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Em três anos, 68 PMs foram presos por envolvimento em crimes ou atos delituosos, diz corregedoria da SDS

Os números vieram à tona depois das prisões de seis policiais militares do Bope que participaram de ação com dois mortos na Comunidade do Detran

Publicado em: 23/11/2023 12:20 | Atualizado em: 23/11/2023 12:21

Somente nos dez primeiros meses de 2023, foram 25 detenções de PMs registradas pela Secretaria de Defesa Social (SDS) (Foto: Freepik)
Somente nos dez primeiros meses de 2023, foram 25 detenções de PMs registradas pela Secretaria de Defesa Social (SDS) (Foto: Freepik)
Nos últimos três anos, 68 policiais militares foram detidos por cometer algum crime militar ou ato delituoso em Pernambuco. Somente nos dez primeiros meses de 2023, foram 25 detenções de PMs registradas pela Secretaria de Defesa Social (SDS).

Esses dados são da Corregedoria-Geral da pasta, que informou que todos eles foram presos por terem cometido atos infracionais, como roubos, envolvimentos com homicídios e desvios de conduta. 

Antes de serem expulsos, eles foram alvo de sindicâncias investigativas da Corregedoria-Geral. Nesses procedimentos,  foram constatados crimes militares,  que provocaram as detenções. 

Além das prisões, de janeiro a outubro deste ano, foram contabilizadas 51 exclusões do quadro da PM. 
Esse número equivale a um aumento de 27,5% de expulsões em comparação com os 12 meses de 2022, quando foram contabilizadas 40 exclusões. 

Além disso, a Corregedoria-Geral analisou mais de 2,5 mil casos de denúncias de violência policial ou atos infracionais e crimes cometidos por PMs. 

Segundo o órgão, nos dez primeiros meses 373 processos administrativos disciplinares foram julgados, incluindo acusações contra policiais civis, militares, penais e bombeiros. 

Desse total de denúncias registradas pela corregedoria, 19% foram de casos de lesão corporal, 7% de abuso de autoridade, 5% de mortes em decorrência de intervenção policial e 69% de outros tipos de atos delituosos. 

Detran
 
Equipes do Bope entraram em uma casa na comunidade e dois homens foram mortos a tiros (Foto: Rômulo Chico/DP)
Equipes do Bope entraram em uma casa na comunidade e dois homens foram mortos a tiros (Foto: Rômulo Chico/DP)
Os dados vieram à tona após as prisões preventivas de seis dos noves PMs do Batalhão de Operações Especiais (Bope) envolvidos na operação que resultou na morte de dois homens, na Comunidade do Detran, na Iputinga, na Zona Oeste do Recife. 

Na segunda (20), equipes do Bope entraram em uma casa na comunidade e dois homens foram mortos a tiros. 
 
As vítimas foram identificadas como Rhaldney Fernandes da Silva Caluete, de 31 anos e Bruno Henrique Vicente da Silva, de 28 anos.

De acordo com o judiciário, Carlos Alberto de Amorim Júnior, Ítalo José de Lucena Souza, Josias Andrade Silva Júnior, Brunno Matteus Berto Lacerda, Rafael de Alencar Sampaio e Lucas de Almeida Freire Albuquerque Oliveira tiveram as prisões em flagrante convertidas em prisões preventivas   

Os seis PMs presos preventivamente encontram-se recolhidos no Centro de Reeducação da Polícia Militar (Creed), em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife (RMR). 

As prisões foram decretadas por um juiz plantonista na quarta (22),  após audiência de custódia realizada no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, na Joana Bezerra, na área Central do Recife. 

Ainda na quarta, o alto comando da PM anunciou a saída do comandante da unidade. Wambergson Correia Melo será substituído interinamente por José Rogério Diniz Tomaz a partir desta quinta-feira (23). 

Cronologia das prisões de PMs 

Segundo relatório da Corregedoria-Geral da SDS, em 2022 foram registradas 32 detenções de PMs no estado. Se comparado com o ano anterior, o aumento foi de 190%, no qual 2021 contabilizou 11 prisões de policiais. 

Já as exclusões, foram registradas 40 casos em 2022, o que equivale a uma redução de 29%, já que em 2021 foram contabilizadas 57 expulsões do quadro da PM. 

O que diz o Gajop
 
O caso foi registrado como duplo homicídio ''decorrente de operação policial'' (Foto: Divulgação/SDS)
O caso foi registrado como duplo homicídio ''decorrente de operação policial'' (Foto: Divulgação/SDS)

Procurada pela reportagem do Diario de Pernambuco, a coordenadora-executiva do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop), Edna Jatobá, avaliou que o aumento no número de denúncias que chegaram à corregedoria é reflexo de uma maior iniciativa da sociedade de coibir as práticas irregulares por parte dos agentes das forças de segurança.

“Observamos que houve um aumento no debate da sociedade sobre a atuação da polícia. Quando a sociedade começa a perceber que as denúncias de alguma maneira serão investigadas, podem aumentar a notificação. Não podemos afirmar se os procedimentos aumentaram porque as ocorrências estão acontecendo, ou se aumentaram porque a população tem tido respaldo ao realizar as denúncias. Isso é uma coisa à ser estudada”, avaliou Edna Jatobá. 

Ainda de acordo com ela, o aumento no número de exclusões também reflete numa maior produtividade das investigações do controle externo policial. 
“As exclusões de agentes é um processo demorado. Mas, existe nitidamente uma maior articulação e empenho do controle externo da atividade policial por parte do Ministério Público para a investigação dos casos. Se existe uma resposta rápida do governo do estado em situações em que a polícia excede ou age de forma irregular. Essas duas questões juntas podem apontar para um maior sentimento da sociedade de acreditar que a denúncia pode surtir algum efeito. Os indícios apontam nesse sentido. Quanto mais denúncia, mais investigação. Quanto mais investigação, mas a polícia se sentiu inibida para atuar de forma irregular”, avaliou Edna Jatobá. 

Ela também acredita que uma parte das denúncias que chegam na corregedoria está relacionada com a crescente nos dados de mortes em decorrência de intervenções policiais. 

“O número de denúncias na corregedoria também se correlaciona com a letalidade nas intervenções policiais e da maneira como se ocorre isso. Então, os PMs ‘se sentem à vontade’ para agir desta forma nas comunidades. Pois,  tivemos um aumento de 20% no casos de mortes em decorrência de intervenção policial em 2023”, apontou a representante do Gajop. 

Como foi a operação na Comunidade do Detran

Na noite de segunda (20), integrantes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) entraram na comunidade do Detran, na Iputinga, na Zona Oeste da capital, em busca de suspeitos de tráfico de drogas. A operação deixou dois mortos a tiros. 
 
A operação começou por volta das 19h30 de segunda. O alvo seria um homem conhecido como ''gerente'' do tráfico de drogas na comunidade. 

Os PMs entraram em uma casa, onde estavam os dois suspeitos. Imagens divulgadas em redes sociais mostram parte dessa operação. 
 
Primeiro, foram retiradas mulheres e crianças da residência. Os dois homens baleados ainda foram socorridos pela PM e levados para Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Caxangá, na mesma região, mas não resistiram aos ferimentos. 

O caso foi registrado como duplo homicídio ''decorrente de operação policial''. 

Ainda segundo informações extraoficiais, os PMs do Bope ''revidaram a agressão'' dos suspeitos. No entanto, de acordo com o diretor adjunto de Planejamento Operacional da PM, Fred Saraiva, nenhum policial militar foi ferido durante a operação.
 
O caso teria sido enviado para a Corregedoria-Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) para apurar a conduta dos policiais envolvidos. 
 
Depois da operação, moradores fizeram um protesto e queimaram um ônibus.
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