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CINEMA

Filme pernambucano King Kong en Asunción é o grande vencedor do Festival de Gramado

Publicado em: 28/09/2020 09:26 | Atualizado em: 28/09/2020 16:23

Andrade Júnior (centro), o protagonista, e Camilo Cavalcante (direita), o diretor (Foto: Aurora Cinema/Divulgação)
Andrade Júnior (centro), o protagonista, e Camilo Cavalcante (direita), o diretor (Foto: Aurora Cinema/Divulgação)


O longa-metragem pernambucano King Kong en Asunción, de Camilo Cavalvante, foi o grande vencedor do 48º Festival de Cinema de Gramado, a premiação de cinematográfica mais importante do Brasil. A obra conquistou quatro Kikitos, entre eles o de Melhor Filme, a principal categoria da premiação. A edição ocorreu de forma híbrida, com exibições pela internet e pelo Canal Brasil, emissora que acompanhou a divulgação da lista de premiados em uma cerimonia sem público no Palácio dos Festivais, no Centro de Gramado, no último sábado (26).

Além de Melhor Filme, King Kong en Asunción levou o Kikito de Melhor Trilha Musical, prêmio para Shaman Herrera, que divide a estatueta com Salloma Salomão, de Todos os Mortos. O ator Andrade Júnior, que não viu a obra ser concluída por ter falecido em maio de 2019, foi reconhecido como Melhor Ator pela brilhante atuação como protagonista. Ele interpretou um matador de aluguel que, depois de cometer o último assassinato na região desértica de Salar de Uyuni, resolver se esconder no interior da Bolívia e em seguida decide ir atrás da filha que nunca conheceu. A produção  teve filmagens na Zona da Mata de Pernambuco e no interior da Bolívia e do Paraguai, seguindo uma narrativa de filme de estrada - ou "road movie".

King Kong en Asunción é o segundo longa-metragem de Camilo Cavalcante, que estreou nesse formato com A história da eternidade (2014), ambientando em um pequeno vilarejo no Sertão. O novo filme começou a ser rodado em 2017. "Estou muito muito surpreso. Eu acho que cinema e arte não são corrida de cavalo, que tem o melhor ou o pior. Todos os filmes que foram apresentados tem o seu valor", disse Camilo, emocionado, na noite do sábado (26). "Sem a arte a gente não tem sobrevive ao peso da vida. Seguimos com a vontade de construir um país e uma América Latina mais igual, mais justa e mais afetuosa… A gente está vivendo um momento surreal, de violência e de falta de tolerância do ser humano."

"O prêmio de Melhor Filme pelo júri popular nos surpreendeu muito, pois o filme tem uma narrativa muito experimental. Não tem uma lógica narrativa customizada. Ele se utiliza de signos e metáforas visuais, com uma narração em guarany", disse Camilo, em entrevista ao Diario. "King Kong en Asunción tem uma proposta de desafio ao espectador, então ficamos muito, muito feliz. O prêmio do júrio também veio como uma coroação."

Ainda de acordo com o diretor, a experiência do festival descentralizado, com exibição na internet e na TV, alterou a percepção da recepção do filme. "Em um festival comum, você sente o feedback já na sessão. Agora não, sentimos um retorno mais lento e foi muito interessante. As interpretações, como as pessoas se sentiram tocadas. O filme tocou em algum lugar." King Kong en Asunción será exibido novamente no Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF) de 2020, também online. A expectativa é que a chegada no circuito comercial ocorra no ano que vem.

Curtas
Cena de Inabitável, de Matheus Farias e Enock Carvalho (Foto: Gatopardo Filmes/Divulgação)
Cena de Inabitável, de Matheus Farias e Enock Carvalho (Foto: Gatopardo Filmes/Divulgação)


Pernambuco também se destacou nas categorias de Curta-metragem com Inabitável, de Matheus Farias e Enock Carvalho, que venceu nas categorias Prêmio do Júri da Crítica, Melhor Roteiro, Prêmio Canal Brasil de Curtas-Metragens e Melhor Atriz para a protagonista Luciana Souza. A experiente atriz vive Marilene, moradora da periferia do Recife que procura a filha, uma mulher trans, que está desaparecida. Recentemente ela viveu Isa no premiado Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, e ficou conhecida por ter interpretado a evangélica Joana em Ó pai, ó, Monique Gardenberg. Agora, o curta viaja para a Coréia do Sul, para participar da competição oficial do Asiana Short Film Festival, em outubro.

"Os quatro prêmios que Inabitável ganhou em Gramado são de muita importância, ainda mais nesse momento que estamos vendo a cultura brasileira sofrer tantos ataques. É o reconhecimento do trabalho de pessoas que vivem e respiram arte no nosso país. Os prêmios também reconhecem Luciana como a grande atriz que ela é. Sem falar que, estar em Gramado ampliou o debate em torno do filme, o que é muito positivo", diz Enock Carvalho. "Me parece que o filme chegou com muita força e intensidade no público e na crítica e isso tem se refletido ao longo dos dias pós-exibição. Os prêmios são o resultado do bom trabalho de toda a nossa equipe e eles vieram num excelente momento pois despertam ainda mais interesse do público e motiva que mais pessoas procurem o filme nos próximos festivais que o filme irá participar muito em breve", completa Matheus.

Confira a lista dos vencedores:

Longa-metragem Brasileiro – LMB
Melhor Filme – King Kong en Asunción
Melhor Direção – Ruy Guerra, por Aos Pedaços
Melhor Ator – Andrade Júnior, por King Kong en Asunción 
Melhor Atriz – Isabél Zuaa, por Um Animal Amarelo 
Melhor Roteiro –  Felipe Bragança, por Um Animal Amarelo 
Melhor Fotografia – Pablo Baião, por Aos Pedaços
Melhor Montagem – Eduardo Gripa, por Me Chama Que Eu Vou 
Melhor Trilha Musical – Salloma Salomão, por Todos os Mortos e 
Shaman Herrera, por King Kong en Asunción
Melhor Direção de Arte – Dina Salem Levy, por Um Animal Amarelo 
Melhor Atriz Coadjuvante – Alaíde Costa, por Todos os Mortos 
Melhor Ator Coadjuvante – Thomás Aquino, por Todos os Mortos 
Melhor Desenho de Som – Bernardo Uzeda, por Aos Pedaços
Prêmio Especial do Júri: Elisa Lucinda, por Por que você não chora?
Menção Honrosa do Júri: Higor Campagnaro, por Um Animal Amarelo

Longa-metragem Estrangeiro – LME
Melhor Filme – La Frontera
Melhor Direção – Mariana Viñoles, por El gran viage al país pequeño
Melhor Ator – Anibal Ortiz, por Matar a un Muerto
Melhor Atriz – Daylin Vega Moreno (Diana), Sheila Monterola (Chalis), por La Frontera
Melhor Roteiro – David David, por La Frontera
Melhor Fotografia – Nicolas Trovato, por El Silencio del Cazador
Prêmio Especial do Júri: El Gran Viaje al País Pequeño
Longa-metragem Gaúcho – LMG
Melhor Filme – Portuñol, de Thaís Fernandes

Curta-metragem Brasileiro – CMB
Melhor Filme – O Barco e o Rio
Melhor Direção – Bernardo Ale Abinader, por  O Barco e o Rio
Melhor Ator – Daniel Veiga, por Você tem olhos tristes
Melhor Atriz – Luciana Souza, Inabitável 
Melhor Roteiro – Inabitável,  Matheus Farias e Enock Carvalho
Melhor Fotografia – O Barco e o Rio, para Valentina Ricardo
Melhor Montagem – Você tem olhos tristes, para Ana Júlia Travia
Melhor Trilha  Musical – Atordoado, eu permaneço atento, para Hakaima Sadamitsu, M. Takara
Melhor Direção de Arte – O Barco e o Rio, para Francisco Ricardo Lima Caetano
Melhor Desenho de Som – Receita de Caranguejo, Isadora Torres e Vinicius Prado Martins
Prêmio especial do júri: Preta Ferreira, por Receita de Caranguejo

Júri Popular
Curta Brasileiro: O Barco e o Rio, de Bernardo Ale Abinader
Longa Estrangeiro: El gran viaje al país pequeño, de Mariana Viñoles
Longa Brasileiro: King Kong en Asunción, de Camilo Cavalcante

Júri da Crítica
Curta Brasileiro: Inabitável
Longa Estrangeiro: El Gran Viaje al País Pequeño
Longa Brasileiro: Um animal amarelo
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