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Grupo Estesia lança experimento visual, sonoro e sensorial para a quarentena

Publicado em: 02/07/2020 11:34 | Atualizado em: 02/07/2020 11:44

Estesia em show antes do isolamento social (Foto: Felipe Schuler/Divulgação)
Estesia em show antes do isolamento social (Foto: Felipe Schuler/Divulgação)

São 21h da terça-feira (30) quando Tom BC faz o primeiro contato por WhatsApp para iniciar o experimento visual, sonoro e sensorial Estesia 1pra1. O músico do grupo pernambucano Estesia pede para eu me acomodar em um espaço tranquilo e escuro. Após um telefonema, que funciona como uma introdução, ele inicia uma série de interações via troca de mensagens, áudios, checagem de e-mail, novas ligações e visualização no YouTube.

De início, existe uma aura de mistério, uma ansiedade por desconhecer qual será o próximo passo, se haverá um desafio. Ao relaxar, logo a atividade proporciona uma camada de profundidade para o que está sendo escutado ou assistido, como uma nova forma de consumir os produtos culturais. No Estesia 1pra1, é possível conhecer mais os princípios artísticos do próprio grupo, sentimentos e epifanias do artista que está conduzindo o diálogo. A forma de comunicação consegue criar uma sensação de proximidade especial.

O experimento dura cerca de 30 minutos e usa variadas redes de comunicação de massa para criar conexões e laços humanos mais próximos - como diz o próprio nome da experiência, de um para um. O projeto será lançado para o público nesta quinta-feira (2), com agendamentos pelo Instagram (@estesiaestesia) ou WhatsApp (98867-2702). A participação custa R$ 20.

O clipe do novo single Se você quiser, que integra o experimento, foi lançado na quarta-feira (1) no YouTube. O vídeo tenta compartilhar sensações recorrentes no período de quarentena e teve produção, direção, captação e edição de Nara Uchoa. O Estesia, formado por Tom BC (Tomás Brandão), Carlos Filho, Cleison Ramos e Miguel Mendes em 2016, surgiu preocupado em reconfigurar os conceitos de experiência musical ao vivo. Com suporte tecnológico, os shows apostam na sinestesia entre música eletrônica, orgânica e iluminação, com apresentações geralmente realizadas sem fronteiras de espaço com o público.


Com a pandemia, foi necessária uma reinvenção para adentrar nas casas das pessoas explorando novos sentidos, fugindo dos já tradicionais modelo das lives via YouTube, Zoom ou Twitch.TV. “O setor artístico foi muito afetado, então todo mundo começou a buscar novas formas. Já tínhamos tido experiência com o coletivo teatral Magiluth e, quando vimos o experimento virtual deles, percebemos um novo formato que poderia ser usado de outras formas”, conta Tomás.

“Nós adaptamos essa ideia para o âmbito musical. Levamos até o espetador alguns sentimentos nossos, com uma linha do tempo afetiva e gravações que nunca foram lançadas.” O Estesia 1pra1 tem uma narrativa padrão que percorre uma espécie de linha temporal, mas pode sofrer pequenas alterações de acordo com o artista que conduz a experiência. “Realizamos o experimento com algumas pessoas e o feedback é bem misto. Varia muito de acordo com a própria vivência e permissividade da pessoa. Acaba sendo algo muito pessoal e diferente.”


Experimento sensorial em confinamento
Grupo teatral pernambucano Magiluth (Foto: Vitor Pessoa/Divulgac%u0327a%u0303o)
Grupo teatral pernambucano Magiluth (Foto: Vitor Pessoa/Divulgac%u0327a%u0303o)


O projeto citado do Magiluth é Tudo que coube numa VHS: Experimento sensorial em confinamento, realizado de maio até o mês passado. A idealização foi de Giordano Castro, que integra o coletivo junto a Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Márgio Sérgio Cabral, Lucas Torres e Pedro Wagner. O projeto foi feito através da comunicação entre o performer e o público, usando WhatsApp, Instagram, e-mail, Spotify e YouTube. "A partir das plataformas, existe uma linha da dramaturgia que vai provocando e levando a pessoa que está participando a andar por essas ferramentas, entendendo a história que está sendo contada", pontua Giordano.

O sucesso surpreendeu. A temporada ocorreu para 1.605 pessoas do Brasil e mais 18 países. “Chegamos a atender 50 pessoas por dia, de terça a domingo”, diz Pedro Wagner, que recentemente viveu o personagem Carniça na série Irmandade, da Netflix. “Teve gente até do Japão, então tivemos que nos atentar ao fuso horário. Foram quase dois meses nessa experiência. Se tornou algo muito grande, algo que não esperávamos”, continua. “Começamos sem grana, mas conseguimos pagar nossos salários e manter a nossa sede na Boa Vista, inaugurada há pouco tempo. Acredito que isso entra para a história do teatro brasileiro de alguma maneira.”

Uma segunda temporada já está confirmada, inclusive com novos elementos ao processo, mas ainda sem data confirmada. O enredo inicia com uma espécie de gancho sobre história de amor, mas os demais detalhes não são revelados - assim como no caso do Estesia -, pois as surpresas fazem parte da experiência. “É um trabalho muito simples, mas também muito forte. Nós fazemos um teatro ligado ao precário, então é interessante observar que esse período de crises acabou nos levando a esse lugar, mas mantendo a linguagem do grupo”, comenta Pedro.

Cri’Ative’Se
O Cri’Ative’Se Cultural, laboratório de pesquisa em produção cultural e criação cênica, comandado pela pernambucana Emanuelle de Jesus, desenvolveu uma experiência cênico digital através do Zoom, intitulada Enquanto a festa não chega... Diferente dos outros, esse é um procedimento compartilhado. O público precisa se arrumar, como se fosse para uma festa, e publicar uma foto nos stories do Instagram, marcando a conta @criativese.cultural). A partir daí, ela ingressa na sala virtual do Zoom. A última edição da temporada será neste domingo (5), a partir das 19h.

“Eu estava dando aula de economia da cultura no Sesc, quando o semestre foi suspenso. Convidei meus alunos para esse projeto, que estuda a mediação do teatro”, explica Emanuelle de Jesus. “Como poderíamos pensar em um teatro digital? Como podemos criar algo mediado pelo smartphone? Os alunos deram depoimentos sobre o período de quarentena e costuramos as experiência de uma forma teatral. É uma dramaturgia coletiva sobre temáticas bem atuais. Por questões técnicas, criamos uma espécie de coxia virtual. O público tem a possibilidade de ver tudo ao vivo, incluindo momentos em que são convidados a participar”. Cri'Ative'Se, inclusive, foi selecionado pelo Porto Digital para o processo de Incubação 2020 e lançará mais projetos.

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