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Vida Urbana
FIDELIDADE

Uma história de mais de 60 anos de leitura e confiança no Diario

Publicado: 13/03/2022 às 11:42

Para dona Leodila Pontes, o Diario é um roteiro e uma bússola, que se fazem presentes em todas as fases da sua vida/Foto: Romulo Chico

Para dona Leodila Pontes, o Diario é um roteiro e uma bússola, que se fazem presentes em todas as fases da sua vida (Foto: Romulo Chico)

“Eu acho que fidelidade não se define, ou você ama ou não ama. Ou você é fiel ou não é fiel. E, se você é fiel, é para toda vida. Não tem que dizer eu sou hoje e não sou amanhã. Fidelidade é uma coisa eterna.” Essas são as palavras que retratam a relação de confiança e credibilidade que a professora aposentada de 74 anos, dona Leodila Pontes tem pelo Diario de Pernambuco há mais de 60 anos. Leitora assídua do jornal, para ela o Diario é um roteiro e uma bússola, que se fazem presentes em todas as fases da sua vida. Prova disso, é uma carta escrita à mão que relata momentos importantes em que o periódico serviu de base tanto para sua trajetória profissional, como para a pessoal. 
 
 

Ao ser questionada sobre a primeira recordação que vem à sua mente ao ouvir o nome do Diario de Pernambuco, dona Leodila lembra do momento da entrega do jornal ainda durante a sua infância vivida, numa casa, no Bairro do Espinheiro. Ela, que é filha única, sempre ficava esperando a chegada do informativo. “Eu tenho muito a lembrança do grito do jornaleiro: ‘Olha o Diario’. Eu achava aquele momento o máximo. Aquilo me chamava a atenção. Eu era pequena e falava a papai que o jornal tinha chegado, e ele dizia para eu ir buscar. Eu gosto muito do jornal, eu leio tudo. Adoro futebol, só leio por cima um pouco de política, porque já estou tão abusada com esses políticos, mas o resto eu leio tudo”, destacou. 

Tradição de família, a professora também conta o quanto o seu pai era um leitor autêntico do periódico e que ele foi o responsável por passar esse gosto por esta leitura. “Papai era louco pelo jornal, lia o todo dia. Ele pegava o jornal e dizia o quanto era interessante. Meu pai e minha mãe sempre me incentivaram muito a leitura. No tempo de ginásio na escola, eu lia, não lia o jornal todo, como eu leio hoje, mas lia. Eu me casei e eu e meu marido recebíamos todo dia o Diario na porta. A gente pagava semanalmente ao jornaleiro.”  

Caso a leitura favorita de dona Leodila se atrase um pouco para chegar na sua residência, ela já liga para o SAC do jornal e pergunta se ele já está a caminho. “Às vezes, acontece de uma máquina quebrar e me explicam com toda delicadeza o que houve, mas para não se preocupar, que estão solucionando e vão entregar. E realmente eles vão, não falham. Quando eu vou viajar, por exemplo, e vou passar oito dias fora, eu aviso até quando quero receber e quando vou voltar, quando eu chego está lá me esperando”, contou a professora. 

Só teve um período que de fato dona Leodila ficou preocupada sobre a entrega do seu querido Diario, quando ele parou de circular. Mesmo durante essa fase, ela explica que permaneceu na torcida para o retorno do jornal mais antigo, em circulação, da América Latina. “Quando o Diario fechou, eu já tinha pago o meu carnê todo. Muita gente me aconselhou a passar para outro jornal, porque ele não iria voltar mais a circular, que ele estava falido. Eu falei que não estava, que ele iria voltar e eu ficaria esperando. Eu senti muita falta mesmo. Então, eu substituí ele por minhas leituras. Não sou muito de ver as notícias na televisão, eu prefiro ler o jornal para ficar atualizada. Graças a Deus voltou e eu disse: ‘Olha aqui, eu não disse que ele iria voltar e continuei’. Eu acho que o jornal realmente me dá mais rumo, certeza das coisas que eu quero fazer e das coisas que eu confio”, afirmou. 

Ao longo da carreira de professora de português e de literatura, o jornal foi um dos suportes para as aulas estruturadas e ministradas pela educadora. “Muitas vezes eu elaborei minhas provas a partir do material do Diario. Eu pegava o artigo, tirava xerox e fazia a prova em cima dele, de uma crônica. Usei muitos os conteúdos do jornal nas aulas de literatura. É uma paixão da vida inteira. Nessa semana, eu fiz 74 anos, então vamos dizer que depois dos meus dez anos, eu acompanho o jornal, 60 e tantos anos”, ressaltou. Com experiência no ensino primário, médio, federal como professora da Marinha e depois como docente do Colégio Salesiano, dona Leodila comenta que ela tinha atenção especial nas reportagens, sobre Clarice Lispector, de um grande escritor, matérias sobre filmes, a partir disso, ela decidia se iria ao cinema assistir alguma estreia. “O Diario serve para mim, como um roteiro, muitas vezes ele orienta o que eu vou fazer, vou ver. Eu confio na informação”, disse Pontes.  

Com 43 anos de trajetória na sala de aula como professora, ela ressalta o quanto fica feliz e realizada ao reencontrar seus ex-alunos e saber que muitos eles tiveram sucesso na vida profissional. “Eu encontrei um ex-aluno meu que tem posições altas no setor jurídico, vários juízes, advogados, médicos, publicitários. Eu não vi ninguém indo para trás, pode até ter, não é impossível. Mas, os que se empenhavam em prestar atenção, participar das coisas, todos cresceram. Eu tenho muita felicidade de reencontrar meus ex-alunos. É uma alegria, onde eu vou, encontro, é impressionante. Eu digo, que alguma coisa serviu todo esse tempo. Isso me fortalece, porque ser professora nesse país, meu Deus, é uma vergonha”, descreveu Pontes. 

Orgulhosa em ter o Diario de Pernambuco como uma referência no jornalismo, por onde a professora vai, ela carrega a admiração pelo jornal. Em uma viagem para Minas Gerais com a sua filha, ela conta que viu uma banca de jornal imensa de frente ao meu hotel que estava hospedada, com uma placa avisando que vendia todos os jornais do país e logo foi em busca do Diario. “Eu atravessei a rua, quando eu cheguei lá eu disse: ‘Moço, o senhor tem o Diario de Pernambuco? Tava ele e outro conversando, ele deu uma risadinha na minha cara e disse: O que é isso? Eu falei: Somente o mais antigo jornal da América Latina, bota o seu no bolso, e o senhor não sabe o que está perdendo’.”

A educadora aposentada salienta a credibilidade e a confiabilidade que tem pelo informativo. “As entrevistas são muito boas, os enfoques são muito bons. Às vezes, tem coisa que eu discordo até no próprio caderno de Opinião, porque até o nome já está dizendo: ‘Opinião’. As pessoas não são responsáveis pelas opiniões de ninguém, eu posso lançar um artigo dizendo que Deus não existe e escrever tão bem que vou até convencer algumas. Não significa que o jornal vai apoiar, mas se ele me permitiu escrever, então a gente aceita. Mas, eu acho que é muito bom e eu espero que ele cresça.” 

Para dona Leodila, a leitura é essencial para a formação dos cidadãos. Entre os conselhos e estímulos para os mais jovens, ela fala o quanto o hábito de ler é agregador.  “Hoje, a turma jovem lê pouco. Então, eu sempre incentivo os jovens, ninguém é nada sem leitura. Sem a leitura você é enganado, um analfabeto funcional. Se você não ler, as pessoas passam você na conversa, procurem ler.” Quem conhece a professora sabe o quanto ela gosta do Diario, prova disso é a indicação para todos que ela conhece o leiam também. “Eu falo muito para os meus amigos lerem o jornal, têm pessoas que compram. Eu leio todo dia, a primeira coisa que eu faço quando acordo é perguntar pelo jornal, se já pegaram, porque eu moro em prédio. É amor antigo”, explicou.



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