasta, escritos entre 1977 e 1982.

 

O pesquisador Paulo Cunha encontrou o material enquanto desenvolvia a biografia do cineasta e decidiu lançar o compilado à parte (Foto: Divulgação)
O pesquisador Paulo Cunha encontrou o material enquanto desenvolvia a biografia do cineasta e decidiu lançar o compilado à parte (Foto: Divulgação)

 

“Quando eu bati os olhos no material, achei muito interessante perceber a maneira como ele via o cinema experimental em Super-8. A Cinemateca Pernambucana já tinha feito toda a digitalização desses filmes de Geneton, então consideramos como um material complementar”, diz Paulo em entrevista ao Viver. “A partir do lançamento do e-book, as pessoas vão ter condições de ver os filmes e também entender um pouco do que se passava na cabeça dele enquanto criador”.

A digitalização da obra de Geneton, composta de 17 curtas-metragens disponíveis no catálogo da Cinemateca, permite o acesso do público geral a um material que, na época, tinha sua circulação restrita a festivais, pequenos cineclubes e exibições caseiras.

O pesquisador ainda destaca o legado do cineasta por ter criado obras que “abrem um caminho muito exploratório e arrojado para um documentário de vanguarda, que Gereton viria a fazer mais tarde antes de falecer”. Da mesma forma, é essencial o resgate da história desse ciclo como forma de libertar os realizadores atuais de “ficar exclusivamente na dependência de obter grandes recursos para produzir audiovisual. O que o Super-8 demonstrou é que a qualidade dos filmes não está relacionada com isso”, afirma.

No início dos anos 90, o surgimento de novas tecnologias cinematográficas quase levou à extinção do Super-8. Houve o encerramento da produção de câmeras que suportam o cartucho, igualmente escasso de se encontrar em formato virgem. Hoje, o Super-8 adquiriu para alguns o status de “cult” e é utilizado em trechos de filmes e videoclipes que buscam resgatar a estética do período analógico. Contudo, para além desse fascínio, Paulo acredita que “o principal não é o culto ao Super-8 como uma coisa excepcional, o importante é ver aquilo que os filmes propunham do ponto de vista da linguagem. O material de Geneton continua vivo e atual, e aquilo que esses filmes dizem é completamente contemporâneo”.

O lançamento virtual acontece a partir das 18h com uma live nos perfis da @cinematecapernambucana e da @spiarevista, nos quais Paulo Cunha irá conversar com a também pesquisadora e professora Amanda Mansur sobre o livro e o cinema pernambucano.

Já o e-book fica disponível gratuitamente para leitura no Portal da Cinemateca Pernambucana e na Plataforma Issuhub ou para download gratuito pela Amazon.

 

Serviço:

Lançamento do e-book Expedições à Noite Morena, compilado de textos de Geneton Moraes Neto pelo pesquisador Paulo Cunha 

Quando: Sexta-feira (16 de abril), às 18h

Em live na @cinematecapernambucana e na @spiarevista

Livro gratuito para download na Amazon, ou leitura no Portal da Cinemateca Pernambucana e na Plataforma Issuhub

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