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Cerimônia Águas de Oxalá abre caminho para o carnaval 2024 em Olinda

O ponto alto foi quando o babalorixá Tata Raminho de Oxossi e o monsenhor Maurício se encontraram para dar as bênçãos aos presentes. Em seguida, houve a lavagem do adro da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim com água de cheiro.

Publicado em: 14/01/2024 22:44 | Atualizado em: 14/01/2024 22:59

Evento aconteceu neste domingo (14) (Rômulo Chico/DP)
Evento aconteceu neste domingo (14) (Rômulo Chico/DP)

 
A 44ª edição da cerimônia popular das Águas de Oxalá abriu os caminhos para o carnaval 2024 de Olinda. Com apoio da Prefeitura de Olinda e da Fundarpe e promovido pelo terreiro Oxossi Ibualama, o evento contou com um cortejo que partiu da Igreja do Bonfim, no Carmo, e foi até o bairro da Villa Popular.
 
Chegando de diferentes cantos da cidade, os grupos Os Afoxés Ara Odé, Alafin Oyó, Oya Alaxé e Tambores de Ogum participaram do início da concentração da cerimônia, que foi marcada também pela presença da cantora Karynna Spinelli, com show de lançamento da música feita para o evento, e pelo grupo Voz Nagô, com cantos sagrados em nagô. O babalorixá Tata Raminho de Oxossi e o monsenhor Maurício deram as bênçãos a todos e, em seguida, as baianas fizeram a lavagem do adro da igreja, simbolizando a purificação das ruas e avenidas.
 
 
A cerimônia contou com a presença de pessoas de várias religiões, foliões aquecendo a energia do carnaval de Olinda e moradores da região que estão debutando no evento, como é o caso do biólogo Rodrigo Queiroz. 
“Moro aqui no Sítio Histórico e alguns amigos meus já vinham há algum tempo, então eu já sabia bem do evento e tinha bastante vontade de vir conhecer. Quando soube a programação pelas redes da prefeitura de Olinda, aproveitei para estar aqui, já que estou precisando abrir meus caminhos depois de um 2023 muito preso. Sinto que Oxalá pode me proporcionar essa liberdade”, conta ao Diario de Pernambuco.
“Estou há alguns anos com esse projeto de conhecer várias religiões, e este ano pretendo ir a terreiros também e ficar mais familiarizado com as religiões de matriz africana”.
 
Sílvio Botelho, organizador do evento, destacou o crescimento o evento nesta 44ª edição. “Esse ano nós ganhamos uma amplitude considerável. Estamos fazendo tudo de forma ainda maior do que nas últimas edições, principalmente para que o público tenha uma programação intensa, com o apoio fundamental da Fundarpe, nos seus 50 anos de história”, afirmou Sílvio. “É preciso somar os esforços de nações para que as pessoas que são de religiões de matrizes africanas tenham condições de depositar sua fé, e estamos aqui também para isso”, completou.

Já frequentadora assídua da cerimônia Márcia Eugênia de Moura, aposentada, reafirmou sua fé no seu orixá e o motivo de estar novamente presente ao Águas de Oxalá. “Pertenço à casa do Pai Nelson, lá no Alto de Santa Terezinha, e desde muito criança faço parte da Umbanda. Venho há cinco anos ao evento, porque sempre recebemos convites e vimos juntos com o grupo e também gostamos de vir sozinhos. A nossa religião é muito desacreditada e desvalorizada por grande parte da população e a cerimônia Águas de Oxalá é muito importante para lembrar as pessoas de que a nossa fé permanece muito viva. Eu mesma tenho uma fé inesgotável no meu orixá, Oxum, que não tem me deixado faltar nada”, afirmou.

 Anderson Nogueira, organizador, explicou as intenções primordiais dessa celebração. “A cada ano a gente fortalece mais os nossos laços não só com a Igreja Católica mas com os diversos segmentos que estão a abertos a dar continuidade a essa nossa política de paz, de amor ao próximo, de possibilidades de convívio numa sociedade mais justa e igualitária. Queremos fomentar nossa luta contra a discriminação de cor, de raça, de gênero. Os direitos precisam ser conhecidos e exigidos. O nosso ato é religioso, político e de amor. Porque é possível fazer uma história diferente, mesmo que seja para as gerações que virão, já que adiante serão outras pessoas que estarão a frente nessa luta e a Água vai ter deixado sua mensagem”. 

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