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INSEGURANÇA

Médicos da UPA Olinda denunciam ameaças sofridas por pacientes e pedem segurança

Publicado em: 12/01/2022 18:18 | Atualizado em: 14/01/2022 13:08

 (Foto: SES/PE)
Foto: SES/PE
"Não estamos pedindo nenhum luxo, estamos pedindo para viver", foi assim que médicas e médicos da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Gregório Bezerra, em Olinda, localizada no bairro da Tabajara, denunciaram que toda a equipe de trabalho da Unidade, desde vigia, técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos vêm sofrendo agressões e ameaças recorrentes há um tempo. A situação se agravou após a Polícia Militar tirar os policiais dos plantões das unidades de atendimento que, de acordo com a equipe, ocorreu no segundo semestre de 2019 por falta de contingente. Uma médica da unidade chegou a receber uma coroa de flores de um paciente em mãos. A diretoria da UPA entrou em contato com o Cremepe (Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco), Simepe (Sindicato dos Médicos de Pernambuco), e Secretaria de Saúde de Pernambuco (SDS-PE) informando sobre os casos.

Em janeiro de 2020 os médicos da UPA Olinda chegaram a realizar um protesto contra a ameaça de redução no quadro profissional do local. Na ocasião, já havia reclamações sobre a sobrecarga de trabalho dos médicos.

Em documento enviado ao Simepe em outubro de 2021, os médicos da UPA Olinda manifestaram a apreensão com a "insegurança diária vivenciada em nossa unidade e o impacto negativo que as atuais condições de trabalho têm sobre a qualidade da assistência prestada à população", e pediram as mínimas garantias de segurança no ambiente de trabalho. "É de conhecimento público que o Governo do Estado retirou o policiamento fixo das UPAs alegando a falta de efetivo policial. Desde esse fato, as condições têm se deteriorado progressivamente, apontando para a iminência de uma tragédia. Têm se tornado constantes os casos de agressão verbal, intimidação e ameaça, chegando a agressão física em múltiplos casos".

De acordo com o texto, o livro de ocorrência registra 16 casos entre 2020 e 2021. Ao DP, uma médica que não quis ser identificada disse ter feito um levantamento no livro de ocorrências e ficou perplexa com a quantidade de acontecimentos. "É absurdo a gente precisar trabalhar nessas condições. É uma história pior que a outra e todo dia tem uma. Tem história que a gente sabe que ocorreu e o colega não registrou, ou seja, tem mais do que tem no livro", contou.

O ofício alega o direito de segurança no ambiente de trabalho que é assegurado pelo código de ética médica no capítulo III, "apontar falhas em normas, contratos e práticas internas das instituições em que trabalhe quando as julgar indignas do exercício da profissão ou prejudiciais a si mesmo, ao paciente ou a terceiros, devendo comunicá-las ao Conselho Regional de Medicina de sua jurisdição e à Comissão de Ética da instituição, quando houver". Além de outras disposições, como a recusa do exercício da profissão onde as condições de trabalho não sejam dignas ou possam prejudicar a própria saúde ou a do paciente e a suspensão das atividades quando a instituição não oferecer condições adequadas para o exercício da profissão.

Um único médico da UPA Olinda não teve medo e registrou um boletim de ocorrência após ser ameaçado por um paciente por não ter entregue um atestado médico após a consulta. No B.O é relatado que enquanto o médico esperava para tomar a segunda dose da vacina contra Covid-19, o paciente se aproximou dele, tirou uma foto e em seguida disse “vou lhe matar”. O registro foi feito no dia 7 de outubro de 2021.

Ao DP, o diretor do Simepe, Rodrigo Rosas, relatou ter enviado um ofício à Secretaria de Saúde de Pernambuco solicitando providências para o enfrentamento das agressões. Além disso, houve um encontro com o órgão para alinhar possíveis melhorias não só nas UPAs, como também no Hospital da Restauração. "A questão já vem cronificando há muito tempo e aumentou agora com essa epidemia da gripe. Existe uma demanda muito grande de pacientes e não existe um aumento na demanda de médicos, causando acúmulo na demora do atendimento que culmina com essa situação. O paciente começa a ficar um pouco exaltado e numa situação em que existe uma multidão de pessoas, acaba contagiando e as coisas acabam tomando esse rumo. Pedimos às autoridades para reforçar as escalas de plantões e, além disso, o aumento do patrulhamento nas unidades de saúde, não permitir acompanhantes de pacientes, a não ser em casos que existe uma obrigação legal, como menores de idade, idosos e deficiência", disse.

Rodrigo Rosas disse, ainda, que o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, argumentou que iria conversar com a Secretaria de Defesa Social (SDS). "Estamos esperando que as autoridades sanitárias se sensibilizem com a situação e aumentem o número de plantonistas, e que faça uma interlocução com a SDS e aumentar o patrulhamento pelo menos com essa epidemia de gripe e pandemia da Covid-19, a situação está calamitosa".

Em nota, a SDS informou ter um planejamento operacional que contempla as unidades de saúde através do policiamento motorizado executado por viaturas a quatro e duas rodas. "O que garante mais mobilidade, estando sempre  à disposição, caso seja empenhado através do Copom ou da equipe de servidores do local, para intervir diante de uma situação que exija presença policial no interior da unidade de saúde de pronto atendimento".

No entanto, uma outra médica, que também não quis revelar a identidade, afirmou que "não é bem assim que acontece". "Eu nunca vi uma ronda. Se a questão for um problema naquele momento e a gente chamar, a polícia não chega em tempo, nunca é resolutivo. A gente sabe que não tem contingente, que a segurança também sofre com o Governo assim como a saúde, mas cabe à Secretaria contratar seguranças. Se não vai botar a Polícia Militar, tem que botar uma segurança privada, o que não dá é ficar sem segurança. Às vezes, quando chega algum policial com algum suspeito para ter a liberação médica, a gente conta o que aconteceu e pede para eles tentarem conversar com o paciente. Eles conversam, mas seguem com a ocorrência deles pouco depois porque eles não estão lá para garantir a segurança de quem está trabalhando ou em atendimento. Existe a chance de o paciente se aquietar, mas também tem a chance dele perceber que o policial foi embora e até ficar pior com a equipe", relatou.

No que lhe diz respeito, a Secretaria de Saúde, através de nota, reconheceu o aumento expressivo de pacientes que procuram as Unidades de Pronto Atendimento e reforçou o cumprimento das normas do sistema de classificação de risco, tendo os casos graves como prioridade, mas sem muita atenção à UPA Olinda. "As UPAS estaduais já reforçaram suas as escalas de profissionais com o objetivo de oferecer um atendimento mais ágil aos pacientes que procuram atendimento. As Unidades, com o apoio da SES-PE, também já realizaram os trâmites necessários para instalação de toldos e cadeiras nas áreas externas para acomodar essa demanda de pacientes, como a UPA Caxangá e a UPA Nova Descoberta".

Elas também contaram alguns casos de agressões sofridas pelo vigia do local, como ser empurrado, cuspe no rosto, dentre outras coisas. Além disso, a equipe de enfermagem que fica na linha de frente em maior contato com os pacientes, tem um botão de segurança para chamar a portaria em casos de maior exaltação/ameaça/agressão de pacientes.

Por sua vez, em resposta aos médicos, o Cremepe disse ter entrado em contato com a SDS que “comunicou que a Diretoria de Planejamento Operacional DPO/PMPE, por meio do Comando do 1º BPM, está empregando, diariamente, guarnições táticas e motos ordinárias na localidade”. “Salientou ainda o comando que, o efetivo da área da 2ª Companhia, motos e guarnições táticas ordinárias, também reforçam o policiamento no bairro da cidade Tabajara/PE, tendo sido orientados a intensificarem as abordagens no local”. O Conselho teve como resposta da gestão da UPA Olinda que “o planejamento operacional mencionado neste ofício não existe nesta unidade. Ocorrem visitas diárias de minutos”.

O Cremepe não respondeu a solicitação da reportagem até a publicação desta matéria.

Segundo a profissional, houve aumento de médicos para atendimento adulto na clínica médica. "Antes da pandemia a gente tinha três clínicos de dia e três à noite. Durante a pandemia, aumentou um médico de dia e agora são quatro de dia e três à noite. Pela regulamentação do Cremepe, é para ser um médico para 35 atendimentos em 12 horas. Era pra a gente ter pelo menos uns seis de dia e uma equipe de remoção, porque quando tem algum paciente mais grave a gente tem que sair para levá-lo para outra unidade e desfalca o plantão. O Cremepe tem essa regulamentação, a Secretaria sabe disso e eles vão empurrando goela abaixo, a gente vai aceitando e fica por isso mesmo. Já a escala da pediatria é um médico por plantão à noite. Mas as agressões e ameaças continuam, porque mesmo com o aumento, o contingente continua sendo insuficiente. Já era antes e, não se iluda, assim que der, eles vão tentar reduzir", disse.

"É um trabalho imenso conseguir alguém para trabalhar na UPA Olinda. Na segunda onda da pandemia, por exemplo, não fechava a escala, tinha dia que só tinha um médico para o plantão do dia todo e tinha dia que não tinha nenhum. Ninguém queria ir para lá por conta do trabalho insalubre e risco de agressão e ameaça. O trabalho é muito pesado, um volume absurdo de coisas para fazer e a equipe é insuficiente para a [ala] vermelha, amarela, remoção e verde. Não é dividido", contou a médica.

Uma das médicas pontuou que os problemas da UPA são infinitos, mas "a gente só quer a garantia de que vai voltar para casa no fim do turno". "O que mais incomoda a gente é que sabemos que nada vai ser corrigido. O fato é que a gente precisa pelo menos que seja garantido o mínimo, que é a vida da gente sem estar sob risco, porque estamos sob risco de vida, a verdade é essa. Depois do que aconteceu com a médica da UPA Torrões, a próxima coisa é morrer alguém, só falta isso, não tenho dúvida”.

“É cheio, falta medicação, profissional, falta 'N' coisas, mas já é precário do jeito que é e a gente não tem segurança para trabalhar, estamos sendo ameaçados de morte. Um colega ameaçado de morte, outra recebeu uma coroa de flores, outra é agredida fisicamente. Falta o que para o Governo ver que não dá para ficar sem segurança nessas unidades?", questionou. "Não estamos pedindo nenhum luxo, estamos pedindo para viver, para não arriscar a vida trabalhando. As pessoas estão com os ânimos inflamados por estarem doentes e a gente fica exposto a isso sem nenhum tipo de segurança, só esperando acontecer, porque vai acontecer".

A insegurança também ocorre na sala de repouso da equipe, que por vezes tem a porta arrombada a chutes pelos pacientes. A segurança armada causa maior intimidação aos pacientes, que tendem a se conter. "Os hospitais grandes têm segurança, estrutura, e a gente fica de bode expiatório do caos da saúde. Quando tem PM ou segurança armada ninguém passa da porta do consultório e da emergência. Se você não é médico ou não está de plantão, não entra. Na UPA Olinda, entram até no repouso quando a chave está quebrada, ou também arrombam. Na UPA Nova Descoberta já invadiram, volta e meia tem alguém dando porrada na porta. A fechadura do repouso de Olinda já foi quebrada na porrada mais de uma vez. Já aconteceu de eu entrar no repouso para ir ao banheiro ou beber água, começar a confusão na porta e eu ligar para a recepção para alguém ir me pegar. Você fica querendo sair para voltar a trabalhar, mas tem medo de sair e apanhar", afirmaram as médicas.

"A entrada para a sala vermelha é aberta, em outras UPAs a porta é travada ou tem porteiro fixo. Em Olinda é só entrar. Nesse abriu e entrou, um cara entrou de capacete, entregou uma coroa de flores para ameaçar uma das médicas e foi embora", relataram. 

Caso UPA Torrões
No dia 21 de dezembro, uma médica foi agredida com arranhões e chutes por uma paciente na UPA Torrões, na Avenida Abdias de Carvalho, no Prado, Zona Oeste da cidade. O caso foi gravado por um paciente que estava no local e chegou a público. A médica agredida optou por não processar a paciente "para preservar a minha integridade física".

Em conversa com a reportagem, a médica, que não quis ser identificada, contou que a UPA estava superlotada no dia do ocorrido e só tinham três médicos, que era o normal do plantão da noite. "A demanda de lá sempre é alta. A gente recebe plantão com 40 pacientes em tela, que são os já classificados que estão esperando para serem chamados, fora os que ainda estão em processo de classificação, preenchimento de formulário, botar a pulseira de acordo com a sua necessidade. E houve um aumento muito grande da demanda neste fim de ano com o quadro gripal, ou seja, o que a gente sempre recebia à noite e já era bem difícil, porque fica um médico na sala vermelha vendo os pacientes mais graves e dois atendendo no consultório, piorou".

"Nesse dia, o colega que trabalha comigo repassou o plantão para uma novata que tinha dificuldade com o sistema. Sempre recebemos plantão com 40 pacientes em tela, mas nesse dia tinham 90 e não baixava de jeito nenhum. Além desses 90, tinham os retornos de exames e medicação para serem reavaliados, eram muito mais de 100 pessoas na UPA e não tinha nem cadeira para todo mundo. Comuniquei várias vezes à chefia que precisava restringir o atendimento aos pacientes mais graves para não tumultuar muito com os verdes, que não são graves, o que demoraria o atendimento deles, mas não pode restringir", relatou.

Ela disse que precisou parar de atender no consultório por ter surgido uma demanda urgente. "Um paciente convulsionou na minha sala e eu tive que sair para remanejá-lo na vermelha, quando cheguei lá, o médico responsável estava entubando outro paciente e eu precisei maneja-lo, pedir remoção e demorei um pouco para voltar. Eu só saí da sala nesse caso e para ir ao banheiro uma vez, e aqui a gente não janta à noite para poder dar vazão logo aos pacientes. Como eu era mais experiente fiquei atendendo os casos amarelos e laranjas, que são mais graves, e a colega ficou com verde e retorno, só que ela precisou sair em remoção com o paciente que convulsionou, porque a ambulância do Samu chegou sem médico e eu fiquei sozinha com 90 pacientes em tela".

De acordo com a médica, a primeira paciente da pulseira verde a ser atendida por ela entrou no consultório exaltada pela demora. "Ela chegou dizendo que eu tinha chamado gente na frente, eu disse que estava chamando por ordem de horário e ela ficou questionando que eu tinha demorado muito a atender; falei que não tinha parado um minuto e estava atendendo o mais rápido possível e ela continuou insistindo, foi quando eu percebi que não tinha diálogo e perguntei se ela ia me deixar atender, mas ela continuou questionando. Nessa hora eu levantei, disse que precisava atender e ia fechar a porta, foi nesse momento que ela me empurrou, me arranhou nos braços e continuou discutindo. Voltei a perguntar se ela ia me deixar atender ou continuar atrapalhando o atendimento, até cheguei a chamá-la de egoísta, foi quando ela se exaltou mais ainda, disse que eu não sabia com quem estava me metendo, me ameaçou e deu um chute e, por instinto, acabei revidando puxando o cabelo dela".

A profissional de saúde explicou que, por conta da grande demanda, o segurança do local estava na primeira recepção. "Ele só se locomoveu depois para ajudar porque foi quando viu o tumulto, e ainda chegou a levar o segundo chute que ela deu, aí eu entrei na sala. Quando voltei [para a sala] até pensei em voltar a atender, mas quando olhei para as minhas mãos uma unha tinha quebrado e a outra descolado parcialmente, fora os arranhões. Liguei para a Polícia, registrei a ocorrência, fui para a Delegacia e para o IML. Já tem mais de 20 dias que aconteceu e até hoje estou sem a minha unha".

Ela afirmou que o contingente de médicos aumentou na UPA Torrões após o episódio da agressão, e que a situação poderia ter sido evitada. "A gente entende que é um caos, que os pacientes estavam esperando muito, mas o médico não tem culpa, eu estava fazendo o meu trabalho e modéstia parte, estava fazendo muito rápido para dar maior vazão e evitar tumulto, mas as pessoas não compreendem. Entendo que há motivo para estarem exaltados. Quando aconteceu e foi veiculado, rapidamente aumentou a quantidade de médicos, já no outro dia. Por um lado eu achei bom pelo maior suporte, mas até que ponto a gente chega? Precisou acontecer uma situação como essa para haver mudança", pontuou. 
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