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RIO GRANDE DO SUL

Agentes de Defesa Civil de PE voltam de missão no Rio Grande do Sul: "Nada poderia ter nos preparado para o que vimos"

Eles passaram 29 dias distribuindo cestas básicas e participando de ações de logística, após as enchentes

Publicado em: 07/06/2024 14:25 | Atualizado em: 07/06/2024 16:17

Os agentes da Defesa Civil chegaram, nesta sexta (7), após missão no RS. Eles foram recepcionados por suas famílias.  (Foto: Marina Torres/DP)
Os agentes da Defesa Civil chegaram, nesta sexta (7), após missão no RS. Eles foram recepcionados por suas famílias. (Foto: Marina Torres/DP)

 
Quatro agentes da Defesa Civil de Pernambuco (SEDEC) retornaram ao Recife, nesta sexta-feira (7), após 29 dias de missão para ajudar vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Em uma surpresa realizada pelos agentes da Defesa Civil, eles foram recebidos por seus familiares. 
 
Em coletiva realizada na Secretaria da Defesa Civil, em Santo Amaro, na área central da cidade, eles relataram o drama de quem particpou da distribuição de cestas básicas e operações de logística.
 
 
Em ordem o sargento Sérgio Luís, o cabo Eriberto Fernando, o capitão Marco Filipo e o sargento Angelo Rafael (Foto: Marina Torres/DP)
Em ordem o sargento Sérgio Luís, o cabo Eriberto Fernando, o capitão Marco Filipo e o sargento Angelo Rafael (Foto: Marina Torres/DP)
 
Na volta para casa, ficou claro que o sentimento do grupo era unâmine: “Nada poderia ter nos preparado para o que vimos no Rio Grande do Sul”.  
 
O grupo fez parte de uma força especial de oficiais pernambucanos, que se deslocaram para as áreas mais afetadas do estado gaúcho por causa das fortes chuvas, no dia 10 de maio. 
 
O capitão Marco Filipo.  (Foto: Marina Torres/DP)
O capitão Marco Filipo. (Foto: Marina Torres/DP)
 
 
Para o capitão Marco Filipo, que, nesta sexta completou 52 anos, seu presente foi ter voltado para o Recife com a equipe, sem nenhum problema de saúde. 
 
Ao Diario de Pernambuco, Filipo contou que, após quase um mês vendo a situação dos gaúchos, sente que se tornou ainda mais humano. 
 
“Vendo aquilo, pensei muito em Pernambuco. Com 17 anos de Defesa Civil, percebi que se uma catástrofe como aquela acontece em nosso Estado, ainda, faltaria muito para deixarmos a população pernambucana mais acolhida e segura”, reflete.
 
“Hoje eu estou feliz em ter voltado, em ver que meus familiares estão bem, mas eu sigo preocupado com as famílias do Rio Grande do Sul. A reconstrução lá vai ser árdua. Se precisar voltar, eu volto”, afirmou o capitão. 
 
Também voluntário em Passo Fundo, o sargento Sérgio Luís, de 49 anos, viu a integração com outros estados como uma troca de aprendizados. “A integração com outros estados nos ensinou muita coisa. Vimos detalhes que eles praticam lá que a gente não faz aqui e poderíamos praticar”, comentou.
 
O sargento Angelo Rafael.  (Foto: Marina Torres/DP)
O sargento Angelo Rafael. (Foto: Marina Torres/DP)

 
Em Porto Alegre, o sargento Ângelo Rafael, de 45 anos, foi voluntário na produção e distribuição de cestas básicas e na distribuição de doações recebidas de todo o Brasil para diversas partes do estado gaúcho.
 
“Independente do profissionalismo que a gente tem, a gente tinha vontade de chorar. A gente trabalhou com mais de dois mil voluntários, pessoas que tinham perdido suas casas, familiares, tudo. Não fizemos só nosso trabalho, também davamos apoio às pessoas ali. É como se a gente tivesse se tornado um deles”, afirmou.
 
“Preparar toda aquela logística para atender todas as cidades que precisavam, fazer com que o material chegasse, fosse triado, armazenado, entregue, separado… Olha, foi pesado. Eram mais de cem carretas saindo por dia com doações sendo enviadas a quem precisava. O cansaço batia, aí os gaúchos vinham, abraçavam a gente, a gente abraçava eles. Eu já tive várias experiências aqui na Defesa Civil, mas, nunca, nada tão grande quanto lá”, acrescentou.
 
Balanço 
 
O último balanço da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, divulgado na quarta (5) mostrou que 30.442 estão em abrigos, 572.781 pessoas estão desalojadas e 172 óbitos foram confirmados. 
 
Com a chegada do inverno, o governo do RS pede a doação de roupas e lençóis. Além de produtos de higiene pessoal e limpeza.
  
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