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Motos e falta de fiscalização aumentam mortes no trânsito

Número de vítimas fatais no trânsito voltou a subir no Brasil depois de recuar 27% entre 2014 e 2019. Municípios menores lideram índice

Publicado em: 29/05/2024 10:25 | Atualizado em: 29/05/2024 10:24

Fiscalização é aposta das autarquias de trânsito para reduzir mortes  (Josenildo Gomes/CTTU/Divulgação)
Fiscalização é aposta das autarquias de trânsito para reduzir mortes (Josenildo Gomes/CTTU/Divulgação)
O número de mortes no trânsito no Brasil voltou a subir nos últimos anos, após uma redução 27% entre os anos de 2014 e 2019, saindo de um total de 43.780 para 31.945. Já em 2022, segundo dados do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), o número de vítimas fatais foi de 33.894. Apesar de as principais capitais brasileiras registrarem quedas significativas nos indicadores, a exemplo de Fortaleza, que sedia o III Seminário para Preservação de Vidas no Trânsito, realizado nesta terça-feira (28). 

Em parte, o aumento das mortes no trânsito está ligado ao aumento da frota de motocicletas, com a  migração de usuários do transporte coletivo e de bicicletas para as motos, e à falta de fiscalização nos municípios do interior, como destaca Tiago Bastos, professor da Universidade Federal do Paraná e líder do grupo de pesquisas do ONSV, instituição parceira da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania de Fortaleza. Atualmente, motociclistas e garupas representam 35% das vítimas fatais no trânsito, com grande incidência nas cidades menores.

O Ceará é um exemplo dessa contradição. Embora a capital tenha reduzido em 58,4% o número de vítimas fatais nos últimos nove anos, sendo considerada uma referência para o país, o estado registrou um aumento de mais de 7% entre 2021 e 2022. Com menos de 10% da população de Fortaleza, o município de Sobral contabilizou 30% mais óbitos de motociclistas do que a capital cearense.

Em Pernambuco, apesar de o Recife se manter no topo de sinistros com motocicletas, a cidade de Petrolina, no Sertão do São Francisco, aparece no ranking como o segundo município do estado em número de mortes envolvendo esse modal de transporte, com 86 casos registrados. Embora o número absoluto seja cerca de a metade do registrado na capital, proporcionalmente a cidade sertaneja possui uma taxa de 22,2 óbitos por 100 mil habitantes, quase o dobro da recifense, que é de 11,6 mortes por 100 mil habitantes.
 
Confira as cidades do Nordeste com mais mortes de motociclistas (por 100 mil/hb)

  1. Passagem (RN) - 97,1
  2. Jacobina do Piauí (PI) - 87,1
  3. Santo André (PB) - 79,3
  4. Tanque do Piauí (PI) - 72,3
  5. Bocaina (PI) - 66,7
  6. Tenório (PB) - 65,4
  7. Sobral (CE) - 64,1
  8. Floriano (PI) - 58,4
  9. Presidente Dutra (MA) - 56,5
  10. Sossêgo (PB) - 56,3 
 
De acordo com dados do Observatório, Porto Vera Cruz, município do Rio Grande do Sul com apenas 1.258 habitantes, possui a maior taxa proporcional de mortes por acidentes com motocicletas do país: 147,1 por 100 mil habitantes. Seguindo o mesmo indicador, nenhuma capital está entre as 10 cidades com maiores índices por região, ranking liderado pelos municípios de menor porte.

Para o pesquisador do ONSV Tiago Bastos, os desafios para cumprir a meta de reduzir pela metade o índice de mortes no trânsito estabelecidos pela Agenda 2030 da ONU, passam obrigatoriamente pela diminuição dos óbitos de ocupantes de motocicletas, além do aumento da fiscalização e da redução da velocidade viária. 

Atualmente, mais da metade das vítimas fatais no trânsito estavam utilizando a moto. “Quem anda de moto enfrenta 200 vezes mais riscos de morte. Precisamos eliminar esses riscos”, reforça

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