Parentes e amigos se despediram de Ivan Maurício (Foto: Romulo Chico)

O corpo do jornalista Ivan Maurício foi velado nesta quarta-feira (3), no Cemitério de Santo Amaro, localizado na área central do Recife.
O comunicador, de 72 anos de idade, faleceu na noite da terça-feira (2), na casa de um dos filhos, na Zona Norte do Recife, devido a complicações de saúde.
O enterro foi marcado para a tarde desta quarta, no mesmo cemitério.
Ele ficou durante 42 dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para tratar um edema pulmonar seguido de uma infecção urinária grave, com sangramento no intestino por causa de uma úlcera.
Familiares, amigos e admiradores estiveram presentes para dar adeus e prestar homenagens a Ivan Maurício.
Em depoimento ao Diario de Pernambuco, o filho de Ivan Maurício, o publicitário Thiago dos Santos, 43 anos, falou sobre o sentimento de tristeza e até surpresa pela partida do pai.
"A ida dele pegou a gente um pouco de surpresa, porque ele esteve internado no hospital por dois meses e alguns dias. Foi internado em agosto e saiu dia 11 de outubro e vinha se recuperando muito bem’’.
Segundo Thiago, o jornalista já tinha recuperado o peso e tinha voltado a andar. "Ele estava super lúcido", afirmou.
Thiago contou que o pai começou a ter crises de ansiedade no final do ano, quando soube uma notícia da família.
"Ontem, ele falou a respeito, mas estava bem, já tinha deitado pra tentar dormir, quando começou a ter uma falta de ar, então provavelmente a causa da morte foi o coração, porque ele teve dois infartos quando foi hospitalizado, em agosto. Então, provavelmente foi isso’’.
Ainda de acordo com Thiago, todos passaram as festas de fim de ano juntos. Ivan deixou seis filhos, sete netos e também bisnetos.
Para o amigo do jornalista, José Damasceno, 59 anos, Ivan deixou diversos ensinamentos para todos que conviveram com ele.
‘’Ivan não só deixa o legado para os amigos e familiares. Deixou também um legado para a cultura de Pernambuco, com vários livros publicados. Ivan também era pintor, era artista plástico. Além de político, era um grande jornalista. Na verdade, foi uma pessoa que se destacou, não só em Pernambuco, mas a nível nacional como um grande jornalista, um homem que fazia plantão e que dava as notícias de primeira-mão’’.
Ao falar sobre Ivan, Damasceno ressaltou "a figura elegante e harmoniosa",. Também destacou os esninamento recebidos durante a vida inteira.
‘’Ele planejava escrever um livro agora para falar dos amigos. Ele estava fazendo uma listagem dos 500 amigos. E ele falava, contava um pouco de cada história que foi vivida com esses amigos. E aí ele estava planejando esse livro’’.
Carreira
O profissional teve uma longa trajetória no jornalismo e foi editor-chefe do Diario de Pernambuco.
Ivan também atuou como diretor de comunicação da Câmara Municipal de Olinda e foi secretário de imprensa do Governo de Pernambuco na gestão de João Lyra Neto.
Após se envolver na política, Ivan chegou a disputar uma vaga no Senado e seu projeto profissional mais recente foi o "Podcast Ivan Maurício".
Depoimentos
Fundador do jornal Papa Figo, Manoel Bione escreveu um depoimento sobre Ivan Maurício.
Ele disse que ao aber da morte do amigo sentiu "um grande pesar".
"Conheci Ivan ainda nos anos 1970. Fui apresentado por Romildo Araújo Lima (RAL), também falecido no ano passado. Então ele residia em um apartamento de frente para o Capibaribe, na Rua da Aurora.Era apaixonado pelas Artes Gráficas (inclusive, era muito bom desenhista). Ao assumir a editoria do Jornal da Cidade, nos convidou para trabalhar com ele (eu e RAL, de quem era grande admirador). Depois dessa bela experiência profissional, nossos caminhos voltaram a se cruzar. Eu trabalhava como chargista do Jornal do Commercio. Ele acabara de se tornar editor do Diário da Noite, que pertencia à mesma empresa do JC. Então, ele me chamou para também ficar como cartunista do então mui lido vespertino".
Ainda segundo o relato de Bione, alguns anos depois, os encontros escassearam.
"No entanto, ainda assim, quando nos encontrávamos, era como se nunca tivéssemos nos afastado, pois as histórias de nossas vidas são indeléveis. Boa viagem, grande Ivan. Desconfio que aonde fores deves te encontrar com RAL. E, juntos, fazer belas coisas universo afora!", acrescentou.
O irmão mais velho de Ivan Maurício, Sr. Francisco Aurélio, 84 anos, comerciante aposentado, comenta da relação familiar, na qual eram uma família de sete irmãos, uma mulher e seis homens; e que agora só ele e Saulo Monteiro, ortopedista estão vivos. Sr. Francisco ainda ressalta como era o seu irmão no lado pessoal e também profissional.
‘’Do Ivan fica uma imagem maravilhosa, diferente do sentido de ser uma pessoa excepcional, uma pessoa que está muito à frente do tempo dele já naquele tempo. Se revelou como jornalista, se revelou como pessoa, sempre ajudou o próximo, sempre foi uma pessoa prestativa e uma parte coletada dele que sempre me chamou atenção foi a honestidade, não se deixar corromper. Ele sempre foi uma pessoa disposta a atender todas as pessoas. Eu me lembro que ele me disse que no lugar quando ele chegava que tinha chefia, ele tirava logo as portas para poder todo mundo se atendido e não tinha esse negócio de alguém ficar esperando, uma pessoa solicita, é esse exemplo que fica do dia de solidariedade, fraternidade, de ajudar o próximo, sobretudo de ser uma figura humana extraordinária, que é muito difícil no tempo de hoje’’.
Para Antônio Lavareda, amigo de Ivan, com quem trabalhou por vários anos, conta como era a relação de trabalho e a história que ele deixou.
‘’O Ivan, além de amigo, foi um colaborador super importante nosso, na MCI, a nossa empresa de consultoria política institucional, nela, foram diversas atividades e muitas fases da trajetória da empresa, ele durante muitos anos desempenhou a coordenação, a direção do escritório que nós tínhamos em Fortaleza’’.
Antônio ressalta que, como tal, ele teve um papel destacado em campanhas eleitorais, a maioria delas, graças a Deus, exitosas e na comunicação de sucessivos governos.
’'Eu conheço o Ivan Maurício há muito tempo, nos aproximamos em 1985, na campanha de Jarbas, quando ele coordenava a comunicação da campanha e eu atuava como um colaborador, uma espécie de consultor de estratégia política daquela campanha. Também naquele mesmo ano, Ivan foi escolhido, foi apontado para ser o presidente da Comissão Provisória do PSB, partido pelo qual Jarbas viria a ser candidato, uma vez que havia perdido a legenda para o grupo político do seu então opositor, Sérgio Murilo. Ivan assumiu essa posição e aquela comissão executiva, que era a primeira do partido em Pernambuco, tinha também na tesouraria a então estudante de Direito, Ebi Silveira, e como secretário-geral, eu, que então completava o trio que, entre outras coisas, teve a frente da Convenção Municipal que sagrou a candidatura de Jarbas Vasconcelos, perdemos um grande amigo, uma pessoa valiosíssima, um talento profissional inigualável e que deixa uma história aí, uma trajetória tão rica que com certeza vai servir durante muitos e muitos anos de inspiração, sobretudo para os jovens que queiram empreender aí essa saga da comunicação’’.
Segundo o jornalista Marcelo Mário de Melo, Ivan foi uma grande inspiração.
‘’O Ivan Maurício é uma das grandes referências do jornalismo em Pernambuco, desde o início da carreira dele, ele começou com um grande furo, uma grande reportagem, que foi o furo da questão do bisu do vestibular, né? Logo em seguida ganhou o Prêmio S de Jornalismo, foi o grande articulador do Jornal da Cidade, jornal que fez sucesso aqui, um grande editor de um jornal altamente lido. Depois, como editor do Diário da Noite, ele foi uma coisa incrível, o jornal, a tiragem triplicou ou quadruplicou, entendeu? Então, ele fez escola, ele inspirou muitos jovens jornalistas, porque ele, como chefe de redação, ele editando matérias, ele formou muita gente com esse espírito dele. O espírito prático, assim, não era aquele que fazia a matéria, fria, ia para a rua, pegar coisas vivas, reportagens vivas, entende? Além disso, e depois tem todo o desempenho dele na área da publicidade, né? Das campanhas eleitorais, publicidade governamental, etc. E tem também uma coisa que é pouco conhecida de Ivan, ele foi secretário do governo de Armando Coelho, e ele começou um trabalho relativo ao meio ambiente da mais extrema e importância na época, que foi uma coisa pioneira, reciclagem de lixo, compostagem, limpeza das praias, uma visão muito ampla do jornalismo’’ enaltece Marcelo.
O quarto filho de Ivan Maurício, Thiago Santos uma das caracteristicas mais admiráveis do pai era o interesse dele na vida.
''Eu acho que o exemplo pra mim mais forte é essa questão da ética, ele era um cara muito correto, um cara que sabia conviver com todo mundo. Ele era muito democrático na prática, né? De conviver com todos, conviver com a diferença, de dialogar. Mas eu acho que pra mim o que dá mais vontade de falar é o que a gente tinha de parecido, assim, o pai era muito com interesses diversos, né? Ele era muito da cultura, já foi muito agitado cultural, muito ligado à arte, ligado à política. Ele é muito interessado na vida, ele tem um amor pela vida muito grande. Isso aí eu sinto uma conexão muito grande, tem que ser muito parecido nesse sentido. E ele talvez mais do que eu, porque eu acho que ele se jogava mesmo nas coisas do mundo, de conhecer as pessoas, de conhecer as coisas, participar dos movimentos. Ele era... E aí me lembra Torquato Neto, ele era apaixonado por Torquato Neto, eu era também, eu não sabia que ele era, e depois ele me deu um livro, no livro ele escrevia, inclusive ele escreveu um texto no livro dizendo que sentia a morte de Torquato como se fosse a morte dele, e eu amava Torquato e não sabia que o meu pai... A gente tinha muita afinidade, e coisas que eu fui descobrindo, sempre, sempre, sempre, ao longo da vida eu descobria mais coisas que a gente tinha em comum''.
Com carinho, Igor dos Santos, 2º filho de Ivan, pontua que seu pai também era seu melhor amigo.
‘’Pai, um amigo, acho que o meu melhor amigo, ele conversava muito, um mestre da vida, das coisas de trabalho, meu pai era sempre muito focado no trabalho, talvez tivesse uma certa dificuldade de expressar o amor que ele sentia pelos filhos, mas ele tinha um grande amor, ele só tinha essa dificuldade de expressar esse amor que ele sentia por todos, pelos filhos, e como uma história que não me contou, eu fui morar com ele, eu fui acompanhado, aí eu saía pulando de casamento em casamento, de casa em casa. Ele casou com Zélia, depois com a Adriana, a gente morou junto, eu morei junto com Zélia, depois com a Adriana e aí foi quando eu me casei, mas a gente sempre se manteve junto, porque aí ele fundou a Editora Coqueiro e a gente foi tocando a Editora Coqueiro junto com ele, ele foi para o Ceará, mas continuava com as coisas da Editora Coqueiro aqui e com as atividades também de comunicação que a gente fazia junto, algumas coisas, e foi isso. Quando aconteceu o problema de saúde, ele voltou e passou a morar lá em casa, ele estava fazendo a recuperação lá em casa e a gente já tinha conversado que ele ia continuar morando comigo.’’
Igor ainda continua ressaltando alguns dos ensinamentos que o pai deixou.
''A integridade, muito amigo dos amigos, os amigos dele, eles adoravam ele. E a simplicidade franciscana que ele dizia, isso aí era uma coisa que era exemplo constante dele, que daqui a gente não leva nada, a gente só precisa do mínimo, ele dizia 'Só preciso do mínimo, muito pouco eu sobrevivo'. E ele deu aquela vontade de fazer, essa vontade de contar essas coisas 'eu preciso de muito pouco para mim'. Externa Igor dos Santos.