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Homem da Meia-Noite pede demarcação das terras indígenas

O cortejo homenageou os povos originários Xukuru, o Caboclinho 7 Flechas e o cantor e compositor pernambucano Marron Brasileiro

Publicado em: 11/02/2024 08:22 | Atualizado em: 12/02/2024 08:52

 (@homemdameianoiteoficial)
@homemdameianoiteoficial
O Homem da Meia-Noite arrastou uma multidão de foliões pelas ladeiras de Olinda na noite do sábado de Zé Pereira (10/2) e domingo de carnaval (11/2) com o tema “Terra indígena”. O cortejo homenageou os povos originários Xukuru, o Caboclinho 7 Flechas e o cantor e compositor pernambucano Marron Brasileiro. Entre frevo, toré e caboclinho o gigante mais amado do Brasil destacou a diversidade e a riqueza dos povos indígenas.

“Quando a gente pensou nesse tema, por incrível que pareça, pensamos mais nos valores que no território, que também é tão significativo e importante. É um tema que aguça uma importante reflexão para a humanidade. Como a gente surge de um povo que trabalha coletivamente, respeita a ancestralidade e a natureza e a gente constrói uma sociedade tão individualista, tão desafiadora e tão cruel que a gente vive? Isso precisa ser refletido para que a gente possa se transformar e transformar o mundo. É um grito de alerta”, ressalta o presidente do Homem da Meia-Noite, o professor Luiz Adolpho.

Traje de 2024
 
A imponente vestimenta, criada pela estilista Dayana Molina, descendente das etnias fulni-ô e Aymará, incorporou elementos marcantes da rica cultura dos povos originários. Cada detalhe da roupa refletiu com maestria a inspiração nos traços e símbolo, adicionando um toque de autenticidade e respeito à expressão artística no Carnaval de Pernambuco. “Eu passei toda a minha infância ouvindo histórias sobre o Calunga. Nunca imaginei que um dia eu faria parte desta história. Pense como fiquei surpresa e muito feliz. O povo Xukuru é a verdadeira representação deste tema. Eles têm uma influência decisiva neste traje”, revelou Dayana.
 
Na cartola, mensagens em defesa do povo indígena, como "Demarcação Já" e do meio ambiente: "Salvem a mata". 

História
 
O Homem da Meia-Noite é uma figura icônica e tradicional no Carnaval de Olinda, Pernambuco. Ele foi criado em 1931 e sua história é permeada de vários mistérios. A primeira fala sobre o amor do fundador Luciano Anacleto pelo universo do cinema, onde após assistir ao filme “O Ladrão da Meia-Noite” teve inspiração para criar o gigante. A segunda revela uma lembrança do músico Benedito Bernardino da Silva, criador da música oficial do Calunga, que fala sobre um homem elegante, com dentes de ouro e fraque verde e branco, que pulava as janelas das senhoritas para namorá-las. E a terceira possui forte ligação ao Candomblé, religião de matriz africana, por ter nascido no dia 2 de fevereiro, Dia de Yemanjá.

O gigante tornou-se uma tradição enraizada no carnaval do Brasil, simbolizando a alegria, a criatividade e a celebração da diversidade cultural. O bloco atrai foliões de todas as idades. O desfile do Calunga ocorre sempre na madrugada do sábado para o domingo de Carnaval, iniciando exatamente à meia-noite. Neste horário, o Calunga ganha vida e percorre as ladeiras do Sítio Histórico de Olinda com muita alegria e emoção.
 
As informações são do Correio Braziliense

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