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Guitinho da Xambá foi um líder de resistência cultural

Publicado em: 18/02/2021 13:13 | Atualizado em: 18/02/2021 13:17

Grupo Bongar no evento Bora Pernambucar, do carnaval de 2020 (Foto: Jan Ribeiro/Secult PE - Fundarpe)
Grupo Bongar no evento Bora Pernambucar, do carnaval de 2020 (Foto: Jan Ribeiro/Secult PE - Fundarpe)

Pernambuco perdeu, durante uma quarta-feira de cinzas atípica e de forma muito precoce, um ícone da resistência cultural e religiosa. Cleyton José da Silva, o Guitinho da Xambá, responsável pelo Centro Cultural Grupo Bongar, um coletivo de grande expressão popular, musical e para as religiões de matriz africana, faleceu durante a tarde, aos 38 anos. Ele estava internado na UTI do Hospital Esperança, em Olinda, desde o dia 1º de fevereiro, para tratamento da Síndrome de Cushing, uma doença rara - recém-descoberta por ele - que causa alteração hormonal e aumento da glicose e da pressão arterial. Na última quinta, sofreu um AVC e passou por uma cirurgia de emergência. O quadro de saúde se agravou e o óbito foi confirmado.

Fundado em 2001, o Grupo Bongar vai além da música e atua como instrumento social, combatendo o racismo institucional e formando jovens na sede situada no terreiro de Xambá, dentro do Quilombo do Portão do Gelo, em Olinda. "Com o Bongar, a gente fez da nossa música, o coco, um instrumento de transformação social. Uma arte promovida por núcleos negros e familiares", afirmou Guitinho, em entrevista ao Diario em julho passado, na ocasião de celebração dos 90 anos do terreiro. Xambá é um dos mais importantes núcleos de preservação das expressões culturais de origem africana no Brasil, amplamente conhecido pelo forte trabalho cultural, principalmente com sua música ancestral para os orixás, mestres do culto da jurema e coco de roda.

O Centro Cultural Grupo Bongar foi inaugurado em 2016. Lá são realizadas oficinas de percussão e dança popular, formações de audiovisual, aulas de capoeira, confecção de instrumentos, aulas-espetáculos, culinária de terreiro e palestras. O tradicional coco de roda da Xambá, promovido anualmente no local, que consta no calendário festivo de Olinda e atrai frequentadores de vários estados e até países, não aconteceu em 2020 pela primeira vez em 55 anos, em virtude da pandemia.

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