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Familiares das vítimas em Camaragibe negam entrada no programa de proteção do Governo

A família de Ana Letícia, uma das vítimas baleadas, não está de acordo com as normas do programa

Publicado em: 20/09/2023 16:42 | Atualizado em: 20/09/2023 17:49

As famílias das vítimas solicitam medidas de proteção e intensificação do policiamento no local do crime (Foto: Reprodução)
As famílias das vítimas solicitam medidas de proteção e intensificação do policiamento no local do crime (Foto: Reprodução)

Familiares das vítimas baleadas durante uma ação da Polícia Militar em Camaragibe, na semana passada, recusaram as diretrizes do programa de proteção do Governo de Pernambuco, após reunião na manhã desta quarta-feira (20).

De acordo com Aline Maciel, advogada da família de Ana Letícia Carias, a grávida de 19 anos atingida por disparos, explica que o programa oferecido pelo governo exige que a família corte acesso com parentes, amigos e com toda a internet, além de perder o acesso ao advogado constituído. Ana letícia continua internada no Hospital da Restauração. 

Outro requisito do programa de proteção é a mudança de endereço, norma que a família de Ana Letícia discorda. “Eles moram ali há mais de 40 anos e não querem sair, não querem abandonar tudo que construíram, não querem abandonar a convivência com a família, com amigos, trabalho e com tudo que conquistaram até hoje”, disse Aline Maciel.

A advogada reforçou o pedido por uma viatura com policiais identificados para garantir a proteção dessa família. Segundo Alice Maciel, o secretário-executivo de Direitos Humanos, Jayme Asfora,  prontificou-se a intermediar reunião com a Secretaria de Defesa Social (SDS) para que outras medidas abranjam a família de Ana Letícia. A jovem passará por uma cirurgia para retirar um dos olhos.

Entre as medidas oferecidas pelo governo do estado está o Núcleo de Acolhimento Provisório (NAP), programa voltado para o acolhimento provisório de vítimas e testemunhas de crimes, defensores de direitos humanos, crianças e adolescentes em situação de ameaça de morte.

Pautas debatidas

Também estiveram presentes no encontro, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Pernambuco (OAB-PE) e do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop). 

A reunião foi realizada na sede da Secretaria da Controladoria Geral do Estado, no Recife. As famílias das vítimas solicitam medidas de proteção e intensificação do policiamento no local do crime. 

“Nosso pleito principal foi pedir que o governo do estado, a partir da Secretaria de Direitos Humanos, apresentasse os programas de proteção às famílias, porque a gente compreende quanto à comissão de direitos humanos, a situação de vulnerabilidade que eles se encontram”, explica Maria Júlia Leonel, membro da comissão de direitos humanos da OAB.

Relembre o caso

Dois policiais militares foram mortos em Camaragibe na última quinta-feira (14). O cabo Rodolfo José da Silva, de 38 anos, e o soldado Eduardo Roque Barbosa de Santana, de 33, estavam atendendo uma ocorrência de som alto e possíveis disparos de arma de fogo, quando foram atingidos na cabeça. Além dos policiais, os disparos atingiram a jovem grávida de sete meses e um adolescente, primo dela.

O principal suspeito de atirar contra os policiais é Alex da Silva Barbosa, de 33 anos, que teve três irmãos mortos após o assassinato dos PMs. Através de uma Live nas redes sociais, a irmã de Alex registrou o momento em que ela e outros dois irmãos foram baleados e mortos. 

O crime foi cometido por dois homens encapuzados na madrugada da última sexta-feira (15). Na manhã do mesmo dia, os corpos da mãe e da esposa de Alex foram encontrados em um canavial em Paudalho. Alex foi morto, no mesmo dia, em troca de tiros com a polícia.

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