Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Notícia de Local

INDENIZAÇÃO

Estudante que teve rosto desfigurado move ação contra seguradora por danos morais

Publicado em: 16/11/2021 13:37

 (Foto: Cortesia)
Foto: Cortesia
O advogado de defesa da estudante Kedydja Cibelly Borges dos Santos, Eduardo Lemos Barbosa, entrou com ação de indenização de danos morais contra a seguradora da empresa de ônibus Autoviação Progresso “pela proposta bizarra” que foi feita para cobrir os danos da vítima. O valor oferecido, que corresponde a R$ 10 mil, não supriria, de acordo com o advogado de defesa, todas as dificuldades que a estudante está passando desde o dia do acidente, 16 de novembro de 2020, quando viajava em um ônibus da Autoviação Progresso para Salgueiro, município onde reside, quando ficou embaixo do ônibus que virou por quase 10 minutos, o que ocasionou lesões graves no rosto. “Esse valor é um desrespeito com a vítima”, diz o advogado Eduardo Barbosa, especialista em indenizações e Direito de Família.

Segundo o advogado, a seguradora através de um representante legal entrou em contato por telefone oferecendo um acordo para que o processo, que já se estende por quase um ano, pudesse ser encerrado. Ao receber a notícia, Eduardo repassou o a informação para a adolescente de 20 anos, que ficou abatida pelo valor não condiz  nem um pouco com a sua necessidade, em virtude de todos os gastos que sua recuperação vem gerando, custos estes que a família não tem condições de arcar. O acidente não afetou apenas sua saúde física, mas também psicológica. “Kedydja ainda encontra dificuldade em estabelecer uma rotina e seguir em frente, precisando inclusive de tratamento psicológico”, relata ele.

Diante disso, o advogado Eduardo Barbosa decidiu entrar com uma nova ação na Primeira Instância contra a seguradora pela proposta. “Inacreditável. Transmiti  a informação e ela ficou bem mal. Ela teve um trauma grande. Esse valor é um desrespeito para uma jovem que teve o rosto deformado”, conta. Ela criou um trauma maior por isso”, revela Eduardo Barbosa. Segundo ele, a empresa infringiu, inclusive, o Inciso III do Artigo 1º da Constituição Federal de 1988, que cita o direito ao princípio da dignidade humana, ressaltando, porém, não ter como saber se a Autoviação Progresso e seus advogados sabiam desse documento ou se estão envolvidos na negociação da seguradora.

Atualmente, Kedydja ainda mora em Salgueiro, cidade para onde se deslocava quando aconteceu o acidente, mas a vida da adolescente, vaidosa e estudiosa, vem precisando de adaptação, principalmente de apoio nessa retomada. A depressão profunda pela qual vem passando está sendo acompanhada por profissionais e o advogado não esconde a preocupação. “O maior desafio é combater a inércia da empresa adversária e ainda ter que dar esperança para ela para que não se deixe abater por situações como essa, por exemplo. Ficamos bem preocupados pelo quadro depressivo em que ela corre até risco de vida”, relata.
 
ENTENDA O CASO
No dia 16 de novembro de 2020, Kedydja, de 20 anos, estava viajando da cidade onde nasceu, em Picos (PI), para Salgueiro (PE0. A menos de uma hora de chegar em casa, o ônibus capotou e ela permaneceu embaixo dele por quase dez minutos. No boletim de ocorrência registrado pela Polícia Rodoviária Federal, consta que o motorista da empresa teria dormido ao volante, provocando o acidente.

As sequelas do acidente se concentraram no rosto da estudante, já que parte de uma de suas sobrancelhas foi danificada, assim como a testa e a cartilagem do nariz, as duas últimas com grave comprometimento, necessitando de cirurgias reparadoras. Por cerca de sete meses após o acidente, Kedydja não conseguia respirar bem, porque tinha um caco de vidro no nariz que a impedia de respirar normalmente, o que só foi sanado depois da primeira cirurgia em São Paulo, em junho passado. Além disso, ela sofreu pela demora no atendimento e falta de recursos. Em entrevista, Kedydja relatou que só conseguiu se ver no espelho novamente após essa cirurgia. “Eu olhava para meu rosto e lembrava de mim coberta de sangue”, lembra ela!
 
Apesar de ter conquistado com auxílio do advogado o direito de realizar as cirurgias reparadoras custeadas pela empresa desde junho, Kedydja enfrenta muito mais que a dificuldade de ver as consequências físicas em seu rosto todos os dias: a falta de apoio da empresa. Ela conta que se isolou para os tratamentos por muito tempo e perdeu o estímulo para sair, estudar e até se maquear. A finalização do processo, segundo ela, será um grande passo nessa retomada.
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Erupção de vulcão na ilha de Java deixou 34 mortos
Manhã na Clube: entrevistas com Teresa Leitão (PT/PE), Almir Mattias e Renata Berenguer
Laboratório anuncia teste para diferenciar o coronavírus da gripe A e B
Manhã na Clube: entrevistas com Alberto Feitosa (PSC), Márcia Horowitz e Andreia Rodrigues
Grupo Diario de Pernambuco