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Dia Internacional da Mulher: bancos vermelhos mudam paisagem da orla de Boa Viagem e pedem fim dos feminicídios

A ação é do Instituto Banco Vermelho, que pretende chamar a atenção das autoridades e da população para o combate aos crimes

Publicado em: 08/03/2024 07:15 | Atualizado em: 08/03/2024 17:14

Banquinhos vermelhos foram colocados em Boa Viagem  (Foto: Rafael Vieira/DP)
Banquinhos vermelhos foram colocados em Boa Viagem (Foto: Rafael Vieira/DP)
Um dos principais cartões-postais do Recife, a praia de Boa Viagem, na Zona Sul, amanheceu, nesta sexcta (8), Dia Internacional da Mulher, com cores difentes.
 
Bancos vermelhos foram colocados na areia, junto ao calçadão, para lembrar as vítimas de femicídio em Pernambuco. 
 
Ao lado, os organizadores da inicaitiva, instalaram faixas para falar sobre as mortes de mulheres, vítimas de violência de gênero.
 
"#Feminicídio: não podemos admitir nenhuma morte a mais", dizia uma delas.
 
Na outra, a organização aponta: "78 vítimas de feminicídio no Estado". 

A ação é do Instituto Banco Vermelho, que pretende  chamar a atenção das autoridades e da população para o combate aos crimes.

A inspiração para a iniciativa neste 08 de março vem da intervenção realizada na Cidade do México, batizada de “Zapatos Rojos”, protesto idealizado por uma artista plástica que perdeu sua irmã para o feminicídio e consiste na colocação de centenas de sapatos vermelhos em uma praça.

“Sabemos que o enfrentamento é diário. Infelizmente, o Brasil vive um momento de grande escalada da violência contra a mulher. Mas acreditamos na mudança deste cenário por meio de iniciativas sociais educativas, medidas preventivas para a segurança das mulheres e da implantação de políticas públicas com foco no feminicídio zero”, enfatiza Andrea Rodrigues, presidente do Instituto Banco Vermelho.

Andréa Rodrigues, Ana Patrícia Galvão e Paula Limongi à frente do ato de mobilização do Instituto Banco Vermelho na praia de Boa Viagem, no 8M. (Foto:  Nicole Rodrigues/Divukgação )
Andréa Rodrigues, Ana Patrícia Galvão e Paula Limongi à frente do ato de mobilização do Instituto Banco Vermelho na praia de Boa Viagem, no 8M. (Foto: Nicole Rodrigues/Divukgação )
Segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em dezembro/2023, o Brasil registrou uma pequena redução no número de feminicídio. 

De janeiro a outubro de 2023 foram registrados oficialmente 1.158 feminicídios, uma queda em torno de 2,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior (2022). 

Desta forma, faz-se a leitura que, em média, quatro mulheres são vítimas de assassinato em razão do seu gênero no país. 

Em Pernambuco, sede do Instituto Banco Vermelho, o cenário não é diferente. Segundo dados da Secretaria de Defesa Social, o estado contabilizou oficialmente 69 feminicídios no período de janeiro a dezembro de 2023. 

Além disso, o estado registrou mais de 47 mil casos de violência familiar e doméstica contra a mulher (jan/nov de 2023).

Como é a ação
 
O ato na praia de Boa Viagem conta com a instalação de 100 bancos cenográficos (60cm de altura/cada) na cor vermelha com a aplicação de frases de impacto em combate à violência contra a mulher, e nomes de vítimas de feminicídio.

“Atuamos em diversas frentes de mobilização e articulação em todo o país, abrindo canais de diálogo com todos os poderes e iniciativas privadas para a implantação de medidas educativas, informativas e culturais para a transformação social a respeito da violência contra a mulher. Essa é uma causa nossa, na coletividade. E não podemos silenciar mais para este cenário de tamanha brutalidade contra a vida das mulheres. Precisamos de políticas públicas eficientes para nossa segurança e de movimentos eficazes para garantir a liberdade de meninas, jovens e mulheres no nosso país, não podemos admitir nenhuma mulher a mais”, enfatiza Paula Limongi, diretora executiva do Instituto Banco Vermelho.
 
O ato 8M do Instituto Banco Vermelho conta com o apoio da Uninassau, por meio do Grupo SER. A instituição é uma das incentivadoras do movimento, recebendo nesta semana selo do instituto por ser o primeiro centro de ensino a estar engajado com o movimento em combate ao feminicídio e à violência contra a mulher. 
 
Instituto Banco Vermelho

Inspirado no movimento italiano Panchinni Rosse, criado em 2016 na Itália, o Instituto Banco Vermelho iniciou suas atividades com iniciativa pioneira no Recife, tendo como marco o Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher (25.11.2023), por meio de duas mulheres pernambucanas: a publicitária e ativista Andrea Rodrigues, e a gestora em Marketing Paula Limongi.

O movimento tem como propósito principal a conscientização da sociedade para a causa por meio da instalação de bancos vermelhos (cenográficos e funcionais) em espaços públicos e privados.
 
As estruturas contam com mensagens de reflexão sobre o tema, impactando as pessoas e incentivando que sentem, pensem sobre o assunto e ajam com relação ao que vivenciam na coletividade.

Além disso, o Instituto Banco Vermelho atua na articulação com os mais diversos poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), bem como com as empresas privadas, para o desenvolvimento e o engajamento de iniciativas que viabilizem a amplificação da pauta junto à população. O movimento também realiza ações culturais e educativas voltadas ao tema com os mais diversos públicos.

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