° / °

Vida Urbana
CIÊNCIA

Fiocruz PE colabora na criação de novo teste para detecção de Zika; aparelho pode ser utilizado para a Covid-19

Publicado: 09/03/2022 às 11:23

Equipe da Fiocruz Pernambuco foi escolhida para representar o Brasil nessa parceria por sua expertise demonstrada durante a epidemia de Zika ocorrida em 2015/2016./Livia Guo/LSK Technologies

Equipe da Fiocruz Pernambuco foi escolhida para representar o Brasil nessa parceria por sua expertise demonstrada durante a epidemia de Zika ocorrida em 2015/2016. (Livia Guo/LSK Technologies)

Um estudo realizado por pesquisadores do Canadá, em parceria com cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Pernambuco, analisou uso de biossensores sintéticos em testes rápidos, feitos em qualquer lugar e de baixo custo, para diagnóstico de pacientes infectados com o vírus Zika. O estudo foi desenvolvido na Universidade de Toronto (CA), e contou com a validação da técnica da equipe da Fiocruz PE, usando amostras de pacientes do Recife. Com o estudo, foi realizado o desenvolvimento do equipamento “PLUM”, que é um leitor de reconhecimento de patógenos. Considerado de baixo custo, o equipamento tem valor aproximado de R$ 2.506,75 reais. A previsão dos pesquisadores pernambucanos é que o aparelho também possa ser utilizado na detecção da Covid-19.

O pesquisador da Fiocruz em Pernambuco, Lindomar Pena, coordenador da etapa brasileira da pesquisa, destaca a abordagem da técnica utilizada, com redes de genes sintéticos, que não dependem de cultivo em células. “Trata-se de uma tecnologia revolucionária, que por meio dessa iniciativa pudemos incorporar ao conhecimento científico disponível no Brasil”, declarou. 

Com o estudo, foi realizado o desenvolvimento do equipamento “PLUM”, que é o leitor de placas com temperatura controlada, portátil e de baixo custo (aproximadamente US$ 500 dólares), que, segundo os especialistas, funciona como um “laboratório em uma caixa” e pode ser utilizado em regiões remotas e com poucos recursos. Como a plataforma é programável, o pesquisador Lindomar Pena explicou que pode ser aplicada no reconhecimento de outros patógenos, inclusive o novo coronavírus, o que já é objeto de um novo estudo coordenado por ele mesmo.

O estudo, segundo os pesquisadores, trata-se de um dos primeiros ensaios de campo a aplicar biologia sintética no diagnóstico viral em amostras de pacientes. “Mostrar que a plataforma pode ser transportada e detectar de forma precisa o vírus Zika em amostras de pacientes é um significativo passo à frente para a criação de testes mais acessíveis e descentralizados”, diz o professor da Universidade de Toronto, Keith Pardee, líder do projeto, que reúne cientistas de nove laboratórios, em cinco países (Canadá, Estados Unidos, Brasil, Colômbia e Equador).

Um artigo publicado na revista cientifica “Nature Biomedical Engineering”, na última segunda-feira (7), aponta que a sensibilidade e a especificidade do novo teste foram equivalentes à PCR em tempo real, que hoje é o padrão ouro para a detecção desse e de outros vírus. Segundo os experimentos, a acurácia dos resultados (ou seja, proximidade de um resultado com o seu valor de referência real) ficou em 98,5%, com um total de 268 amostras de pacientes analisadas.

A equipe da Fiocruz Pernambuco foi escolhida para representar o Brasil nessa parceria por sua expertise demonstrada durante a epidemia de Zika ocorrida em 2015/2016, que se abateu de forma muito intensa sobre Pernambuco. A contribuição da instituição nos ensaios de campo dessa pesquisa interinstitucional envolveu os departamentos de Virologia e Terapia Experimental - onde Lindomar Pena atua e foram testadas as amostras de sangue, saliva e urina coletadas em humanos - e de Entomologia - onde a equipe liderada pela pesquisadora Constância Ayres realizou testes com amostras de mosquitos.
Mais de Vida Urbana