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LITERATURA

Poeta Cida Pedrosa lança livro inspirado na sua relação com o Recife pandêmico

Publicado em: 03/09/2020 14:32 | Atualizado em: 03/09/2020 16:28

O livro foi construído partir de experiências e contemplações de uma cidade repleta de beleza e dureza (Foto: Cida Pedrosa/Divulgação)
O livro foi construído partir de experiências e contemplações de uma cidade repleta de beleza e dureza (Foto: Cida Pedrosa/Divulgação)


Quarentesia, um trocadilho com quarentena e poesia, inspirou a poeta pernambucana Cida Pedrosa a imergir na escrita no período de distanciamento social. Do termo criado, surgiu o livro Estesia, o 10º da carreira, que será lançado hoje, exclusivamente na Amazon em formato e-book, pelo selo Claranan. A partir das 19h, Cida convida as poetas Mariane Bigio, Silvana Menezes e Susana Morais em evento virtual para recitar alguns poemas. Também participam a arquiteta Amélia Reynaldo, a mestra em educação Clécia Pereira e os escritores Lourival Holanda e Sidney Rocha. A renda com a venda da obra será destinada para a campanha "Distribua amor, doe alimentos", da União Brasileira de Mulheres. Clique no link para acessar o evento.

A publicação é composta por 40 haikais e 40 imagens feitas pela própria autora durante passeios com o cachorro nos arredores da residência, no bairro das Graças, Zona Norte do Recife, na quarentena. Os registros evidenciam ruas vazias, que saíram da agitação para o silêncio, com poucos carros, lojas fechadas, motociclistas de aplicativos de entrega e moradores de rua.

 (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação
As fotografias também se estendem aos cômodos de sua casa, a varanda, as plantas florindo e o sol entrando pela janela. Além de objetos inanimados, como um copo estilhaçado, flores despedaçadas - que a poeta associou às cinzas da morte - e um bule de café adaptado para outras funções, como a humanidade que está precisando se adequar à nova realidade.

“Haikai é uma poesia a partir da contemplação da natureza. Nas minhas caminhadas pelas ruas vazias, eu observava coisas lindas e também coisas muito duras. Naquela mistura de sentimentos, quis registrá-las. A ideia do livro já veio com as fotos. Comecei fazendo alguns haikais e publicando no Facebook”, explica Cida. O haikai chegou ao Brasil nos anos 1940 e tomou força em 1960. A forma poética era bem explorada nas obras da escritora paraense Olga Savary, que morreu em maio deste ano vítima da Covid-19. É a ela que Cida dedica o livro.

O processo fotográfico de olhar o mundo provocou Pedrosa a usar o seu fazer literário como ferramenta para se conectar consigo mesma, como um mergulho dentro de si. “O livro foi uma experiência forte para mim do ponto de vista pessoal, é um livro biográfico, de experiência de tempo vivido. Escrevê-lo me devolveu a sanidade, foi uma salvação. Foi o caminho que encontrei para abstrair todo o peso da pandemia e me tranquilizar, talvez por isso eu tenha tido menos ‘piração’ nesse período. Foi uma forma de manter a perspectiva de ver o belo nas coisas e denunciar o que é ruim. De ter medo, mas também ter sonho”, desabafa Cida.

 (Foto: Riq de Eça/Divulgação)
Foto: Riq de Eça/Divulgação


Produzido de forma rígida, com cinco ou sete sílabas poéticas, o livro foi um projeto inovador para a pernambucana, que até então não havia experimentado o estilo haikai, poema curto de origem japonesa que acompanha humor. “Eu sou uma leitora de haikai há muito tempo, já tinha produzido alguns, mas agora resolvi construir os versos na métrica correta. Eu domino verso livre e metrificado, no ponto de vista da forma, e sou inquieta, não consigo ficar fazendo o mesmo tipo de poema a vida inteira”, afirma, lembrando os seus livros Claranã (Confraria do Vento, 2015) e Solo para vialejo (Cepe, 2019), que também experimentam novas linguagens poéticas.

Inspirada nesse primeiro livro de haikais, a poeta adianta que já está com novos planos. “Estou fotografando gatos, vou fazer um livro só sobre eles. Vejo que tem muitos nas ruas onde passo, eles estão sempre observando tudo e aparecem de onde a gente menos espera. Como o haikai é poesia da observação, acho que cai perfeitamente bem.”  
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