Familiares se despedem de Zenaide Barbosa, no Parque das Flores
"Tudo o que ela foi como jornalista ela foi igualmente extraordinária em casa", destaca filha da jornalista, a bióloga Maria Wilhelmina
Publicado: 31/03/2024 às 13:48
(Foto: Sandy James/DP Foto)
Familiares e amigos chegaram cedo ao Parque das Flores, no bairro do Curado, neste Domingo de Páscoa (31), a partir das 8 horas, para poder se despedir de Zenaide Barbosa, que trabalhou 27 anos no Diario de Pernambuco e 19 deles como editora-chefe, tornando-se a primeira mulher a assumir esse cargo em todo o Brasil. A jornalista e advogada faleceu no último sábado (30), aos 81 anos, em função de um enfarte, três dias após o falecimento do jornalista Gladstone Vieira Belo, ex-vice presidente do Diario, com quem trabalhou por muitos anos.
Maria Wilhelmina Barbosa, filha única de Zenaide e bióloga, citou as melhores lembranças que sua mãe vai deixar na família e ressaltou a importância que ela teve paras seus pares. “A minha mãe representou muita coisa não só para mim, mas para uma legião de pessoas as quais ela afetou positivamente ao longo da vida. Temos inúmeros relatos do bem que ela fez profissionalmente e pessoalmente. Neste momento tão difícil, a gente está sendo muito acalentado na família pelas histórias positivas que ouvimos dos amigos”, agradeceu. “Ela foi uma gigante entre as mulheres jornalistas do país e uma profissional exemplar, com um texto incrivelmente lindo, mas principalmente uma mãe magnífica e uma avó sem igual. Meus filhos tiveram muita sorte de ter convivido com ela, uma pessoa fácil de conviver e que só tinha amor para dar aos netos. Tudo o que ela foi como jornalista ela foi igualmente extraordinária em casa. Temos muito momentos positivos em família guardados no coração e vamos levar todos eles para sempre conosco”, falou emocionada.
Beatriz Pil, irmã por parte de pai de Wilhelmina, falou do carinho imenso que sentia por Zenaide e destacou a sua generosidade. “Dona Zenaide sempre foi sinônimo de gentileza, de amor e generosidade. Não houve um momento em que eu não me sentisse acolhida perto dela. Apesar de toda essa tristeza com a partida e , é impossível não sentir uma coisa boa só de lembrar da pessoa que ela foi. Alguém de muita luz por onde quer que tenha passado e com quem quer que ela encontrasse. Uma mulher que transformava positivamente todos em volta. O que ficam são as melhores memórias.

Luiz Felipe Moura, que trabalhou mais de 30 anos no Diario e hoje é presidente da Associação Brasileira de Jornalismo e Turismo, também lamentou a perda. “Nos tempos em que trabalhei no jornal como jornalista, entre o final dos anos 1960 e começo dos anos 2000, eu costumava chamar de ‘quarteto de ouro’ essas seguintes pessoas maravilhosas: Antônio Camelo, Joezil Barros, Gladstone Vieira Belo e, principalmente, Zenaide. Era uma pessoa muito boa de se trabalhar, que tinha um sentimento de família e união no jornal muito poderoso. Ela desbrava a profissão. Vai fazer muita falta ao jornalismo brasileiro”, disse Luiz.
Fernando Castilho, atual colunista de economia do JC, elogia a coragem de Zenaide. Ele era estagiário do Diario de Pernambuco, quando em 1968, teve que ir à Polícia Federal, juntamente com ela, para se explicar sobre uma matéria a respeito da repercussão do fato de a Polícia Federal ter estourado o Partido Comunista Revolucionário, liderado pelo estudante de Sociologia, Edival Nunes da Silva, o Cajá. Na frente do então superintendente da PF, Antônio Hann, Zenaide defendeu o estagiário e não admitiu nenhum erro de apuração na matéria. Ao voltar ao jornal, no entanto, passou um sermão em Castilho pelas falhas na apuração e pelo texto fraco. Mas, na PF, defendeu com unhas e dentes seu estagiário.