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FLEXIBILIZAÇÃO

Após reabertura, comerciantes de praia expressam alívio em meio a dificuldades

Publicado em: 27/04/2021 14:35 | Atualizado em: 27/04/2021 17:32

O comerciante Galdino da Silva trabalha há 40 anos na praia de Boa Viagem  (Foto: Hesíodo Goes/Esp.DP)
O comerciante Galdino da Silva trabalha há 40 anos na praia de Boa Viagem (Foto: Hesíodo Goes/Esp.DP)
Um respiro após mais de um mês com as atividades paradas. Conforme anunciado pelo governador Paulo Câmara na última quinta (22), seguindo as diretrizes do novo Plano de Convivência com a Covid-19, o comércio de praia voltou a funcionar de segunda a sexta, das 9h às 16h. Ainda sem autorização para funcionar nos finais de semana, os trabalhadores que tiram o sustento da atividade subtraíram as dificuldades, intensificadas com o momento pandêmico, e encontraram motivo suficiente para crer que dias melhores virão.

Aos 52 anos, a barraqueira Maria de Fátima de Santana trabalha há mais de 20 anos vendendo cachorro-quente na faixa de areia da praia do Pina, na Zona Sul do Recife. A comerciante relatou ter contado com a ajuda financeira de familiares no período em que o comércio praieiro foi suspenso, e atesta ainda estar passando por dificuldades, sobretudo, ao lembrar uma dívida em aberto de R$ 50 - equivalente a um mês de aluguel - com a proprietária do depósito onde guarda a barraca de cachorro-quente.

“Tudo o que a gente queria era ter o nosso dinheiro para colocar comida dentro de casa. Pagar aluguel, conta de luz. Estou até devendo à moça do depósito, mas ela disse para eu ter calma". Apesar disso, a esperança aparece como força motriz para superar as adversidades trazidas pelo momento. "Isso um dia vai passar”, exclamou, em lágrimas.

Para seu Galdino José da Silva, 53, que trabalha em um ponto de Boa Viagem há 40 anos e integra a Associação de Barraqueiros, os percalços para angariar recursos para o pagamento de despesas básicas, como água, luz e a cesta básica também foram grandes. O comerciante destacou que os dias de trabalho nos finais de semana são mais vantosos, mas ressaltou que a retomada gradativa das atividades gera alívio não só para ele, como para outros profissionais que passam por situação parecida.

“Às vezes, pensamos que só nós temos dificuldades, mas tem gente em situações piores. Então, essa reabertura beneficia todos os trabalhadores da praia. Temos que nos acostumar até quando a Covid durar, quando o vírus for embora, voltamos com a nossa liberdade."

Heitor Murilo agradeceu a retomada do comercio de praia (Foto: Hesíodo Goes/Esp.DP)
Heitor Murilo agradeceu a retomada do comercio de praia (Foto: Hesíodo Goes/Esp.DP)

Sentimento compartilhado pelo ajudante de barraqueiro, Heitor Murilo, 28. Ele trabalha como garçom de praia há cerca de dois anos e conta que na barraca onde atua os funcionários sempre seguiram o protocolo de segurança recomendado, com o uso de máscara, álcool em gel e distanciamento social.

“Mas, com o aumento de pessoas infectadas e o número de óbitos, veio o fechamento e dificultou bastante para nós. Infelizmente, outras pessoas por não se prevenirem acabam prejudicando aquelas que se cuidam”, disse. Durante o período de proibição total das atividades comerciais de praia, que durou de março até esse domingo (25), o morador da comunidade Entra Apulso, na Zona Sul da capital pernambucana, precisou encontrar alternativas para continuar levando o sustento para casa. 

“Tive que abrir uma barraquinha onde moro e comecei a vender salgadinho, pipoca, caixa de fósforo [...] para ver se eu alcançava, ao menos, metade da renda que eu tinha anteriormente. Aos poucos, fui conseguindo, mas não estava sendo fácil”, acrescentou, ao mesmo tempo em que comemorou o retorno ao trabalho.

“É muito bom reabrir e a gente começar a trabalhar novamente. É por onde adquirimos nosso sustento, que é uma coisa básica para o ser humano. Faz uma falta muito grande não receber esse dinheiro”.

Contraponto

No trimestre encerrado em janeiro deste ano, o Brasil alcançou a marca recorde de 14,3 milhões de pessoas desempregadas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As consequências do patamar atingido vão muito além das estatísticas e, na prática, expõem ainda mais pessoas em situação de vulnerabilidade social. Além da batalha contra o vírus, muitos ainda tentam encontrar alternativas independentes para tirar o sustento de cada dia.

A dona de casa Dalva da Silva relatou momentos de dificuldade por conta do desemprego (Foto: Hesíodo Goes/Esp.DP)
A dona de casa Dalva da Silva relatou momentos de dificuldade por conta do desemprego (Foto: Hesíodo Goes/Esp.DP)

Esse é o retrato da realidade de Dalva da Silva, que aproveitava a terça-feira (27) nas proximidades da barraca de Maria de Fátima. De acordo com ela, o comércio de praia deveria ser liberado também nos finais de semana visando minimizar os apertos financeiros enfrentados pelos comerciantes.

Por outro lado, a dona de casa também sofre na pele dias angustiantes. Aos 48 anos, ela atuava como diarista em duas casas de família fazendo faxina durante a semana, mas com a chegada da pandemia, foi dispensada e atualmente sobrevive com o auxílio emergencial.

“Espero que as coisas melhorem, que eu volte a trabalhar”. Dalva conta que pretende abrir um salão de beleza em casa, no bairro de Afogados, Zona Oeste do Recife, mas que ainda tem receio quanto a adesão do público devido à pandemia. “Eu e meu sobrinho estamos planejando fazer isso. Mas não sabemos até onde essa doença vai e não temos dinheiro. Quando parar mesmo, vamos abrir”.

Já a paranaense Aline Martins veio passar uma semana no Recife com outras duas amigas e aproveitou para passar na praia. Para ela, a retomada do comércio na faixa de areia enche os comerciantes de esperança e leva mais conforto aos turistas. Em compensação, a enfermeira pontuou algumas contradições entre os setores locais no combate à pandemia.

“Para nós é bacana, porque realmente conseguimos conhecer paisagens diferentes. Mas a gente percebe que eles exigem muito de alguns setores e de outros, nada. Por exemplo, o setor de aviação vem lotado, sem distanciamento. Fizemos alguns passeios turísticos aqui também e os ônibus estão todos lotados. E isso se torna um risco", afirmou.

“Nós vemos que todos os comerciantes trabalham de máscara, e eles estão tentando continuar do jeito que tem que ser. Porém, para a saúde pública não é legal. Acredito que os números vão voltar a subir", completou.  
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