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Crise na segurança pública

Paralisação de 24 horas da Polícia Civil atinge liberação de corpos no IML e audiências de custódia, diz Sinpol

Categoria suspendeu atividades nesta quarta (24) e cobra ao Governo de Pernambuco melhorias na estutura e nos salários

Publicado em: 24/01/2024 10:43 | Atualizado em: 24/01/2024 15:24

Caixão preto foi colocado na frente do IML, por causa da paralisação de advertência da Polícia Civil.  (Foto: Romulo Chico/ Esp DP Foto)
Caixão preto foi colocado na frente do IML, por causa da paralisação de advertência da Polícia Civil. (Foto: Romulo Chico/ Esp DP Foto)
A paralisação de advertência de 24 horas deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco, nesta quarta (24), afetou alguns serviços.
 
É o que afirma o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sinpol), Áureo Cisneiros.
Presidente do Sindicato de Policiais Civis de Pernambuco, Áureo Cisneiros. (Foto: Romulo Chico/ Esp DP Foto)
Presidente do Sindicato de Policiais Civis de Pernambuco, Áureo Cisneiros. (Foto: Romulo Chico/ Esp DP Foto)
 
Em entrevista ao Diario de Pernambuco, ele apontou a lentidão na liberação de corpos no Instituto de Medicina legal (IML), em Santo Amaro, na área central do Recife. 
 
De acordo com a entidade, esse é um serviço que está mantido nesta quarta. Os boletins de ocorrência devem ser feitos pela internet. 
 
Além disso, o Sinpol destacou o atraso nas audiências de custódia. É que os presos devem ir ao IML para fazer exames e, por causa do movimento, a rotina ficou comprometida. 
 
O sindicato informou que entre 25 e 30 corpos são liberados por dia, no IML do Recife.
 
Nesta quarta, os policiais colocaram um caixão preto na frente do prédio, simbolizando o luto pela falta de estrutura. 
 
"Hoje está muito mais lento, porque os médicos legistas e os agentes de medicina legal estão em operação padrão.  Estão respeitando inclusive a legislação e o protocolo daqui do IML", afirmou Cisneiros. 
 
Segundo ele, os envolvidos em audiências de custódia se acumularam ao longo da manhã.  
 
"Vai continuar a mobilização. Não dá para continuar recebendo o pior salário do Brasil, com falta de estrutura da polícia civil e também sem efetivos. Nós estamos trabalhando com 40% do que deveríamos ter de efetivcvo", declarou. 
 
 
O Sinpol diz que era para ter 11 mil policiais. Atualmente, são 5.300 homens e mulheres nas funções de polícia legislativa. 
 
"E desses 5.300, 1.400 já estão com tempo de serviço para se aposentar. Por isso há delegacias fechadas, e não tem policial, por exemplo, temos mais de 10 mil inquéritos de homicídios aqui na capital, sem investigação", acrescentou. 

O presidente do sindicato afirmou, ainda, que  o governo não está  atendendo aos pedidos.
 
"Disseram que abriram uma negociação, mas não mostraram nenhum documento. Até agora, não houve nenhuma reunião com ninguém", ressaltou. 
 
O médico-legista Carlos Medeiros afirmou que o movimento é em conjunto das Polícias Científica e Civil. 
 
"É o começo de grande e luta. Medicos e peritos unidos. Pedimos ao governo para discutir problemas estruturais e salários. Um problema grave. Seguimos em operação padrão", declarou.  
 
A equipe do Diario de Pernambuco foi até a central de Plantões da Polícia Civil, em Campo Grande, na Zona Norte.
Central de Plantões da Polícia Civil, em Campo Grande, na Zona Norte do Recife. (Foto: Romulo Chico/ Esp DP Foto)
Central de Plantões da Polícia Civil, em Campo Grande, na Zona Norte do Recife. (Foto: Romulo Chico/ Esp DP Foto)

Lá, o movimento nesta quarta era bem pequeno. Segundo informações repassadas pelas equipes, "se houver flagrante, eles vão fazer. Já o boletim de ocorrência, é solicitar que o cidadão compareça outro dia".
 
O vice-presidente do Sinpol, Raimundo Lino ressalta que a classe quer resposta e valorização.

''Nós não queremos a greve, queremos apenas que a governadora abra o diálogo com a segurança, que foi uma promessa que ela fez de campanha. O ano de 2023 passou e nada foi oferecido para as polícias. Queremos essa valorização para os policiais, que estão extremamente estressados, cansados, precisando de reenquadramento, que não está tendo reenquadramento, melhores condições de trabalho'', disse Lino.  
 
A gerente geral da Sinpol, Weslayne Holanda complementa que as condições ruins de trabalho e a desvalorização impacta também na saúde mental dos policiais.
 
''Afeta psicologicamente. A gente tem policiais afastados por problemas psiquiátricos, policiais que tiram a vida, em detrimento das cobranças, sem falar também que muitos policiais estão para se aposentar. Esse concurso não vai dar para suprir, porque se os que já têm tempo de serviço para se aposentar, se aposentarem, vai criar um caos geral'', alerta Holanda. 

O presidente do sindicato afirmou, ainda, que  o governo não está  atendendo aos pedidos.
 (Foto: Romulo Chico/ Esp DP Foto)
O presidente do sindicato afirmou, ainda, que o governo não está atendendo aos pedidos. (Foto: Romulo Chico/ Esp DP Foto)
 
  
Delegacias 
 
Na Delegacia de Água fria, na Zona Norte do Recife, as pessoas estava sabendo da paralisação.
 
Por isso, a movimentação foi pequena. Lá, os agentes estavam registrando apenas flagrantes. 
 
As delegacias do Alto do Pascoal, Vasco da Gama e de Casa Amarela realizam atividades padrão e também registraram baixa movimentação.

O Diario de Pernambuco procurou mais uma vez, a assessoria de comunicação da Polícia Civil, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. 

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