° / °

Vida Urbana
EXPOSIÇÃO

Diario de Pernambuco participa de exposição de jornais centenários no Maranhão

Publicado: 17/10/2021 às 15:28

/Foto: Divulgação

(Foto: Divulgação)

O Diario de Pernambuco, jornal mais antigo em circulação da América Latina, marca presença na nova edição da mostra “Jornais Centenários do Brasil e Portugal: Um Legado Cultural”, aberta ao público nesta segunda-feira (18), em São Luís, capital do Maranhão. A exposição reúne fotos das capas de 54 periódicos, 36 de Portugal e 18 do Brasil, e ficará disponível para visitação gratuita até o dia 19 de novembro.

 

Fundado no dia 7 de novembro de 1825, o Diario é apresentado na exposição com uma capa do ano da sua fundação e outra capa de 2019, exibidas lado a lado, próximas às capas do periódico português Açoriano Oriental, de 1835. A mostra, que neste ano faz uma referência especial ao jornal O Imparcial, único representante maranhense da edição, acontecerá de segunda à sexta, das 8h às 17h, no salão Casa de Portugal, do Convento das Mercês, no centro de São Luís.

 

O grande objetivo da exibição é mostrar os processos de adaptação dos jornais impressos centenários ao longo dos anos, e reiterar a importância desses veículos de comunicação como instrumentos culturais, guardiões da memória e da democracia, caracterizando-os como patrimônio histórico, social e cultural. Dessa forma, os organizadores do evento buscam efetivar o reconhecimento das publicações periódicas em língua portuguesa como “Memória do Mundo”, programa da Unesco que registra bens de patrimônio de importância mundial e histórica.

 

Um dos critérios para integrar a exposição é que o jornal continue na plataforma impressa, além das versões digitais. Durante pelo menos 100 anos, os jornais participantes foram publicados sem interrupção superior a um ano, de modo que visualizar a mudança gráfica e a inserção de cores e imagens que surgiram com o passar do tempo nesses jornais é como fazer uma viagem pela história do Brasil e de Portugal.

 

A mostra é uma realização conjunta das entidades: Associação Portuguesa de Imprensa (API); Associação da Imprensa de Pernambuco (AIP); Consulado Honorário de Portugal em São Luís do Maranhão; Camões - CCP Brasília; Vice-Consulado de Portugal em Belém e da Sociedade Humanitária 1º de Dezembro; com apoio do Conselho da Comunidade Luso Brasileira do Maranhão.

 

O Embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos, esteve presente na cerimônia de abertura da exposição, que aconteceu no sábado (16), ao lado de outros convidados especiais como Maria Fernanda Pinheiro, Vice-Cônsul de Portugal em Belém e Berta Nunes, Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas. O Cônsul Honorário de Portugal no Maranhão, Abraão Valinhas Júnior,  responsável pela organização geral do evento, recebeu a comitiva no local.

 

No caminho para a comemoração de 196 anos de existência do Diario de Pernambuco, o presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, João Palmeiro, destaca que o jornal cumpre bem a sua missão e segue sendo vitorioso, e que “precisa ter o reconhecimento de toda comunidade por ter atravessado gerações e ter conseguido se adaptar às necessidades de cada período, sendo apreciado por quem lê”.

 

Mesmo com as mudanças, a qualidade, credibilidade e tradição do Diario se mantêm intactas, gerando mais confiança na marca e novas possibilidades de divulgar seus conteúdos. Foram características importantes como essas que contribuíram para o aumento de 30,11% na base de leitores da plataforma impressa do DP, de acordo com as análises de dados mais recentes do jornal, divulgadas pelo diretor comercial, Alexandre Almeida.

 

João Palmeiro também avalia que muitas das publicações periódicas presentes na exposição contribuíram para o lançamento de um novo tipo de jornalismo no século XIX, e que todos, em algum momento da sua história e do seu país, lutaram por seus ideais e auxiliaram na construção da sociedade.

 

“Um jornal é muito mais do que um conjunto de notícias, é um todo que ao longo do tempo vai usando novas formas de comunicar, novos sentidos para explicar e um permanente pacto com a seriedade e a ética para traduzir, para guardar e para apresentar às comunidades vindouras as suas raízes comuns, o seu sentir coletivo”, caracteriza o presidente da API.

 

Berta Nunes, Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, afirma que a Casa de Portugal, no Convento das Mercês, “é o lugar ideal para receber a exposição, local de história e memória, espaço privilegiado de diálogo luso-brasileiro”. A Secretária também reitera a importância da valorização dos jornais seculares de língua portuguesa, e dos seus arquivos, como lugares de memória das regiões e países onde atuam.

 

Segundo ela, trazer à luz o percurso desses jornais seculares significa “mostrar a capacidade de adaptação e de reinvenção da imprensa escrita, a sua vitalidade e importância para a construção das sociedades. É também um convite para conhecer melhor o passado, numa relação dinâmica com o presente”, declara.

 

Flávio Dino, Governador do Maranhão, descreve que os jornais brasileiros e portugueses, ao longo de séculos, teceram os fios da história e são espaços de preservação da memória política e cultural desses dois países. Ele relembra que grandes representantes maranhenses da literatura publicaram textos nas páginas dos periódicos, como Gonçalves Dias e Aluísio Azevedo, “enriquecendo o patrimônio das letras e saberes que aqui exaltamos”, aponta.

 

“O pleno exercício da democracia exige uma imprensa forte e independente. Olhar para o passado espelhado nas páginas dos jornais, sobretudo na hora presente, é de extrema importância para a construção de um futuro digno para a nossa Pátria, com liberdade, direitos para todos e respeito às instituições”, complementa o governador.

 

De acordo com Múcio Aguiar, presidente da Associação da Imprensa de Pernambuco e conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), os jornais impressos “são documentos históricos que juntos testemunham a história e evolução do Brasil, dão voz a personagens e materializam os acontecimentos, permitindo compreender a sociedade moderna. É nas páginas dos jornais que a notícia se torna documento”, acrescenta.

 

A primeira mostra de jornais centenários foi dedicada exclusivamente aos jornais portugueses e aconteceu no Parlamento Europeu, na Bélgica, em 2018, promovida pela Associação Portuguesa de Imprensa. Em 2019, a Associação da Imprensa de Pernambuco, em cooperação com a congênere de Portugal, trouxe para o Brasil a exposição, que foi ampliada com a inserção de jornais brasileiros, e realizada na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no Recife. Assim surgiu a primeira exposição luso-brasileira dos Jornais Centenários.

 

Múcio ressalta que os impressos centenários se caracterizam como a memória viva dos últimos séculos, e que a exposição, com seu rico acervo que narra 196 anos de história, serve para levantar uma reflexão sobre a importância de preservar esses jornais como patrimônio cultural. Para ele, a união entre a AIP e a API busca valorizar a história dos jornais de língua portuguesa e compartilha “do mesmo sonho de perpetuação desse legado, construído pelo homem, a partir do desejo de levar a comunicação ao mais longínquo horizonte”, declara o presidente da AIP.

Mais de Vida Urbana