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'Não toque em meu companheiro' retrata um épico episódio do sindicalismo no Brasil

Publicado em: 20/07/2020 14:30 | Atualizado em: 20/07/2020 14:59

Em 1991, trabalhadores da Caixa Econômica garantiram sustento de 108 funcionários demitidos injustamente (Foto: Divulgação)
Em 1991, trabalhadores da Caixa Econômica garantiram sustento de 108 funcionários demitidos injustamente (Foto: Divulgação)


A mobilização de bancários para pagar os salários de 108 funcionários demitidos injustamente pela Caixa Econômica Federal após uma greve da categoria revela a luta histórica e de solidariedade do sindicalismo brasileiro. A discussão está presente no documentário Não toque em meu companheiro, nova produção da diretora brasiliense Maria Augusta Ramos, disponível nas plataformas de vídeo sob demanda. A cineasta é responsável também pelos filmes O processo, Juízo, Justiça, Morro dos prazeres e Futuro junho, vencedor na categoria Melhor Filme no Janela de Cinema em Recife.

“O mundo do trabalho e as relações de emprego sempre foram assuntos presentes nos meus trabalhos. Quando tomei conhecimento dessa história, da força da luta sindical, vi que era um retrato de solidariedade muito bonito e precisava registrar”, afirma. O documentário revisita o episódio de 1991 que mobilizou trabalhadores da Caixa em prol da reintegração de colegas demitidos injustamente após uma greve, pagando seus salários durante um ano até a readmissão. O feito simbolizou a união da categoria ao criar uma rede solidária em que cada um doava 0,3% de seus salários e garantia o sustento dos demitidos enquanto aguardavam a resolução do caso na justiça.


“O percentual que cada um contribuía mensalmente sustentou os 108 demitidos por um pouco mais de um ano e garantiu que eles sobrevivessem durante o processo judicial”, destaca Augusta. O documentário promove o encontro dos trabalhadores demitidos no período. “Através de Jair Ferreira, da Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal), fui apresentada aos funcionários demitidos no período. Fiquei feliz de promover o reencontro. Foi muito bonito, não só de ouvi-los contar a história, tudo que viveram, mas também de ouvi-los sobre o momento atual, a diminuição de ações de solidariedade.”

O filme propõe a troca de experiência entre os funcionários antigos e atuais da Caixa. “A nova geração que herdou um pensamento mais neoliberal nasceu em um mundo onde cada um se sente um empreendedor de si mesmo e há um maior individualismo. O sindicato também está mais enfraquecido, então quis colocar as duas si- tuações lado a lado e analisar seus contextos”, revela a cineasta. As conversas ainda revelam a angustia dos funcionários sobre o risco iminente de privatização do banco. “Por que privatizar? A quem interessa essa privatização? Quais as consequências? São perguntas que busquei trazer para o filme.”

A cineasta é responsável também pelos filmes O processo, Juízo, Justiça, Morro dos prazeres e Futuro junho (Foto: Ana Paula Amorim/Divulgação)
A cineasta é responsável também pelos filmes O processo, Juízo, Justiça, Morro dos prazeres e Futuro junho (Foto: Ana Paula Amorim/Divulgação)


Para Augusta, apesar de o cenário ser diferente hoje, a solidariedade ainda é o caminho. “A luta coletiva ainda é a única maneira de sair da crise que o Brasil está enfrentando, que não é só econômica, é também de identidade. Vivemos uma enorme precarização, um discurso violento que alimenta o fascismo, desmonte da cultura, da educação e das próprias empresas”, afirma. Também são discutidas as políticas neoliberais do presidente da época, Fernando Collor, que defendia o estado mínimo, a criminalização dos movimentos sociais e a precarização do serviço público, traçando um paralelo com o ciclo econômico e as relações atuais de trabalho no Brasil.

“No Brasil de agora, a gente está vendo a história se repetindo. A política neoliberal volta como um importante elemento do governo Bolsonaro. A conduta também se repete. Hoje em dia, os servidores públicos são chamados de parasitas. Eu achei que seria importante documentar essa história para que ela ganhasse um espaço na memória dos brasileiros e também ajudar a repensar o passado a partir do presente”, ressalta a diretora. De acordo com ela, o intuito é promover uma reflexão também sobre os direitos básicos da população. “Esse tema influencia as vidas de milhares de trabalhadores, que estão vendo as suas necessidades básicas como moradia e saúde cada vez mais comprometidos, cada vez mais distantes.”
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