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CASO DETRAN

''A PM entendeu que houve o cometimento de um crime'', diz secretário de Defesa Social sobre ação do Bope que deixou dois mortos

Uma semana depois da operação na Comunidade do Detran, no Recife, Alessandro Carvalho falou sobre o episódio que provocou prisões de PMs e saída do comandante do batalhão

Publicado em: 27/11/2023 17:19 | Atualizado em: 27/11/2023 20:53

Secretário de Defesa Social. Alessandro Carvalho, falou pela primeira vez sobre o caso do Detran, no qual uma operação policial do Bope resultou na morte de dois homens, no dia 20 deste mês (Rômulo Chico/DP)
Secretário de Defesa Social. Alessandro Carvalho, falou pela primeira vez sobre o caso do Detran, no qual uma operação policial do Bope resultou na morte de dois homens, no dia 20 deste mês (Rômulo Chico/DP)
 
Durante a solenidade do lançamento do "Plano Juntos Pela Segurança", nesta segunda (27), o secretário de Defesa Social (SDS), Alessandro Carvalho, falou pela primeira vez sobre a ação policial que aconteceu da Comunidade do Detran, na Iputinga, na Zona Oeste do Recife. 
 
No dia 20, dois suspeitos de tráfico foram mortos a tiros após a invasão de uma casa.  Nove policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram punidos, sendo seis presos preventivamente e três respondendo em liberdade sob cumprimento de medidas cautelares impostas pela Jusitça. 
 
Carvalho afirmou, em entrevista ao Diario de Pernambuco, que a Polícia Militar deu uma resposta, mesmo que preliminarmente, sobre o caso.
 
“Nós demos uma resposta, no caso do Detran, não somente dos policiais que estavam envolvidos e a PM entendeu que houve o cometimento de um crime”, enfatizou. 
 
O posicionamento do gestor da pasta aconteceu durante a cerimônia que detalhou as metas e diretrizes do novo plano de segurança do governo do Estado, que aconteceu na Arena de Pernambuco, em
 São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife (RMR).
 
O Governo de Pernambuco prevê um investimento na ordem de R$ 1,3 bilhão para reforçar a segurança no Estado e pretende reduzir índices de violência em 30%, até 2026. 
 
Ao ser questionado sobre o caso, o titular da SDS também falou sobre as punições aos PMs.
 
"Houve uma avaliação de que houve uma invasão de domicílio e eles (PMs) foram autuados por isso. Há outros crimes que ainda estão sendo apurados e, que, se comprovados, os policiais irão responder sempre com o direito de defesa”, destacou o secretário. 
 
A citação do secretário de que outros crimes ligados aos seis PMs presos preventivamente serão investigados foi tema de uma reportagem do Diario de Pernambuco.
 
Segudo a matéria, quatro dos seis PMs detidos de envolvimento no caso já responderam por processos na Justiça anteriormente, por atos cometidos durante atividade policial. 
 
A reportagem foi publicada no dia 23 deste mês. De acordo com dados da Consulta Processual do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), esses policiais, citados pela própria corte, já possuem registros anteriores por delitos diferentes. A SDS diz que todos foram arquivados. 
 
Durante a solenidade, o secretário foi questionado sobre a ausência de metas e diretrizes da questão da letalidade policial, que não foi englobada no "Juntos Pela Segurança". 
 
Carvalho defendeu que a SDS irá trabalhar em cima da questão e, ao mesmo tempo, aproveitou para ressaltar a resposta que a PM deu sobre o caso do Detran. 
 
“A resposta foi dada com a substituição do comandante do batalhão (Bope). O coronel Tibério (Comandante-Geral da PM) fez reuniões na semana passada e a gente vai cobrar isso uma atenção a todo o momento. Tenha certeza que não é da nossa intenção trabalhar fora dos limites legais e sempre respeitando os Direitos Humano”, ressaltou o secretário. 
 
Ainda sobre outros casos de letalidade policial no Estado, Carvalho enfatizou: “Eu defendo o uso seletivo da força. Se é necessário para defesa do policial, da força estritamente necessária, eu defendo. Agora, quem atua com excesso, deverá responder por excesso. Isso pra mim é cristalino. Tem o Ministério Público fazendo o controle externo e diversas ONGs também. Então, defendo que façamos sempre um trabalho de forma clara e respeitando os Direitos Humanos”, complementou.
 
Entenda o caso
 
Todos os nove PMs envolvidos na ação são do Bope. Morreram na operação: Rhaldney Fernandes da Silva Caluete, de 31 anos, e Bruno Henrique Vicente da Silva, de 28 anos. 
 
Os nove PMs são alvo de três inquéritos diferentes, sendo um da Polícia Militar (Inquérito Policial Militar), um do Departamento de 
Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil e outro sendo uma sindicância interna da Corregedoria-Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS).
 
Eles participaram da operação em busca de suspeitos de tráfico de drogas. São cinco soldados, dois sargentos e dois cabos.

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