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Ex-Malhação, ator Benjamin Damini fala sobre transição de gênero

Publicado em: 23/09/2020 10:15 | Atualizado em: 23/09/2020 10:12

O relato foi compartilhado pelo ator em sua conta no Instagram (Foto: Reprodução/Instagram @benjamindamini)
O relato foi compartilhado pelo ator em sua conta no Instagram (Foto: Reprodução/Instagram @benjamindamini)

O ator Benjamin Damini, famoso por interpretar a personagem Martinha em Malhação: Toda forma de amar, publicou no Instagram, nesta terça-feira (22), uma foto de quando era criança acompanhada pela legenda na qual afirma ser transexual. No texto, ele logo se apresenta: “Benjamin quer te contar uma história. Ele sou eu”.

Todo o processo é retratado por Benjamin, que relata se recordar do pensamento de ter nascido no corpo errado quando tinha apenas três anos. Além disso, o corpo em desenvolvimento trazia muita tristeza para o ator que, por exemplo, teve que começar a usar parte de cima do biquíni para brincar na praia.

Benjamin Damini manda um recado para os usuários, alertando que “eu sou transexual e para você que está lendo, isso apenas deve significar que meu nome de verdade é Benjamin e desejo ser tratado no masculino”. Na publicação, Benjamin também não dá espaço para que pessoas opinem sobre seu corpo, pontuando que sente orgulho da própria história, que é única.

A publicação rendeu vários comentários, os quais muitos reforçam a frase “seja bem-vindo, Be!”. Outros ressaltam a admiração e o orgulho pelo ator como, por exemplo, o de Alice Wegmann, que diz “todo amor, admiração e carinho para você! Que muita gente possa ver esse post, se identificar e assim se sentir mais leve do peso que é enfrentar esse mundo. Feliz vida pra você, Benjamin!”.

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22 de setembro de 2020 12:02 benjamin quer te contar uma história. ele sou eu. nessa foto eu tinha 3 anos. aos 3 eu acreditava ter nascido no corpo errado e por muitos anos rezei antes de dormir pra acordar no dia seguinte no corpo certo, no corpo de um menino. aos 4 convenci meus amigos da escola de que eu era um menino disfarçado de menina, mas ninguém além deles poderia saber. aos 7 quando meus seios começaram a se desenvolver e eu não podia mais brincar na praia sem a parte de cima do biquini eu chorei. aos 9 quando eu menstruei eu também chorei. foram choros intermitentes que só cessaram depois de dias. porque eu nasci fêmea toda fêmea tem que ser menina. foi isso que sempre me disseram. então quem sabe seja isso mesmo. eu sou uma menina e pra sempre vou ser. mas eu não me sinto menina. não sei nem ser menina. não interessa. aprende. é assim que vai ser. enxuga essas lágrimas. engole esse choro. engole tudo o que te diferencia das outras meninas. engoli. comprei sutiã. sou uma menina. aos 12 comecei com as explosões de agressividade com a minha família e com qualquer colega na escola que me chamava de maria-macho. aos 13 escrevi uma história de um menino chamado benjamin que sentia demais. aos 14 veio a primeira depressão. terapia. remédios. aos 16 arrumei um namorado. antônio. antônio não é o nome dele de verdade. tipo beatriz. eu controlava até as roupas que o antônio usava. troca esse shorts porque não tá combinando com a blusa, antônio. aliás, não gosto dessa blusa, deixa eu escolher outra. tadinho do antônio. antônio foi uma das algumas vítimas das minhas projeções de gênero inconscientes. a verdade é que eu queria poder usar as roupas que o antônio usava. e eu até podia. mas tinha medo. aos 18 comecei a namorar ana. ana não é o nome dela de verdade. tipo beatriz. mas por 21 anos esse nome fez muito sentido. atriz. era isso que eu era. atriz de mim. quando ana terminou comigo eu percebi que eu não sabia quem eu era de fato. fui buscar. (continua nos comentários)

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