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CARTÃO-POSTAL

Quiosques da Orla de Boa Viagem seguem desamparados, mas com previsão de melhorias

Publicado em: 15/10/2021 20:45 | Atualizado em: 15/10/2021 20:48

 (Foto: Arnaldo Sete (@arnaldosete)/Esp. DP Foto)
Foto: Arnaldo Sete (@arnaldosete)/Esp. DP Foto
Ainda na gestão do então prefeito Geraldo Julio (PSB), a Prefeitura do Recife fez um acordo com a Associação dos Barraqueiros de Coco do Recife (ABCR) há um ano para a requalificação dos 60 quiosques da Orla de Boa Viagem, o cartão-postal do Recife. Cerca de 10 deles estão fechados e mais alguns totalmente depredados, inclusive o que fica de frente ao Parque Dona Lindu, outro ponto de referência da Zona Sul. Os donos dos que ainda sobrevivem se veem desamparados e sem segurança.

Possuidor do quiosque 57 há cinco anos, Cristiano da Silva relatou a quantidade de arrombamentos que acontecem nos quiosques, e que há medo dos próprios barraqueiros investirem em melhorias por não saber quando será feita a reforma. "Aqui a gente nunca fechou por depredação e arrombamento porque sempre estou ajustando alguma coisa, mas já tive alguns devido a falta de segurança. Fica muito abandonado. O policiamento é de rotina, que não vai estar 100% na barraca porque o maloqueiro vai invadir quando a Polícia não está". Ele, que disse já ter visto arrombamento à luz do dia, contou que a época de maior depredação é quando chove, porque a praia fica menos movimentada.

Cristiano disse já ter ouvido "várias versões da reforma". "Uma não-oficial de que a Prefeitura ia dar uma melhorada, a outra é que um homem que é proprietário de uma empresa e está junto com a Prefeitura e Associação para reformar junto com uma distribuidora de bebidas, tipo a Ambev. A outra é que a própria Prefeitura ia assumir. Não sou muito envolvido com a Associação e não procuro saber detalhes, porque já procurei saber e vi que é perda de tempo", contou.

No entanto, a presidenta da ABCR, Josi Miranda, disse ao DP que nada tinha sido resolvido até então porque a Prefeitura estava priorizando os cuidados e gastos com a pandemia. "Mas em setembro o próprio prefeito João Campos (PSB) virou a chave e chamou a nossa equipe, e só agora conseguimos fazer umas reuniões para regulamentar essas questões que faltavam e, em duas semanas a gente conseguiu resolver o que passamos oito meses tentando. Conseguimos a documentação que precisava para efetivar a proposta e fomos a campo". Josi explicou que a parceria com a PCR para o desenvolvimento contínuo da Orla é de 10 anos.

"A poesia de Cordel vai contar a história da cidade em 60 capítulos [quantidade de quiosque]. Foi tudo construído de maneira ampla e democrática com a participação de várias entidades. Apenas há duas semanas a Associação teve a liberação para tratar com os parceiros", revelou Josi. A ABCR pretende dar um posicionamento até o final de outubro sobre a revitalização dos quiosques.

Em nota, a Prefeitura reafirmou já ter aprovado todos os trâmites da recuperação dos equipamentos. "A PCR já aprovou todos os trâmites do projeto de recuperação dos equipamentos, que ficará a cargo da ABCR. A previsão para o início das obras é ainda este ano".

Mesmo com a recuperação dos quiosques prevista para iniciar ainda este ano, a insegurança permeia o local. Proprietário do quiosque 30 há 12 anos, Rafael Barsotti também expressou a indignação com a falta de segurança. "A Polícia Militar não consegue dar vencimento à quantidade de crimes que acontecem aqui. Meu quiosque já foi assaltado dezenas de vezes, tenho entre 15/25 queixas na Delegacia, mas estimo que pelo menos o dobro de arrombamentos. Uns quatro anos atrás o meu quiosque foi arrombado 15 vezes no período de um ano e meio. Na pandemia foram três arrombamentos e quando as coisas flexibilizaram mais foram mais quatro arrombamentos".

"Já tem um tempo que está vindo essa revitalização e que a gente vem escutando coisas sobre ela, mas não deu tempo de revitalizar no último governo e ficou para esse finalizar. As coisas já foram adiantadas, mas ainda tem alguma pendência que está sendo discutida e eu não sei relatar. Estou procurando saber, mas está difícil, não pela Prefeitura, mas pela Associação mesmo", afirmou Rafael.

Barsotti revelou que passa a madrugada vigiando o quiosque para não ser arrombado. "Tenho que fazer a segurança até às 3h da manhã. Fico dentro, fora, arrudeando o quiosque. Vou em casa, volto. Se não fizer isso, acaba sendo arrombado".

O taxista João Victor falou que frequenta mais a área de Boa Viagem e "os quiosques tiveram um grande prejuízo com relação a segurança". "Se pudessem [órgãos responsáveis] investir em segurança, ia ser bem investido. Podia fazer uma adequação na segurança. Nunca fui assaltado aqui, sempre passa patrulha, mas à noite não tem".

Por sua vez, Antônio Felipe alegou não ter rondas no local. "Seria bom ter rondas policiais e até uma guarda na praia. De dia tem muitos assaltos aqui, já vi gente roubando corrente de mulher na minha frente". 

A Polícia Militar não respondeu a reportagem do DP até a publicação desta matéria. 
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