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Preconceito

Alunos com espectro autista são alvos de mensagens capacitistas na UFPE

Caso foi denunciado pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara Municipal do Recife

Publicado em: 18/12/2023 21:10 | Atualizado em: 18/12/2023 21:26

 (Foto: Divulgação/UFPE)
Foto: Divulgação/UFPE

Frases capacitistas contra pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) foram encontradas no banheiro do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O caso foi exposto nas redes sociais e denunciado nesta segunda-feira (18) pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara Municipal do Recife, o vereador Marco Aurélio Filho.

As mensagens de caráter discriminatório inferiorizam as pessoas diagnosticadas com o transtorno e exige que elas deixem o curso de Psicologia. Entre os dizeres estão: “autista psicólogo é ridículo!”; “autista nesse curso é ridículo”; “fora autista”; “ninguém quer ser atendido por um autista”.

Durante o discurso realizado nesta segunda-feira, o parlamentar chamou a atenção para o fato de que as frases foram escritas por estudantes do curso de psicologia. “Essa situação é extremamente preocupante. Primeiro porque contraria todos os princípios de respeito aos Direitos Humanos, pilares da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Além disso, e mais alarmante, é que estamos falando de estudantes de psicologia em formação que vão lidar com pessoas autistas no seu futuro profissional”, afirmou.

Marco Aurélio Filho também disse que já encaminhou ofício para a reitoria da UFPE para que o caso seja investigado e que os envolvidos sejam identificados e responsabilizados.

“Capacitismo é crime! Não podemos ser coniventes com isso. Temos a certeza que a UFPE vai tomar as medidas cabíveis para coibir esses atos discriminatórios que não representam a instituição. Já solicitamos uma reunião com o Reitor Professor Alfredo Gomes para que possamos fazer ações conjuntas através da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania que presidimos”, disse.

O capacitismo pode ser entendido como o preconceito e a discriminação que a pessoa com deficiência vive na sociedade por ter sua existência relacionada à incapacidade e inferioridade. Entre os termos capacitistas mais comuns estão: doente, anormal, aleijado, inválido, portador de deficiência e especial.

UFPE se pronuncia

A UFPE publicou um posicionamento na tarde desta segunda-feira e informou que já “acionou todos os setores competentes para imediata atuação”. 

De acordo com a universidade, “foram encaminhadas a pintura e a limpeza dos espaços; averiguação de evidências para identificação dos responsáveis e a disponibilização do Núcleo de Acessibilidade (Nace) para atendimento e acolhimento a todos os membros da comunidade”.

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