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''Grave desabastecimento de insumos'' levou Cremepe a fazer interdição ética parcial no Hospital Barão de Lucena

Segundo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco, medidas vão durar, a princípio, 15 dias, afetando internamentos para cirurgias eletivas

Publicado em: 19/01/2024 16:35 | Atualizado em: 19/01/2024 16:39

O Diretor de Fiscalização do Cremepe, Carlos Eduardo da Cunha fixou o documento de interdição do Hospital no início da tarde desta sexta (19) (Foto: Isabela Alencar/Cremepe)
O Diretor de Fiscalização do Cremepe, Carlos Eduardo da Cunha fixou o documento de interdição do Hospital no início da tarde desta sexta (19) (Foto: Isabela Alencar/Cremepe)
Um dia após anunciar a "interdição ética parcial" nos internamentos para cirurgias já marcadas no Hospital Barão de Lucena, no Recife, o Conselho Regional  de Medicina de Pernambuco (Cremepe) explicou que o motivo é o "grave desabastecimento de insumos". 

Nesta sexta (19), a direção da entidade disse que a questão causa grandes transtornos e sofrimento para pacientes, acompanhantes e também para a equipe médica.
 
No início desta tarde, os representantes do conselho foram ao hospital para colocar os lacres, mostrando a interdição parcial. A ação impacta as cirurgias eletivas e vai durar 15 dias, podendo ser prorrogada por mais 15.
 
Também existe a possíbilidade de ser ampliada ou suspensa, caso o hospital apresente alternativas para o bem-estar da saúde dos pacientes.
 
O Cremepe não soube informar quantas pessoas serão afetadas pela medida. 

Constatações

O presidente do Cremepe, Mário Jorge Lobo, afirmou que fiscais foram aos principais hospitais públicos do estado.
 
Nessas investigações,  foi constatada "uma dificuldade por parte da gestão pública de provisão de medicamentos, insumos e materiais básicos". 
 
Essas fiscalizações encontraram algumas inconformidades no Hospital Barão de Lucena.
 
De acordo com o Cremepe, três fiscalizações foram realizadas no local.
 
"Nessas fiscalizações foram notificadas a direção da unidade e foram dados prazos para que se resolvesse a inconformidade", informou a nota.
 
Ainda de acordo com o conselho, a fiscalização aconteceu em todos os setores do hospital, "de andar em andar". "Foi identificada uma incapacidade gerencial de provimento uniforme de acordo com a necessidade dentro de todos os setores".
 
O que foi feito 

Como de rotina, foi feito o monitoramento e o contato com a gestão hospitalar, segundo o Cremepe. 
 
A direção do conselho relatou, na entrevista, que foi informado para a gestão hospitalar que a adoção de  mecanismos utilizados para a manutenção mínima dos serviços seria a "contrapartida para que o hospital volte a normalidade". 

Em falta
 
O presidente do Cremepe detalhou alguns dos materiais básicos que estão em falta.
“Nós estamos falando de soro fisiológico, material plástico , para realizar procedimentos, fralda, além de medicamentos de primeira escolha como antibióticos de primeira linha. 
 
Segundo ele, há uma "necessidade urgente" de busca para a manutenção de cirurgias em dias anteriores de material anestesico, o que demonstrava uma certa fragilidade no processo de logística da instituição. 
 
"Foi também constatado, dito e isso reiterado por diversos colegas médicos, médicos residentes, em todo o hospital, a necessidade de cota para compra de medicamentos para a assistência dos pacientes. É isso mesmo que eu estou afirmando. Os médicos se cotizam, compram medicamentos para ofertar aos pacientes do SUS e isso como rotina, que é o nome dito pelo corpo clínico da unidade. ", declarou.
 
O presidente do conselho disse, ainda, que  alguns pacientes informaram também que eles mesmos faziam compras para seus pacientes, então, essa situação nos colocou numa necessidade imperiosa de uma posição cautelar.
 
Repercussão 
 
Entre os pacientes que estavam no pátio do hospital, encontramos o senhor José Fernando Fonseca, 75 anos e morador de Caruaru, agreste pernambucano.
 
Ele vem à capital de 15 em 15 dias para a realização de exames pré operatórios e hoje veio fazer um parecer cardiológico para realizar uma cirurgia pulmonar.
 
"Essa interdição para mim é uma surpresa bem desagradável, porque hoje eu fiz a consulta com o cardiologista que disse que eu posso fazer a cirurgia e está marcado para eu voltar aqui daqui a 30 dias para conversar com o médico que vai me operar. E se hospital tiver interditado vai complicar minha situação", disse o paciente.  

O que disse o governo
 
Na noite de quinta (18), após o anúncio da interduição ética parcial, a Secretaria Estadual de Saúde informou que "O Hospital Barão de Lucena (HBL) segue firme no desenvolvimento de estratégias e adotando medidas para manter a assistência e o cuidado aos pacientes, o que pode ser claramente evidenciado pelo quantitativo de atendimentos diários registrados pela unidade, nas mais variadas clínicas".
 
A pasta ressaltou que "em nenhum momento cirurgias foram suspensas por falta de insumos" e que recebeu uma notificação de interdição ética parcial da unidade por parte do Cremepe.
 
A pasta também destacou que "existe na unidade uma força-tarefa para otimizar a utilização do estoque disponível e agilizar a compra de insumos para evitar o desabastecimento na unidade".
 
De acordo com a diretoria do hospital, "os atendimentos na urgência e emergência estão mantidos normalmente na unidade, além dos procedimentos eletivos de cirurgia vascular e oncológicos".
 

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