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SAÚDE

Temperatura mais baixa e ambientes fechados são o ponto de partida para as SRAGs

Publicado em: 07/06/2021 09:53 | Atualizado em: 07/06/2021 09:53

 (Moisés de Holanda/HC-UFPE-Ebserh)
Moisés de Holanda/HC-UFPE-Ebserh

Em Pernambuco, mais de 45 mil pessoas foram confirmadas como casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) do Coronavírus. Os dados, registrados desde o começo da pandemia, são da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE). Com a incorporação do termo, que é também usado para outras síndromes respiratórias, além da Covid-19, e com o período chuvoso no Estado, em que as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados contribuindo para a proliferação de vírus, alguns especialistas dão orientações sobre como se prevenir.

 

“A Síndrome Respiratória Aguda Grave é um grupo de pacientes que estão com sintomas mais graves. Eles tem apneia, desconforto respiratório, falta de ar, redução de peso, saturação baixa. E piora, para aqueles que ainda tenham doenças preexistentes, podendo chegar até a insuficiência respiratória”, define o epidemiologista e assessor técnico da Vigilância em Saúde da SES-PE, George Dimech.

 

Com mais 492 mil casos confirmados da Covid-19, sendo 45.531 graves, de acordo com o boletim divulgado pela SES-PE na última sexta-feira (4), distribuídos pelos 184 municípios pernambucanos, além do arquipélago de Fernando de Noronha, a preocupação das autoridades médicas é com o baixo número de leitos dedicados aos pacientes graves, que atingiram a marca de apenas 3.017, sendo 1.760 leitos de UTI e 1.257 de enfermaria.

 

“Estamos vivendo um momento de pico de Covid-19, com sistema de Saúde tanto público como privado, superlotados, sendo necessário o esforço de todos, no sentido do uso e disseminação do uso de máscaras, higiene de mãos, isolamento social, e adesão à vacinação”, pontuou a médica pneumologista do Hospital das Clinicas (HC-UFPE/Ebserh), Rita Ferreira.

 

De acordo com a Central Estadual de Regulação Hospitalar, a taxa de ocupação dos leitos de UTI está acima dos 95% e os leitos de enfermaria emmais de 80%, o que representa uma taxa de ocupação média em 91%, dos leitos ocupados com pacientes acometidos com SRAG, incluindo os casos da Covid-19. Já na rede privada, há 483 leitos de UTI (sendo a taxa de ocupação em 91%), e 238 leitos de enfermaria (sendo numa faixa de 70% de ocupação), o que totaliza 721 leitos de SRAG, para uma taxa de ocupação média que está acima de 80%.

 

Além dos números alarmantes para a disponibilidade de leitos no Estado, o período chuvoso, propício para disseminação de vírus respiratórios, é mais um agravante para a situação da população, que enfrenta diariamente a intensa aglomeração em ônibus e metrôs, nos trajetos para o trabalho. “Com a chegada do inverno, aumenta a incidência de síndromes respiratórias sim. Este é o momento mais oportuno para a ocorrência, porque são períodos que reúnem mais baixas temperaturas associados a uma maior poluição ambiental com comprometimento da qualidade do ar”,explica o pesquisador da Fiocruz PE e chefe do Serviço Infectologia do HC-UFPE/Ebserh, Paulo Sergio Ramos Araújo.

Lindacy relata o medo que a doença fosse Covid-19. ( Foto: Arquivo Pessoal.)
Lindacy relata o medo que a doença fosse Covid-19. ( Foto: Arquivo Pessoal.)
 

Foi o que pode ter ocorrido com a dona de casa Lindacy Vieira, 57 anos, que no começo de maio, após uma ida à Feira Livre, no Centro de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, teve os primeiros sintomas do que acredita ter sido uma forte gripe. “No começo eu senti muita dor de cabeça e no corpo. Uma coriza muito grande. Além de sangramento no nariz, eu estava tossindo e tive febre. Fiquei com muito medo, porque achei que fosse a Covid-19. Com tudo isso passei quatorze dias em casa, sem sair para canto nenhum. Não quis arriscar a saúde dos vizinhos e das pessoas, porque achei que era o coronavírus. Tanto que tomei a decisão de só sair de casa para fazer o teste da Covid-19. Com sete dias, o resultado saiu e foi negativo”, conta a ela, que mora no bairro de Vila Rica, em Jaboatão.

 

O médico infectologista Paulo Sergio Ramos, explica que as síndromes mais comuns do período estão associados a fatores externos. “São as rinites, sinusites, faringoamigdalites e laringites, além das infecções de vias aéreas inferiores que são as bronquites e pneumonias. Maior circulação de vírus respiratórios como os vírus da Influenza A (H3N2), a (H1N1), Influenza B, Parainfluenza, Rinovírus, Vírus Sincicial Respiratório, todos estão associados a fatores ambientais”.

 

Lindacy contou que nunca havia sentido dores como dessa última vez, embora já tenha sido diagnosticada clinicamente com sinusite (uma inflamação da mucosa dos seios da face, região do crânio formada por cavidades ósseas ao redor do nariz, maçãs do rosto e olhos). “Era muito dor que eu sentia, a cabeça parecia que ia explodir, de tão pesada que estava. Foram sintomas horríveis. Eu já tive algumas crises de sinusite, que foram parecidas, mas nem de longe foram tão forte como dessa vez”.

 

A explicação do período de proliferação de vírus respiratórios se dá, de acordo com o epidemiologista da SES-PE, George Dimech, devido à época do ano. “Na verdade, o aumento de casos se dá devido à fase de sazonalidade, ou seja, é quando ocorre uma maior circulação de vírus aqui em Pernambuco. Essa fase começa no outono. Por isso a campanha de vacinação de gripe, todos os anos, ocorre entre os meses de fevereiro, março e abril. Essa fase começa em fevereiro, aumenta em março e tem seu pico antes do inverno, entre maio e junho. Esse é período mais favorável à circulação e propagação de vírus respiratórios. Desse começo de junho até o começo de julho há riscos, mas que se reduz em agosto. Não é só a estação do ano que define”, ressalta.

 

De acordo com Secretaria de Vigilância em Saúde (SIVEP Gripe), em Pernambuco, ocorreram 156 casos de SRAG hospitalizados por Influenza A, 54 casos de Influenza B, e três casos para ambas, totalizando 213 notificações no ano passado. Quantos aos óbitos por SRAG, ocorreram 26 por Influenza A, 12 por Influenza B, e quatro por Influenza A e B, totalizando 42 pessoas que perderam a vida. No Sivep Gripe não há registro de caso de SRAG por Influenza em 2021 no Estado até a última semana.

 

Aliviada com o resultado negativo do teste de Covid-19, a dona de casa Lindacy Vieira relembra o dia que acredita ter sido decisivo para que ela tivesse ficado doente.

“Eu tinha ido no Centro de Jaboatão, numa sexta-feira pela manhã para fazer compras na feira. Eu estava normal. Quando foi à noite, os sintomas já apareceram. Mas há um detalhe: eu esqueci de usar a máscara. Só vim perceber que estava sem a máscara na metade do caminho. A sorte é que minha filha estava indo ao meu encontro, e levou uma máscara para mim. Então, além do tempo chuvoso, passei por várias pessoas no trajeto, o que pode ter me levado a ficar com essa gripe. Eu saí boazinha de casa, quando foi a noite já comecei corizando. Foi por falta do uso da máscara mesmo”, admite.

Rita Ferreira,
pneumologista do
Hospital das Clínicas ( Foto: Arquivo Pessoal.)
Rita Ferreira, pneumologista do Hospital das Clínicas ( Foto: Arquivo Pessoal.)
 

A pneumologista do Hospital das Clinicas (HC-UFPE/Ebserh), Rita Ferreira, relata a importância da prevenção em tempos pandêmicos. “O uso de máscaras, isolamento social, higiene de mãos e vacinação. No caso da gripe, a vacinação para influenza também é importante para os grupos indicados pelo Ministério da Saúde – crianças e idosos. Prevenir infecção respiratória inclui, além de todas medidas já relacionadas, evitar contato com pessoas doentes, e repito: vacinação, isolamento social, higiene de mãos e uso de máscaras”.

 

A médica também explica que a vacinação é o principal agente para prevenir um possível quadro de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). “As vacinas diminuem a chance de infecção, e pelo menos, diminuem a chance de ter doença grave, e consequentemente de precisar ser hospitalizado ou de morrer. Isso é muito importante no momento de pandemia,com o sistema de saúde extremamente sobrecarregado. Mas as outras medidas precisam ser continuadas”, pontua.

 

Os especialistas explicam que é possível diferenciar a Covid-19, gripe ou alergias, pelos sintomas apresentados em cada paciente. “A Covid-19 apresenta basicamente uma forma mais leve, chamada de síndrome gripal, com manejo domiciliar, e, uma forma mais grave, SRAG, que demanda linha de cuidados a nível hospitalar. Os vírus da Influenza também causam milhares de casos de SRAG anualmente no país”, relata o infectologista Paulo Sergio Ramos.

 

“Para diferenciar as doses alérgicas normalmente não cursam com sinais de infecção como febre. Porém, uma rinite alérgica pode ser facilmente confundida com um resfriado ou até Covid-19. Para diferenciar gripe de Covid-19 nesse momento, é necessário realizar o teste específico para Covid-19”, acrescenta a pneumologista Rita Ferreira.

 

Outra grande preocupação, é com as crianças. Para o infectologista Paulo Sergio Ramos, é preciso uma avaliação do quadro de saúde dos pequenos. “Os indivíduos atópicos, principalmente crianças, ou seja, que apresentam rinite, asma brônquica, dermatite, são mais vulneráveis por já apresentarem comprometimento funcional das vias aéreas”.

Paulo Sérgio Araújo,
infectologista (ASCOM HC-UFPE-Ebserh)
Paulo Sérgio Araújo, infectologista (ASCOM HC-UFPE-Ebserh)
 

“Tanto crianças como adultos podem sofrer mais nessa época do ano. Porém, a Covid-19 costuma levar a doença assintomática nas crianças. Já as crianças asmáticas e alérgicas ficam muito vulneráveis a descompensação dessas doenças, principalmente se não estiverem com sua doença bem controlada”, pontua a médica Rita Ferreira.

 

Por outro lado, a falta de registros de SRAG por Influenza em 2021 no Estado, para o epidemiologista da SES-PE, George Dimech, se dá devido novas medidas sociais impostas pela pandemia. “Até por conta do uso de máscara, devido a Covid-19, a gente observou que favoreceu a redução das outras doenças virais. Há registros, no mundo todo, que houve menos casos de gripe. Temos registrados menos casos de sarampo, por exemplo. Acredito que pelo uso da máscara. Mesmo que indiretamente, e pela capacidade de transmissibilidade dos outros vírus, a máscara está servindo, talvez, para reduzir e impactar na circulação dos outros vírus. É o que observamos também aqui em Pernambuco e no Brasil, como um todo”, opina.

 

 “O alívio foi muito grande quando eu recebi o resultado do exame”, finaliza Lindacy, contando sobre o resultado do teste da Covid-19.“Após os dias que eu fiz o teste, eu ficava apreensiva. Fiquei com muito medo. No dia que eu recebi o resultado, foi no sábado, um dia antes do Dia das Mães, foi o meu melhor presente. Quando vi o resultado negativo, pulei de alegria. A Covid-19 é uma doença que ninguém merece”. A dona de casa já agendou a vacinação para a Covid-19 e disse que também tomará o imunizante contra a gripe.

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