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6 DE MARÇO

Revolução Pernambucana: além de chamar a atenção para o acontecimento, feriado deve estimular o debate sobre problemas contemporâneos, diz historiador

Primeiro movimento anticolonial brasileiro a conseguir tomar o poder, a Revolução Pernambucana, ainda desconhecida por muita gente, completa 207 anos

Publicado em: 06/03/2024 08:06 | Atualizado em: 06/03/2024 08:37

Monumento aos Heróis da Revolução Pernambucana, de Abelardo da Hora, na Praça da República  (Ricardo Fernandes/Arquivo DP )
Monumento aos Heróis da Revolução Pernambucana, de Abelardo da Hora, na Praça da República (Ricardo Fernandes/Arquivo DP )
Primeiro movimento anticolonial brasileiro a conseguir tomar o poder, a Revolução Pernambucana completa 207 anos nesta quarta-feira (6). Para o historiador George Cabral, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o feriado, além de chamar a atenção da população para o acontecimento histórico, que ainda é desconhecido por muita gente, deve estimular o debate sobre problemas contemporâneos da sociedade.

“Foi uma revolução com pensamento republicano e constitucional. O respeito à Constituição, a igualdade perante a lei, o problema da escravidão, que foi considerado e havia o desejo de abolir dentro de um prazo mais rápido possível. Todas essas questões ligam diretamente a Revolução de 1817 com a atualidade. Não é simplesmente uma coisa que aconteceu há mais de dois séculos, são discussões que ainda estão presentes na atualidade política do Brasil, sobretudo no que diz respeito à questão do pacto federativo”, diz.

O país Pernambuco

Juntando o pensamento iluminista e a insatisfação com a monarquia portuguesa, civis, militares e religiosos proclamaram, no dia 6 de março de 1817, no Recife, a nova república, que recebeu o apoio do Rio Grande do Norte, Paraíba e de parte do Ceará. No dia 7 de março, formou-se um governo provisório integrado por cinco representantes de comerciantes, militares, clérigos, magistrados e senhores de engenho.

“São 75 dias em que Pernambuco e essas províncias vizinhas foram um país independente. Com bandeira, com uma lei orgânica que procurava organizar esse novo estado soberano, com um representante diplomático nos Estados Unidos, com medidas que visavam baratear a comida, diminuir o problema da defasagem dos salários e dos soldos e diminuir a carga tributária. Isso provocou uma adesão popular ao movimento, que não foi muito sólida, mas que permitiu uma vitória rápida. No mesmo dia, eles conseguiram depor o governador português e enviá-lo para o Rio de Janeiro”, explica o historiador.

A repressão enviada pelo rei de Portugal foi mais poderosa do que a resistência dos pernambucanos, e o movimento revolucionário chegou ao fim no dia 19 de maio de 1817. Centenas de participantes foram presos e os principais líderes foram cruelmente executados. Também como punição, a comarca de Alagoas foi retirada de Pernambuco.

Programação

Para celebrar a data, a governadora Raquel Lyra comanda, nesta quarta, às 8h, a cerimônia de hasteamento da bandeira no Palácio do Campo das Princesas.

Às 16h, o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), na Boa Vista, fará uma sessão especial em homenagem aos heróis da Revolução. Na ocasião, serão empossados os novos sócios: o pesquisador Joaquim Pereira da Silva (sócio honorário), o escritor e professor Carlos Bezerra Cavalcanti (sócio benemérito) e o jornalista Evaldo Costa (sócio efetivo), que será o orador da tarde.

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