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Curso gratuito promove imersão de músicos populares em ferramentas digitais

Publicado em: 01/09/2020 09:33

Toma%u0301s Brandão e Miguel Mendes foram o Pachka (Foto: Felipe Schuler/Divulgação)
Toma%u0301s Brandão e Miguel Mendes foram o Pachka (Foto: Felipe Schuler/Divulgação)

"Quem quiser lançar um disco de música do século 19 precisará passar pelo digital na gravação ou na criação do fonograma. Em algum momento, o áudio será convertido para dados digitais, pois os procedimentos totalmente analógicos são muito caros, como artigos de luxo." A reflexão, usada para exemplificar como o exercício da música está ligado à tecnologia digital na atualidade, é feita pelo músico e pesquisador Miguel Mendes. Ao lado de Tomás Brandão, ele forma o duo pernambucano Pachka, que produz e pesquisa música de uma forma multiartística, agregando também teatro, dança e artes visuais. "Pela situação do Brasil, essas ferramentas digitais também acabam sendo inacessíveis pelos custos técnicos e de educação. Temos a sofrer com isso", continua.

Nesta quarta-feira (2), o Pachka abre inscrições para Computadores fazem arte: Curso de ferramentas digitais para o músico popular, que busca ensinar músicos de diferentes vertentes - não apenas da música essencialmente eletrônica - a usarem ferramentas digitais em seus trabalhos. Com financiamento do Funcultura, o curso gratuito conta com oito módulos que vão desde a gravação até a finalização, incluindo microfonação, sonorização, processamentos, edição, mixagem e masterização com uso de softwares.

As inscrições serão realizadas até 5 de setembro, através de um formulário divulgado no Instagram (@pachkaduo), enquanto as aulas ocorrem entre 30 de setembro e 3 de fevereiro de 2021 na plataforma Zoom. A formação contará também com convidados como o engenheiro de som Vinícius Aquino, do Estúdio Carranca, o produtor de brega-funk Marley Beat, o pesquisador Filipe Calegário, do BateBit e professor do CIn (UFPE), e Missionário José, integrante da banda Mombojó e professor da UFPE.

A investigação do Pachka (dupla que também integra o projeto Estesia) com música e tecnologia começou com a pesquisa Novos caminhos da performance em música no Estado de Pernambuco, que mapeou a conexão dos artistas pernambucanos com a tecnologia. "Notamos como Pernambuco tem uma diversidade muito grande de gêneros que envolvem a música eletrônica, que ao contrário do que muitos pensam não é só música de balada ou Alok", diz Miguel. "Estamos tentando agregar uma diversidade de artistas, sejam instrumentistas, músicos, cantautores, MCs, DJs. Vimos que é possível construir espaços de diálogos, pois apesar de tantas diferenças, estamos usando as mesmas ferramentas."

Ele pontua que ainda existe resistência às ferramentas digitais em determinados nichos. "Em alguns setores de conservatórios, existe uma tradição de entender o computador como um aparato técnico, não um instrumento de produção. Na área dos músicos populares, há uma resistência com a estética da música eletrônica, como comercial e indesejável. Entre os músicos instrumentais, existe uma ideia de que, se você é músico, consegue fazer música só com ‘a mão e coração’. Algo que também pesa muito é a ausência do acesso aos equipamentos, pois o Brasil tem uma barreira de imposto."

"Os artistas precisam entender que o tambor, o violino e o computador são tecnologias criadas em seus contextos. Todos eles podem agregar na música", continua. "Não é difícil achar um músico que gaste até R$ 10 mil em saxofone, mas não queria comprar uma ferramenta digital de R$ 1 mil que vai amplificar o potencial de sua sonoridade. Com o curso, queremos fomentar essa cadeia, empoderando uma rede de criadores que vão se deparar com ferramentas e saber o que fazer com elas."

BREGA-FUNK
Um outro fator que aponta para a importância do conhecimento das ferramentas digitais é que o gênero musical mais ouvido das plataformas digitais do estado é o brega-funk, que é uma música eletrônica. Em sua pesquisa de mestrado, Tomás Brandão abordou o ritmo não apenas como um fenômeno cultural, mas também técnico, com o uso de equipamentos simples.

"O mais interessante é que o que move a produção das pessoas é a vontade de fazer música com o que existe à sua disposição", diz Miguel. "A criação dessa batida forte, marcante, com um grave que atravessa o corpo, inicialmente não está tão preocupada com o técnico. Acho que isso é uma coisa que a música popular pernambucana, ainda que com certa resistência, tem muito a aprender. Porque apesar de todas limitações financeiras e a cursos, eles estão produzindo e fortalecendo o nível tecnológico das produções."

SERVIÇO
Computadores fazem arte: Curso de ferramentas digitais para o músico popular
Período de Inscrições: 02 até 21 de setembro de 2020
Link para inscrição: http://bit.ly/computadoresfazemarte
Divulgação do Resultado da Seleção: 23 de setembro de 2020
Período de aulas: 30 de setembro de 2020 até 03 de fevereiro de 2021

Aulas
Onde: Plataforma Zoom/Sympla
Quando: Quartas-feiras (18h-22h), vagas limitadas por seleção, com 64 horas/aula
Quanto: Gratuito
Informações: pachkaduo@gmail.com ou +55 (81) 98867-2702
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