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Infância Protegida: Estado lança plano para combater doenças respiratórias em crianças

As diretrizes do Plano de Contingência das Doenças Respiratórias Sazonais na Infância foram lançadas, nesta segunda (26), pelo Governo do Estado

Publicado em: 26/02/2024 18:15 | Atualizado em: 26/02/2024 20:07

As doenças do sistema respiratório foram a principal causa de internação entre crianças no Estado de Pernambuco no ano de 2023, especialmente nos meses entre março e agosto (Foto: Rafael Vieira/DP)
As doenças do sistema respiratório foram a principal causa de internação entre crianças no Estado de Pernambuco no ano de 2023, especialmente nos meses entre março e agosto (Foto: Rafael Vieira/DP)

Pernambuco vai implantar uma série de ações para evitar surtos de doenças respiratórias em crianças. As diretrizes do plano de contingência chamado "Infância Protegida" foram lançadas, nesta segunda (26), pelo Governo do Estado.

As doenças do sistema respiratório foram a principal causa de internação entre crianças no Estado de Pernambuco no ano de 2023, especialmente nos meses entre março e agosto, período que apresenta aumento considerável de casos de infecções virais e bacterianas.

Somente entre março e julho do ano passado, Pernambuco recebeu a notificação de 2,6 mil casos da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), na faixa etária de 0 a 12 anos de idade. Dos casos notificados, foi possível identificar o agente etiológico em 686 deles.

Por isso, um dos pontos centrais da iniciativa é garantir a abertura de 100 novos leitos públicos, na medida em que forem necessários, para receber as crianças em todo o estado. Para isso, está garantida uma verba  de R$ 9 milhões por mês. Esse dinheiro será usado para manter esses leitos. 

O anúncio foi feito durante uma solenidade, que contou com a presença da governadora Raquel Lyra (PSDB) e apontou metas do plano.

“A ideia é estabelecer ações para a uma oportuna detecção e resposta aos casos, surtos ou epidemias decorrentes da circulação dos vírus respiratórios na infância", informou a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti. 

A preocupação da gestão estadual é prevenir o risco de possível sobrecarga nos serviços de internamento pediátrico no Estado.

Como será

O governo anunciou, por exemplo,  a criação de um protocolo de atendimento estadual.
Essa será a regra que todo mundo precisará seguir para poder identificar os casos de forma precoce para oferecer o atendimento primário para as crianças.
  
De acordo com a secretária Zilda Cavalcanti, a ideia do Governo é estabelecer as ações para a detecção e resposta ao surto e epidemia decorrente da circulação desses vírus respiratórios na infância durante o período sazonal, entre março e agosto.

"Faremos isso de tal forma para prevenir o risco de possível sobrecarga nos serviços de internamento pediátrico no estado", disse. Ainda segundo ela, é preciso falar em "todas as medidas de prevenção".

Uma das metas é garantir a vacinação e a proteção das crianças, sobretudo, aquelas com menos de 2 anos, que têm mais risco de desenvolver os casos mais graves.

Os fatores que influenciam a sazonalidade de transmissão dos vírus respiratórios são as condições climáticas, umidade, densidade populacional, distanciamento, além da imunidade da população e as mutações virais.

Cavalcanti disse, ainda, que é necessário evitar "tudo que expõe essas crianças", como aglomerações e reforçar os cuidados com a lavagem das mãos.

A secretária justificou o lançamento do plano, dizendo que, quando existe uma sobrecarga muito grande de casos, há um aumento muito grande da demanda e uma dificuldade do sistema de saúde em atender todos. 

"No ano passado a gente chegou a presenciar dificuldades inclusive com o sistema privado. Existiam hospitais privados que existiam listas de espera de criança para UTI, então é uma situação de aumento de demanda com um número de leitos que nem sempre consegue ser aumentado ao nível da necessidade porque a nossa experiência inclusive no ano passado foi a falta de equipes inclusive especializadas da pediatria e da UTI pediátrica", observou.

Objetivos específicos
 (Foto: Rafael Vieira/DP)
Foto: Rafael Vieira/DP

Ainda durante a solenidade, foram anunciados os planos de ações e os objetivos específicos do plano de contingenciamento.

O objetivo principal é reduzir a morbimortalidade infantil (doenças causadas de morte em determinadas populações, espaços e tempos) relacionada ao período da sazonalidade dos vírus respiratórios, além de incrementar o atendimento Pediátrico no período de março a agosto de 2024, ampliar a oferta de leitos de assistência pediátrica.

O Plano de Ações ainda visa usar a telemedicina para ampliar o acesso à saúde de forma remota e a realizar campanhas publicitárias educativas.

Planos de ações

Entre os planos de ações estão:

  • Solicitação de antecipação da campanha anual de vacinação contra influenza ao Programa Nacional de Imunização para o fim de fevereiro; 
  • Orientação junto aos municípios para intensificar vacinação nas escolas e horário estendido dos postos de vacinação; 
  • Busca ativa de crianças que atendam os critérios de aplicação do Palivizumabe, um medicamento que induz imunização contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR); 
  • Proposta ao Ministério da Saúde de ampliação da utilização do Palivizumabe para crianças prematuras (nascimento com 29 a 32 semanas de gestação) e o monitoramento conjunto por estado e municípios da aplicação do Palivizumabe durante a sazonalidade.

O programa é bastante extenso e aindas prevê como planos de ações as seguintes medidas: 

  • Criação de protocolos de atendimento pediátrico para as redes estadual e municipais; Ampliação nas áreas de Atenção Primária, como pronto-atendimento de crianças em Unidades Sentinela; 
  • Ampliação de leitos para atender o período da sazonalidade pediátrica; 
  • As UPAs 24H, geridas pela SES, receberão incremento de recursos humanos e materiais.
  • Promoção de salas de espera dos usuários sintomáticos respiratórios. 
  • Recomendação de uso de máscara por profissionais da saúde e usuários nas áreas dos serviços de saúde destinadas a atendimento de pessoas com sintomas gripais, conforme nota técnica SES-PE Nº 2/2024. 
  • Estabelecimento de protocolo para regulação de leitos conforme gravidade dos quadros, com transparência na oferta e utilização dos leitos disponíveis.
  • Apoio aos municípios através de capacitação, orientação e disponibilização de teleinterconsulta.

Painel de Monitoramento

Será desenvolvido painel de acompanhamento da ocupação de leitos e Emergências Pediátricas nos moldes gerais utilizados durante a pandemia covid-19, para apoio nas tomadas de decisões com transparência da situação nas diferentes regiões do Estado.

A governadora Raquel Lyra  falou da importância do lançamento do plano de contingenciamento e citou algumas ações do plano para diminuir o sofrimento das mães e também das crianças que necessitam de atendimento.

"Estamos investindo R$ 9 milhões por mês para garantir o material humano, os insumos necessários para este enfrentamento com a abertura dos leitos adequados. E não estamos atuando somente durante a sazonalidade dessa síndrome, mas o ano inteiro. No ano passado criamos 135 leitos e já temos prontos mais 100 para serem abertos quando forem necessários. Então, a nossa expectativa é oferecer um tratamento mais eficiente para as crianças pernambucanas", afirmou Raquel Lyra.

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