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MÚSICA

Voz, baixo e uma mente inquieta na pandemia: o novo álbum de Juliano Holanda

Publicado em: 22/02/2021 14:02 | Atualizado em: 22/02/2021 16:53

Juliano Holanda em ensaio para Onde As Casas Andam Em Silêncio (Foto: Mery Lemos/Divulgação)
Juliano Holanda em ensaio para Onde As Casas Andam Em Silêncio (Foto: Mery Lemos/Divulgação)

O músico, produtor e cantor pernambucano Juliano Holanda, principal mentor do coletivo Reverbo, que reúne diversos nomes da música autoral recente do estado, estava com um planejamento de lançamentos para o período pós-carnaval de 2020. O álbum Sobre a futilidade das coisas, que chegou a ter um single lançado (Eu, cata-vento), voltou para a gaveta com o início do distanciamento social. O fruto desse período sombrio e sinuoso, mas inventivo, acabou sendo registrado em Por onde as casas andam em silêncio, lançado na última sexta-feira. É um projeto intimista, gravado com voz e contrabaixo - instrumento importante na carreira do músico.

Em oito faixas, a voz crua do artista surge em meio ao som grave do contrabaixo, com versos que refletem sobre tempos de incertezas, angústias e outras sensações que afloraram a pele dos brasileiros em um momento histórico. Gravado em um estúdio caseiro, cerca de cinco pessoas atuaram na produção, cada uma em sua "ilha particular". A direção musical é do próprio Juliano, com sua companheira, a produtora Mery Lemos. Quem divide a mixagem com Holanda é André Oliveira, que também fez a finalização e masterização no Estúdio Muzak. Com incentivo da Lei Aldir Blanc, o álbum é uma realização da Anilina Produções e chegou a todas as plataformas digitais pelo selo Dubas.

"Não foi algo estratégico ou planejado. Foi algo emocional", resume o artista. "Quando a quarentena começou, resolvi encampar as ideias. Daí, eu resolvi esperar um pouco. Nesse meio do caminho, acabei compondo muita coisa, até fiz disso um dispositivo de vivência. Comecei a compor mais, a tocar mais, a ler muito. Isso foi entrando nesse baú de informações. Eu já compus bastante, mas nunca tanto quanto nessa pandemia. Quando bateu 200, eu parei de contar."

 (Foto: Mery Lemos/Divulgação)
Foto: Mery Lemos/Divulgação

A proposta do "voz e contrabaixo" foi uma ideia de Mary Lemos. Além do ar intimista e caseiro da combinação, o baixo tem um significado afetivo para o músico, como uma volta nostálgica a tempos mais simples. "Eu toquei baixo por mais de dez anos. Depois voltei para a guitarra e raramente me viam tocando baixo em público. Essa imagem sumiu. Apenas com a volta do Ave Sangria que voltei a tocar esse instrumento", diz.

O disco acabou ganhando um ar de poesia por conta dessa instrumentação. Apenas duas canções do repertório já estavam prontas antes da pandemia. "Acabei escolhendo músicas com letras mais longas. Eu tinha coisas para dizer. Tem muita influência dessa situação política que estamos vivendo. É como se fosse uma polaróide, um registro de um período da vida muito específico", diz Juliano. "Também tem algo de resignação, de que precisamos produzir e fazer algo. Assim, acaba passando pelo entendimento da superação também.”

Súmula, que abre o disco, revela diferenças entre o eu-lírico e o outro. Haja terapia aborda diretamente o cotidiano da quarentena em tom confessional e existencialista. "Não sei em que altura da estrada a gente perdeu a poesia", canta.

Juliano, que é um produtor bastante ativo na cena musical de Pernambuco, não trabalhou apenas para o álbum em questão durante a pandemia. "Fiz algumas coisas para o Otto. Estou produzindo o disco de uma cantora da Bahia chamada Joanah Terra. Também produzi e compus um disco com a Zélia Duncan, durante a pandemia, dividimos a produção com Webster Santos." O lançamento do álbum temporariamente engavetado, Sobre a futilidade das coisas, dependerá do que todos aguardam ansiosamente: o arrefecimento da pandemia com a vacina.

Confira a capa de Por Onde as Casas Andam em Silêncio:

 Por Onde as Casas Andam em Silêncio (Foto: Divulgação)
Por Onde as Casas Andam em Silêncio (Foto: Divulgação)

Ouça o álbum:

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