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MÚSICA

Luedji Luna apresenta o continente africano atualizado e moderno em novo disco

Por: Uai

Publicado em: 16/10/2020 08:45 | Atualizado em: 16/10/2020 10:14

'Bom mesmo é estar debaixo d'água' tem influência de jazz e ritmos africanos e foi produzido produziu enquanto a artista estava grávida (Foto: Reprodução/Instagram)
'Bom mesmo é estar debaixo d'água' tem influência de jazz e ritmos africanos e foi produzido produziu enquanto a artista estava grávida (Foto: Reprodução/Instagram)

Assim como fez com seu trabalho de estreia, Um corpo no mundo (2017), Luedji Luna lançou de mansinho seu segundo álbum de estúdio, Bom mesmo é estar debaixo d'água, nesta semana. Anunciado em setembro com o lançamento da música-título, o trabalho foi construído durante a primeira gestação da cantora e compositora baiana, com a ajuda de escritoras e poetas de diferentes gerações. Chegou às plataformas digitais na última quarta-feira (14).

'Me sinto duplamente mãe. Este trabalho é como se fosse o meu segundo filho. Todo o processo de concepção, pré-produção e gravação aconteceu durante a gestação, então ele é atravessado por esse grande portal que é a maternidade'', afirma ela. Composto por 12 faixas, o álbum conta com um trecho de um poema da escritora mineira Conceição Evaristo em Ain't got you, uma das duas músicas em que Luedji é somente intérprete – a outra é Origam.

Com Cidinha da Silva, outra escritora mineira, a artista escreveu Lençóis, música gravada com a participação da poeta brasiliense Tatiana Nascimento. Recado marca a parceria de Luedji com a poeta baiana Dejanira Rainha Santos Melo. Já a música Erro traz o segundo encontro da artista com a cantora e compositora brasiliense Marissol Mwaba, que assina a faixa Notícias de Salvador no álbum anterior de Luedji.

Confira o álbum visual:


PARCERIA
''Esse é um disco com canções em parceria, majoritariamente. Acho que compor com outras pessoas me levou para outros caminhos melódicos, e isso traz ao disco uma sonoridade distinta'', comenta ela. Musicalmente, o disco mistura jazz e ritmos africanos. As canções nasceram entre a África – mais precisamente no Quênia – e o Brasil, com produção musical assinada pelo guitarrista queniano Kato Change e a própria Luedji Luna. ''Quênia foi o primeiro país em que fui no continente africano. Fiz relações estreitas com as pessoas e a cultura de lá'', conta a cantora.

Segundo ela, enquanto seu primeiro disco significou uma busca por uma África ancestral, no segundo, o continente é abordado de forma atualizada e moderna. ''Gosto de dizer que o Quênia é a minha Wakanda. Venho escutando muitos artistas novos da Nigéria, de Cabo Verde, de Gana. Sinto que a sonoridade do disco muda, e foi uma busca proposital, mas ainda tem muita coerência com o que foi produzido no disco anterior, a mesma identidade'', avalia.

As letras presentes no disco refletem sobre a afetividade de mulheres negras e os impactos das condições sociais em suas existências. ''Como essas opressões atravessam a subjetividade das mulheres pretas? Como a sociedade enxerga as mulheres pretas no campo da afetividade? Como as mulheres pretas expressam essa afetividade?'', questiona a cantora. Além de disco, Bom mesmo é estar debaixo d'água se desdobra num produto audiovisual disponível no YouTube, com direção de Joyce Prado, cofundadora da Associação do Produtores do Audiovisual Negro (Apan). Ela é a diretora do clipe de Banho de folhas, música que impulsionou o primeiro álbum de Luedji Luna.

''Eu ainda sou daquelas pessoas que gostam de ouvir discos inteiros, assistir a clipes. E também gosto de fazer arte. Entendo que existe a parte do mercado, do game, mas, para mim, é importante fazer um vídeo para criar a imagem dessas canções. Escrevi o roteiro na viagem de oito horas até o Quênia, e a gravação foi feita em Salvador, em pleno carnaval. Eu já estava gestante, foi cansativo, mas o resultado é muito gratificante'', afirma ela.

Isolada em casa, em São Paulo, Luedji Luna lamenta não poder estar na estrada divulgando o disco. Para ela, lançar esse trabalho num momento como este é uma resposta ao que o mundo inteiro está passando. “Sinto esse disco como um filho e meu filho me traz vida a despeito de mortes, de doença, do fim do mundo. Ele vem para mostrar que não é o fim. Ainda há muito por viver.”
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