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SEGURANÇA

Antonio de Pádua deixa a Secretaria de Defesa Social

Publicado em: 04/06/2021 17:37 | Atualizado em: 04/06/2021 20:49

Diante da repercussão do episódio de violência policial praticado contra manifestantes no último sábado, no centro do Recife, o secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua, colocou o cargo à disposição no início da tarde desta sexta-feira. O governador Paulo Câmara aceitou e nomeou para responder pela SDS o atual secretário executivo, Humberto Freire.

Foi a segunda mudança consecutiva na pasta de Defesa Social, já que durante a manhã desta sexta-feira (04.06), o governador Paulo Câmara já havia empossado o coronel Roberto Santana como novo comandante da Polícia Militar, em substituição ao coronel Vanildo Maranhão.

“Quero agradecer ao secretário Pádua por todo o seu trabalho em defesa do Pacto pela Vida nesses quatro anos, e ressaltar que a missão dada ao secretário Freire e ao comandante Roberto é que o episódio do último sábado não seja esquecido, para que nunca se repita. Os protocolos precisam ser revistos para que um comando de tropa na rua não possa se sentir autônomo a ponto de agir da maneira que agiu”, afirmou o governador.

O delegado da Polícia Federal Antônio de Pádua estava à frente da Secretaria de Defesa Social desde 1º de julho de 2017.O secretário interino Humberto Freire também é delegado federal e fazia parte da equipe de Pádua desde o início da gestão dele.
 
Desgaste
 
A imagem de Pádua ficou desgastada não só pelo uso exagerado da força por parte do Batalhão de Choque no último sábado, mas por uma pergunta central ainda não respondida: Quem deu a ordem para os policiais atirarem balas de borracha contra os manifestantes na Ponte Princesa Isabel? Durante a operação, o então secretário encontrava-se na sede da secretaria concedendo uma entrevista, ao vivo sobre o monitoramento nas praias por causa do atual decreto que veta o acesso a esses locais nos finais de semana até o próximo fim de semana.
 
Em áudio divulgado na quinta-feira (3), Pádua explicou que há uma hipótese de que a ordem partiu do próprio comando de campo em reação a atitudes dos manifestantes. "O que foi relatado pelo comandante operacional é que teria havido agressão por parte dos manifestantes e, daí tomou-se a decisão de uso de força progressiva. Mas temos que confrontar isso com imagens e outros depoimentos. Não partiu de mim nem do grupo que estava comigo no centro de comando qualquer autorização para uso de força".
 
Na ocasião, a operação do Choque deixou um saldo de dois homens atingidos nos olhos: Jonas Correia de França, 29 (olho direito) e Daniel Campelo, de 51 (olho esquerdo). A vereadora do Recife, Liana Cirne (PT) recebeu um jato de spray de pimenta no rosto. 
 
Em nota, divulgada para a imprensa no início da noite, o ex-secretário repudia a ação no protesto e agradece ao governador e toda a equipe da SDS. Ao final, resume que seu ciclo na pasta está completo.

Confira a nota na íntegra:
 
Os fatos ocorridos no último sábado foram graves e precisam ser investigados de forma ampla e irrestrita. Minha formação profissional e humanística repudia, de forma veemente, a maneira como aquela ação foi executada. Seis dias depois do episódio, com um novo comandante à frente da PM, com todos os procedimentos investigatórios instaurados e após prestar contas à Assembleia Legislativa, à OAB e ao Ministério Público, entreguei meu cargo ao governador Paulo Câmara, com a certeza do dever cumprido e mantendo nosso compromisso com a transparência e o devido processo legal.

Agradeço a toda a equipe da SDS e dos órgãos operativos que compõem a secretaria, aos colegas do governo e, principalmente, ao governador pelo apoio no trabalho desenvolvido ao longo desses quatro anos. Na gestão mais duradoura na trajetória desta secretaria, pude colaborar, sob as diretrizes do Pacto pela Vida, com a expansão e qualificação de unidades e serviços de segurança, a ampliação dos recursos humanos e, principalmente, com a redução da violência em Pernambuco, que chegou em maio ao 5º mês consecutivo de retração dos crimes contra a vida.

Meu ciclo à frente da SDS está completo. Jamais deixei de assumir minhas responsabilidades, enquanto coordenador das forças de segurança, mas também, como gestor e servidor público, tenho a plena consciência de que as instituições são mais importantes que as pessoas. E devem seguir, cada vez mais fortes e sintonizadas com os anseios de todos.  Finalizo meus trabalhos neste cargo com a tranquilidade do dever cumprido e com a certeza de que a política pública de segurança do Estado seguirá vitoriosa, sendo uma prioridade da gestão. Mais uma vez, obrigado a todos pela inestimável colaboração que tive. 
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