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GUERRA DO TRÁFICO EM ITAMARACÁ

Chega a seis número de presos na guerra do tráfico em Itamaracá; participação em mortes de crianças é investigada

Capturas aconteceram desde sexta (23), horas depois que um menino morreu baleado dentro de casa e irmãos dele ficaram feridos

Publicado em: 26/02/2024 13:25 | Atualizado em: 26/02/2024 13:42

 (Foto: Divulgação/PCPE )
Foto: Divulgação/PCPE

Chegou a seis o número de  homens presos por suspeita de integrar facções criminosas rivais que estão em uma verdadeira “guerra pelo território do tráfico de drogas” em Itamaracá, no Grande Recife. 
 
As prisões foram detalhadas em uma coletiva à Imprensa, nesta segunda (26), na Secretaria de Defesa Social (SDS).
 
O Diario e Pernambuco já divulgado quatro dessas capturas, na internet, no sábado (24) e no domingo (25). 
 
A Polícia Civil confirmou que investiga a participação dos detidos nas mortes de duas crianças e na tentativa de homicídio de mais quatro pessoas, sendo duas delas, também menores de idade, na Comunidade da Biquinha, no bairro do Pilar, na área litorânea de Itamaracá.
 
Dos seis presos, quatro deles foram detidos na última sexta (23), horas após o menino Jackson Dantas, de 10 anos, ser executado a tiros dentro da casa onde ele morava. Dois irmãos da vítima, um de 7 anos e o outro de 12 anos, também foram baleados no ataque a tiros.
A SDS detalhou na manhã desta segunda (26), as prisões de suspeitos de integrar facções que estão disputando território do tráfico de drogas em Itamaracá, no Grande Recife  (Foto: Romulo Chico/DP )
A SDS detalhou na manhã desta segunda (26), as prisões de suspeitos de integrar facções que estão disputando território do tráfico de drogas em Itamaracá, no Grande Recife (Foto: Romulo Chico/DP )

Só a mãe deles e uma outra criança, de 4 anos, ficaram ilesas por causa da ação “bárbara” dos criminosos. 

Segundo o comandante do Grupo de Apoio Tático Itinerante  (Gati) do 26º BPM, sargento Carlos Alexandre, um dos suspeitos que foi detido pelo efetivo teria confessado a participação no ataque a tiros que vitimou o bebê Gael Lourenço do Carmo, de 10 meses, no dia 17 de fevereiro, em uma residência que fica também na Comunidade da Biquinha. 
 
O delegado titular da Delegacia de Itamaracá, Gilmar Rodrigues, disse que o suspeito, quando foi ouvido pelos investigadores, se reservou ao direito de ficar em silêncio. 
 
Com esse suspeito, foi apreendido um rifle calibre 44 de uso restrito das forças armadas israelenses, que a polícia investiga se é o mesma arma flagrada em um vídeo captado por imagens de circuito de câmeras de videomonitoramento que flagraram o grupo criminoso que atacou a casa em que Gael foi morto a tiros. 

Além desse suspeito, outro homem também foi preso por envolvimento na participação da facção criminosa que disputa o território do tráfico de drogas com outra organização criminosa. 

Embora a polícia não confirme, informações extraoficiais dão conta que os dois foram identificados como Jonata Luciano Vieira da Silva e Ytacio Ferreira da Silva. 

Além do rifle, com eles foram apreendidos Várias Munições De Cal.9mm, .38 e de .40, pedras de crack e 34 bigs de maconha. 
O comandante do Gati do 26º BPM, Carlos Alexandre, detalhou como foi a prisão da dupla suspeita de envolvimento na disputa do tráfico e em mortes em Itamaracá  (Foto: Romulo Chico/DP )
O comandante do Gati do 26º BPM, Carlos Alexandre, detalhou como foi a prisão da dupla suspeita de envolvimento na disputa do tráfico e em mortes em Itamaracá (Foto: Romulo Chico/DP )

“Em conjunto com a Polícia Civil, recebemos informes que dois indivíduos estavam escondidos, e fomos até ao endereço indicado. Quando o efetivo chegou, um dos suspeitos percebeu a presença dos PMs e correu. Tentou se desfazer de drogas e uma balança de precisão. Fizemos a prisão dele e apreendemos uma vasta quantidade de munições e anotações do tráfico. Em seguida, fomos até a casa de um outro suspeito, que foi encontrado com um rifle municiado e 50 munições. Esse suspeito, informalmente, confirmou que estava envolvido na participação nos homicídio do bebê. E, ele também confessou, que após atacar a casa da criança e da avó, meia gora depois, iria atentar contra um outro homem e que iria matá-lo a tiros com uma pistola 380”, disse o sargento Carlos Alexandre, comandante do efetivo do Gati que prendeu a dupla. 

Polícia investiga guerra por territórios 

Além da dupla presa pela PM, outros quatro homens foram capturados por suspeita de envolvimento em facções que disputam o comando do tráfico de drogas em áreas de comunidade como Biquinha, Morro da Fumaça, Ciranda da Ilha e Chié, todas em Itamaracá, na Região Metropolitana do Recife (RMR). 

Dos quatros presos, dois deles foram presos pela equipe de policiais civis da Delegacia de Itamaracá e a outra dupla detida por agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE). 

De acordo com o delegado Gilmar Rodrigues, titular do distrito policial daquela cidade, todos os quatro presos têm envolvimento com a disputa de facções que são lideradas por detentos reclusos no sistema prisional do Estado. 

“Existem indícios que esses suspeitos estejam envolvidos com as mortes em Itamaracá, não temos dúvida. Agora, é preciso a comprovação e robustez das provas das investigações que estão em curso pela 8ª Delegacia de Homicídios. Mas, o que já é sabido é a disputa da guerra pela liderança de territórios. A gente pode afirmar que há áreas que estão sob conflito de liderança, onde são alvos que cumpre ou que descumpre, que capta os dependentes, então, a PM e a Polícia Civil vão à campo para combater esse pessoal”, enfatizou o investigador. 
O delegado titular de Itamaracá, Gilmar Rodrigues, detalhou sobre as investigações acerca da disputa do tráfico de drogas na região  (Foto: Romulo Chico/DP )
O delegado titular de Itamaracá, Gilmar Rodrigues, detalhou sobre as investigações acerca da disputa do tráfico de drogas na região (Foto: Romulo Chico/DP )

Questionado se Gael e Jackson foram mortos pela guerra de lideranças do tráfico, o delegado salientou que: “Somente a Delegacia de Homicídios é que vai comprovar isso. Mas, em tese, há indícios que sim. Mas, só no final do inquérito policial é que vai se confirmar isto”, destacou Rodrigues.

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