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1955: A primeira entrevista de Genival Lacerda ao Diario de Pernambuco

Publicado em: 07/01/2021 17:44 | Atualizado em: 07/01/2021 19:13

 (Foto: Arquivo DP)
Foto: Arquivo DP


Falecido nesta quinta-feira (7), vítima da Covid-19, Genival Lacerda deu sua primeira entrevista ao Diario de Pernambuco em 3 de julho de 1955, quando havia acabado de entrar para o casting oficial da Rádio Tamandaré, uma emissora de entretenimento que integrava o grupo Diários Associados. Ele foi o primeiro personagem de uma série com os "artistas preferidos do público nordestino". "Comecei calouro e minha mãe foi o meu maior estímulo" era a frase de destaque da página. "Mamãe e, eu digo isso comovido, chorou várias vezes no auditório ouvindo os aplausos que me dirigiam”, disse Genival, aos 24 anos.

"Focalizaremos hoje, um cantor que venceu pela perfeita interpretação e pelo colorido regional que sabe emprestar aos inúmeros de seus repertórios. Trata-se de Genival Lacerda, Dono do Rojão”, dizia o Diario, apresentando a biografia do artista. Na era de ouro do rádio brasileiro, as emissoras mantinham castings que mudavam de quadro com regularidade. Genival chegou na Rádio Tamandaré apenas para uma apresentação de evento do aniversário da empresa.

"Naturalmente, a capacidade artística de quem é chamado, com todo merecimento, de 'O Dono do Rojão', falou alto ao interesse dos diretores das emissoras pernambucanas. E assim o Recife e a Rádio Tamandaré, a mais popular, ganharam um grande cantor", continua o texto de apresentação. "Agora, é natural que os ouvintes queriam tomar conhecimento de alguns dados sobre a vida particular do artista."

Durante a entrevista, Genival falou o seu nome completo (Genival Lacerda Cavalcante), sua data de nascimento (5 de abril de 1931), seus times (Sport, no Recife, e Flamengo, no Rio) e até mesmo as suas medidas na época: "Altura 1 metro e 62, peso 61 quilos. Magrinho, como você está vendo". "Nem tanto, Genival. Mas continuando, uma pergunta muito importante… você é casado?”, perguntou o repórter. "Casadinho da silva. O nome dela é Hosana."

O artista também falou sobre as suas origens. "E sobre os seus pais, você não quer falar sobre eles?", perguntou o Diario. "Quero. Foram eles, minha mãe, principalmente, os grandes incentivadores da minha carreira. […] Mamãe e, eu digo isso comovido, chorou várias vezes no auditório ouvindo os aplausos que me dirigiam."

"O que você faz quando está de folga?”, perguntou o jornalista. "Eu? Aprendo a cantar rojões. Faço o que posso para agradar os meus ouvintes". "Qual a sua maior decepção até o momento?", indagou o jornal. "Até aqui não tive nenhuma", rebateu Lacerda. "Se você tivesse a possibilidade de se tornar invisível, onde iria?". A resposta: "Andar pelo mundo". Assim terminou o bate-papo. De 1955 até 2021, Genival Lacerda não precisou ficar invisível para andar pelo mundo e deixar um legado que o torna imortal para a música brasileira.

Confira o recorte da entrevista:

 (Foto: Arquivo DP)
Foto: Arquivo DP
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