Vida Urbana
Violência
''Acho que não consigo mais subir em um ônibus'', diz motorista agredido em briga de trânsito
Paulo José foi agredido por um motociclista enquanto trabalhava
Publicado: 11/01/2024 às 19:03
Assim que levou o golpe, que cortou sua testa, o condutor ficou desacordado e foi amparado por um colega de profissão que estava no ônibus (Foto: Reprodução)

"Acho que não consigo mais subir em um ônibus. Sinto medo e me sinto desprotegido em meu próprio ambiente de trabalho”.
A declaração é do motorista de ônibus Paulo José, de 44 anos, que foi agredido por um motociclista em Marcos Freire, Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife (RMR).
O rodoviário concedeu entrevista ao Diario de Pernambuco e contou como aconteceu a discussão que culminou nas agressões que sofreu, nessa quarta-feira (10), quando conduzia um coletivo que faz a linha 164 - Marcos Freire/TI Cajueiro Seco.
“Eu sai às 17h10 do Terminal Integrado Cajueiro Seco e, no caminho, os dois indivíduos estavam na motocicleta, trafegando na contramão. Desviei o carro para evitar que um acidente grave acontecesse. Salvei a vida deles, mas vieram atrás do ônibus. Começaram a discutir comigo, falar palavras de baixo calão e estouraram (deram um golpe) o parabrisa. Quando eu botei a cabeça do lado de fora da janela, um deles me deu um golpe de capacete que atingiu a testa”, narrou o rodoviário, acrescentando que registrará ainda nesta quinta (11) um Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia de Plantão de Prazeres, também em Jaboatão dos Gararapes.
Assim que levou o golpe, que cortou sua testa, o condutor ficou desacordado e foi amparado por um colega de profissão que estava no ônibus.
“Eles vieram atrás de mim, pararam a moto na frente do coletivo e já foram me agredindo verbalmente. Eu ainda queria apaziguar, e um deles me agrediu. Apaguei na hora. Eu só acordei quando já estava sob cuidados, lá no Hospital da Restauração”, disse o rodoviário.
O motorista passou por exames no HR e ficou em observação, mas recebeu alta na manhã desta quinta (11).
Trauma
Paulo José tem 20 anos de dedicação ao ofício de motorista de ônibus. Foi a primeira vez que ele foi agredido durante o exercício da função.
“Me sinto totalmente sem segurança, com medo. Era pra ter mais segurança para a gente. Eu não consigo nem subir em um ônibus, me sinto desprotegido. Fica, infelizmente, o trauma”, lamentou o rodoviário, acrescentando que ainda sente fortes dores na cabeça e enjoos.
O presidente do Sindicato dos Rodoviários do Grande Recife, Aldo Lima, disse que o caso exemplifica a vulnerabilidade dos motoristas de ônibus.
“Desde a retirada dos cobradores das funções, o motorista está muito exposto e sem um apoio, até mesmo para estas situações. Temos observado durante os últimos tempos que a concepção da desvalorização do rodoviário está crescendo cada vez mais ao ponto dos trabalhadores não serem respeitados até mesmo no seu local de trabalho. Sempre orientamos aos companheiros que mantenham a calma e procurem apoio quando aconteça uma ocorrência de discussão de trânsito. Porém, infelizmente, casos assim ainda acontecem, colocando em risco a vida do rodoviário”, avaliou.
A reportagem do Diario de Pernambuco entrou em contato com a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) para saber se a corporação havia registrado a ocorrência, no entanto, até o fechamento desta matéria, a assessoria de imprensa da corporação informou que estava checando a informação.
Últimas
Mais Lidas